VALPARAÍSO: passeio de uma TARDE

Visitamos o Chile em um inverno. Quando contamos aos amigos que iríamos visitar Valparaíso, ficamos surpresos com a unanimidade. Todos nos aconselharam a não ir.

Argumentaram que era uma cidade feia, portuária e que no inverno não havia nada para ver ou fazer. Mas seria um desperdício estar tão perto deste Patrimônio Cultural da Humanidade e não ir lá conferir. Então nós fomos.

Chile e Argentina

Valparaíso

Coluna 1 – Deserto do Atacama, Valparaíso, Vinã del Mar. Coluna 2 – Neuquén, San Carlos de Bariloche, Santiago do Chile

O ano era de 2007.

Esta viagem começou no Deserto do Atacama. De lá fomos para Viña del Mar, onde nos hospedamos e foi nossa base para visitar Valparaíso. Em seguida, fomos a Neuquén na Argentina, visitar amigos queridos, onde passamos um ótimo final de semana, descobrindo novos aspectos da vida no país, além de Buenos Aires.

Seguimos de ônibus para San Carlos de Bariloche, onde fizemos uma semana de snowboard. Muita cara na neve, vento no rosto e muita diversão, além de histórias de neve, claro!

A viagem terminou em Santiago do Chile.

Pois bem! Felizmente decidimos ir até Valpo, mesmo com todas as indicações contrárias. Uma pena que passamos somente uma tarde por lá.

Já a Ju, que escreve para o blog Turistando.in se hospedou em Valpo: menina experta. Clicando aqui abaixo 👇🏻você descobre onde foi:

+ Onde se hospedar em Valparaíso

De Viña del Mar para Valparaíso: metrô, chuva e guarda-chuva preto

Valparaíso

Léo e eu no metrô de Valparaíso

Valparaíso

Com meu guarda-chuva preto e feioso, mas salvador

Chegamos pelo metrô de Valparaiso, inaugurado em 2005, que liga Valpo a Viña. Lembro que era um dia de muita chuva e fazia muito frio. Os termômetros marcavam 5 graus.

A viagem foi muito rápida e o metrô era muito novo. As cidades distam mais ou menos 10 quilômetros uma das outra.

Quando desci do metrô, tive que comprar um guarda-chuva, preto, grande, feio, que salvou minha vida e preservou um pouco de minha saúde, num moço que tinha estendido um pano na rua, sob uma marquise, e colocado as sombrinhas sobre ele.

Como tínhamos pouco tempo, resolvemos perambular pela cidade. A cada passo eu me apaixonava mais.

Um pouco de Valparaíso

Valparaíso

Monumento a los Heroes de Iquique

Valparaíso

A Armada de Chile

Valparaíso

Ascensor Reina Vitória

Valparaíso

Plaza Sotomayor , Valpo vista de cima, longas escadarias…

Valparaíso

A caminho do ascensor

Passamos pela Plaza Sotomayor e seu Monumento a los Heroes de Iquique, que foi a batalha final na guerra entre Chile e Peru. Nesta mesma praça fica o prédio da Armada de Chile.

Subimos e descemos os cerros nos ascensores, como o Reina Victoria e vimos a cidade de cima de seus morros (são mais de 40), subimos escadarias imensas, passeamos pelas ruas de pedra, passamos pelas casinhas coloridas e outras em estilo mais clássico… Introspectivos, como o tempo que estava cinza e bucólico.

Senti-me em um filme, ou em um romance do século XIX.

O Reloj Turri

Valparaíso

Reloj Turri

Olhando para trás por um instante vimos um edifício incomum, chamado Agustín Edwards, localizado na interseção das ruas Prat, Cochrane, Gómez Carreño e Esmeralda, construído no século XX, conhecido como Reloj Turri. A origem de seu nome é incerta.

No alto de sua torre vive um relógio que dizem marcar o compasso dos porteños.

Estávamos no centro financeiro de Valparaíso.

Próximo ao Reloj Turri, que durante muito tempo chamou-se Cruz de los Reyes, está o ascensor Concepción (Turri).

No século XVIII o navio Nuestra Señora de la Ermita naufragou em Valpo. Dom Gaspar de Reyes, dono de bodegas nesta região, mandou erguer uma cruz, com os destroços do navio, em memória das vítimas e por isso o nome: Cruz de Reyes.

O dia seguia cinza, melancólico, cogitabundo, reflexivo. Perfeito!

