Uma menina de MOCHILA em NUREMBERG

Este conto é sobre uma menina de mochila;

Ela parou no início da rua.  A mochila começava a pesar nas costas. O que ela havia colocado ali dentro mesmo?!

Mexeu-se tentando diminuir a dor crescente, que ameaçava tomar o corpo inteiro, mudando levemente de posição.

Já não lembrava quando, como ou por que iniciou esta jornada: fuga, busca, encontro, retorno?! Não sabia mais.

Pés afastados, quase em posição de sentido, ela olhou para o fim da rua, que não era muito comprida, e avistou altas torres se destacando no horizonte. Imediatamente a menina pensou em 2 agulhas escuras, enormes, apontando para o céu.

A imagem lhe trouxe lembranças. Doídas.

Olhando melhor, contudo, percebeu que as torres na verdade eram tonalizadas de um estranho verde pálido. Lara então abaixou a cabeça e a sacudiu de um lado a outro espantando as recordações.

Ela suspirou uma, duas vezes e fechou levemente os olhos por um instante e o que apareceu em sua mente foi um traçado vermelho que ela não identificou de imediato, mas ao abrir os olhos percebeu o que sua alma registrou: a ciclovia, que àquela hora estava quase vazia.

Bem, ela nunca havia sido muito profunda mesmo!

Olhou em volta e pela primeira vez Lara notou que havia pessoas ali, caminhando sem pressa.

Pela hora deviam ter acabado de encerrar o expediente. A maioria, pelo menos. Às vezes ela sentia vontade de voltar a trabalhar, fazer parte de uma equipe, de um time.

Fazer parte de qualquer coisa!

Mas não podia. Não mais!

Ela suspirou novamente. A claridade começou a incomodar. Olhou para o alto: nenhuma nuvem naquele céu azul. Ela nem sabia que existia sol naquela cidade.

Com muito esforço obrigou-se a mexer as pernas. Logo, logo não aguentaria mais carregar aquela mochila.

Queria um café: quente, forte, negro, amargo, mas tinha outra coisa que Lara queria ainda mais: esticar o corpo em uma cama macia, limpa, enorme.

Movida por esta imagem, ela andou até o hotel mais próximo: uma portinhola escondida atrás de um bar com cadeiras ao ar livre, vazio naquele momento, salvo por um casal e duas canecas de cerveja.

Ela nem os notou.

Ao abrir a porta do hotel que tinha cara de novo, a porta rangeu. Um contrassenso, assim como ela.

O Universo, com seu estranho e cruel sendo de humor, ironizava novamente, pensou.

A mocinha na recepção era jovem também, mas com redondas bochechas rosadas, cabelo muito loiro e ralo, rechonchuda, agitada, sorridente e tagarela. Lara não prestava muita atenção, mas balançava levemente a cabeça.

Havia aprendido que isso costumava funcionar quando não queria conversa.

Fazia tempo que ela não queria conversa com ninguém.

Com a chave na mão ela dirigiu-se ao quarto, arriou a mochila no chão com enorme alívio, tirou os tênis ainda de pé, deitou-se de costas na cama, cruzou as mãos sobre o peito e fechou os olhos.

Nem se deu ao trabalho de cerrar as cortinas.

Vem espiar este mundão lindo comigo:

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Um menina de mochila nas ruas de Nuremberg, Alemanha. #literatura #contos #arte #viajar

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By |2018-03-07T01:05:40+00:0018/11/2017|Categories: Cenas das Cidades|Tags: |0 Comentários

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