Valpo: abusada e atrevida

Valparaíso

Arquitetura alegre de Valparaíso

Valparaíso

Valparaíso

Valparaíso

Pelas ruas de Valparaíso molhada, com frio e encantada

Havia, apesar do tempo, muitos transeuntes como nós na parte baixa da cidade, mas vi poucos turistas. Em compensação a parte alta estava vazia, deserta…

Em determinado momento, ainda no início de nossa jornada pela cidade, um taxista passou veloz sobre uma poça d´água e me deu um banho de água suja. Deixou-me toda molhada e congelada até os ossos. Mas nem isso me fez desistir de vagar pela cidade.

Aquela cidade seguia me encantando a cada passo. Quebrando a deliciosa monotonia do dia escuro, carregado de pesadas nuvens de chuva, muita arte de rua, grafites muito coloridos enfeitando diversos muros.

Aquelas casas penduradas nos morros, cheias de alegres cores, cuja arquitetura tinha seus momentos de ar meio malacabado formando interessante e irregular cenário transformava Valpo, aos meus olhos, em uma cidade extraordinariamente abusada, atrevida.  Adorável!

Pablo Neruda e sua La Sebastiana

Valparaíso

La Sebastiana

Valparaíso

La Sebastiana e sua bela vista da cidade

Um dos últimos lugares que passamos foi La Sebastiana, a casa de Pablo Neruda, que fica no cerro Bellavista. Ele a comprou em 1959.

Apreciamos a vista privilegiada que o escritor tinha e visitamos o interior da casa. Encantadora. Maravilhosa! Fácil mergulhar na vida de Neruda, através da atmosfera preservada em uma de suas moradas. A visita é imperdível, para quem gosta de casas-museu.

Ao sair, sentei em um banco no jardim e apreciei o porto, com suas águas escuras.

O centro de Valpo

Valparaíso

Catedral de Valparaíso

Valparaíso

restaurante The O´higgins

Fomos então para o centro que fica bem movimentado no fim do dia. Passamos em frente a Catedral de Valparaíso, uma estrutura gótica do século XX.

Já era quase noite então. Devemos ter andado por umas 8 horas sem parar e então resolvemos jantar por ali mesmo, em Valpo.

Comemos peixe no restaurante The O´higgins (Retamo 517). O lugar era agradável, com um bom atendimento. Estava quase vazio quando chegamos e permaneceu assim durante todo o nosso jantar.

Fazia tanto frio, e eu continuava molhada, que comi de luvas.

Voltei a Valpo depois desse dia, em outra ocasião e outro clima e não consegui sentir a mesma paixão desta tarde chuvosa, embora a cidade tenha me cativado uma vez mais.

Espero um dia poder voltar!

Após o jantar, voltamos para Viña, também no metrô.

A Amanda, que escreve para o blog AmandAqui, também visitou Valpo. Entre no link abaixo 👇🏻 e descubra outra perspectiva sobre a cidade, através de seu passeio e impressões:

+ Valparaíso pela Amanda

Clicando na imagem abaixo você deixa este texto guardado em seu Pinterest! 🙂

Descubra Valparaíso, cidade portuária chilena, também conhecida como Valpo: de arquitetura colorida e com características pouco usuais. Chile.

By |2018-03-07T01:05:59+00:0001/10/2017|Categories: Santiago|Tags: |14 Comentários

14 Comments

  1. MARCIO VITAL VALENÇA 03/10/2017 em 15:43 - Responder

    O Chile é demais. Repleto de cidades legais e muitas atrações. Estive nessa região mas não achamos muito interessante. Talvez por ter ido no inverno. Na próxima ida iremos no verão pra ver se gostamos mais. Parabéns pelo post. Muito completo.

  2. viagenseviagenseviagens 03/10/2017 em 18:13 - Responder

    Valparaíso foi uma cidade do Chile que não me conquistou… Por isso sempre digo que quero voltar para ver se ela me conquista mesmo ou não… Vejo tantas pessoas que se apaixonam por ela que acredito que alguma coisa errada deve ter acontecido comigo…

    • Analuiza Carvalho 03/10/2017 em 18:21 - Responder

      oi Eliana… rsrsrsrs na verdade eu conheço mais pessoas que não gostaram de Valpo, do que gostaram… ela não é mesmo uma cidade de fácil gostar, por isso acho que não aconteceu nada errado contigo. rsrsrs bjus

  3. Sy 04/10/2017 em 16:05 - Responder

    Amo e Chile e preciso voltar, pois infelizmente Valparaíso ficou pra trás da ultima vez. obrigada pelas dicas!

  4. Paula Abud 08/10/2017 em 11:48 - Responder

    Achei o máximo vocês irem mesmo com indicações contrárias, pois têm lugares que acabam recebendo diferentes concepções, o que é bom pra mim pode não ser pra você e vice-versa.
    Ouço bastante as indicações de amigos, mas também vou pela minha intuição, Valparaíso, por exemplo, é um lugar que eu tenho vontade de conhecer e agora essa vontade só aumentou.
    Beijos.

    • Analuiza Carvalho 09/10/2017 em 12:21 - Responder

      oi Paula… tudo bom?! Eu fiquei muito feliz por ter ido, mesmo com tantas opiniões contrárias, pois é bem isso que você falou: cada um sente e percebe os lugares de maneira distintas e eu pensava que se Neruda, poeta, amava tanto aquele lugar a ponto de ter uma casa, Valpo tinha que ter algum encanto. Para mim, teve muitos. rsrsrs

      Fico feliz que eu tenha conseguido te inspirar! Vá sim ver Valpo com seus próprios olhos! 🙂 beijocas

  5. angiesantanna 09/10/2017 em 11:34 - Responder

    aehuaeha adorei a parte “Ninguem recomendava a gente ir mas fomos assim memso” hauehaue q pena q so pegaram chuva, mas fico feliz q gostou tb..eu n consegui aliar essa cidade ao meu roteiro, quem sabe numa proxima visita ao chile

    • Analuiza Carvalho 09/10/2017 em 12:23 - Responder

      Oi Angie… o tempo cinza em Valpo, para mim, o deixou poético e romântico… acho que por isso eu gostei tanto. rsrsrs

      Vá sim, quando puder, descobrir se Valparaíso te encantará ou não! rsrsrs bjuus

  6. Mayte Scaravelli 31/01/2018 em 09:28 - Responder

    Amo a maneira como você vê o mundo e como consegue ver beleza em tudo, da sua maneira única. Se apaixonar por Valparaiso de baixo de uma tarde chuvosa e gelada é mesmo para poucos. Eu fui, com sol e a cidade não me cativou, mas agora fico me questionando: pra onde eu não olhei? O que eu perdi?

    E olha como é o mundo, você acaba de comentar no PCP que gostaria de viver cenas de um filme romântico e o que eu encontrei no primeiro texto que eu resolvi abrir do EPM? “Senti-me em um filme, ou em um romance do século XIX!”

    Ahá …vc já viveu seu filme! 😉 Mas podemos viver mais e mais filmes deste, não?

    • Analuiza Carvalho 31/01/2018 em 10:18 - Responder

      Valpo não é mesmo óbvia, Maytê… As primeiras impressões que ela passa podem ser brutas, desajeitadas… mas perceba que cenário bonito, uma cidade de casas coloridas penduradas no morro, olhando o Porto da cidade… Claro, eu sei que pelo mundo há muitas outras cidades com essa descrição, mas quantas carregam a latinidade nas veias, possuem planos inclinados e grafites para todo lado?!

      Pense: Pablo Neruda, poeta, não se encantaria com a cidade à toa!

      Valpo é mágica, poética, atrevida, abusada… Ela está longe de qualquer obviedade e isso é uma parte enorme de seu encanto. Se estiver por aquelas bandas, dê nova chance! Acho que você pode se encantar por ela. 🙂

      Ahhh… siiim, verdade! Me senti como um personagem de um filme, mas preciso ainda viver as cenas de um filme romântico! Como as que você viveu no Lago di Como! Um dia querida, Maytê, um dia… rsrsrsrsrsr bjuuusss

  7. Flávio Borges 26/04/2018 em 19:05 - Responder

    Eu como um bom fotógrafo amador, amei passear pelas ruas coloridas de Valpo e tirar inúmeras fotos! Voltei de lá com uma boa impressão, e certamente vou voltar um dia…
    Parabéns pelo post super detalhado! 😉

    Abraços

    • Analuiza Carvalho 27/04/2018 em 08:54 - Responder

      oi Flávio… Valpo é mesmo uma cidade muito fotogênica não? Além disso, para os bons olhos, ela pode mudar de clima e atmosfera dependendo da região por onde andemos. Eu gostei muito desta cidade e de suas nuances. Não sei se volto um dia, mas gostaria sim. 🙂

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