Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Com um caminhar pelas ruas de Kyoto, nós demos início a um novo dia na cidade. Não tínhamos muito rumo ou objetivo, a não ser observar. Queríamos apenas sentir aquela cidade, tão semota física e culturalmente de nós.

Kyoto é uma cidade interessante: possui contrastes muito marcantes. Um virar de esquina pode nos chacoalhar inteiros, pois tudo muda de repente, sem aviso prévio. O muito moderno habita lado a lado com o muito antigo, como muitas cidades em uma única cidade.

Um caminhar pelas ruas de Kyoto para entrar em contato com a cidade e suas idiossincrasias

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Caminhar como forma de ver a cidade

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Sob a perspectiva do caminhante

Quando caminhamos nunca sabemos ao certo o que ou quem vamos encontrar. Muitas vezes nos deparamos com situações ou lugares que nos colocam face a face com nós mesmos, nos reestruturando, reagrupando.

Além disso, quando utilizamos nossos pés como meio de deslocamento, somos donos de nosso ritmo, entrando em meditação ativa, desenvolvendo nossas capacidades sensoriais.

Impomo-nos como novos personagens daquela peça da vida real, ao mesmo tempo em que temos que contracenar, discretamente ou não, com outros personagens, desconhecidos, um outro muitas vezes culturalmente tão distante de nós, que somos inundados de novos conhecimentos e possibilidades. Surpresas!

Caminhar é se abrir muitas vezes para o novo. Isso só é possível quando nos inserimos nos contextos urbanos.

Flanando por Kyoto percebemos como esta cidade é rica em pequeníssimos e abundantes detalhes. É uma viagem intensa observar a urbe, um divertimento sem fim, onde movimento e silêncio se alternam a depender de nosso caminhar.

Pessoalmente, ainda teve um componente absolutamente novo e constrangedor para minha alma envergonhada quando me coloquei como personagem da cena de Kyoto: as pessoas me olhavam muito nas ruas, indiscreta e ostensivamente e nunca soube a razão. Minhas bochechas viviam roxas e quentes de vergonha.

Observadores e personagens temporários da vida cotidiana

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Trânsito intenso, ruas atuais

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

A vida cotidiana se desenrola diante de nós

Há cidades que nos apaziguam, nos espreitam, nos observam. Tive sensações múltiplas enquanto deambulávamos pela antiga cidade imperial. Kyoto nos permitiu estar com absurda gentileza. Não atrapalhou nosso deslocamento, mas nos percebeu.

Kyoto possui ruas muito atuais, com trânsito intenso, pessoas andando apressadas pelas ruas, prédios novos, altos, bonitos. Em dissenso, contudo, prédios não tão novos, embora tampouco muito antigos, se insinuam aqui e acolá, formando interessantíssima e bagunçada paisagem urbana. Templos de tamanhos variados e em quantidades inimagináveis por mim, completam a cena.

Caminhar de manhã cedo pela cidade nos colocou perante Kyoto como observadores da vida cotidiana, ao mesmo tempo em que nos inseriu naquele contexto, quebrando a rotina dos moradores, que nos olharam, nos sorriram e se espantaram com nossa presença.

A um virar de esquina, uma nova Kyoto

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Enfeites

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Ruas estreitas sem calçada

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

A um virar de esquina nos deparamos com nova Quioto

Então, de repente, num virar de esquina, tudo muda radicalmente, como se a cidade de até então, não fosse mais a cidade que já reconhecíamos, já havia virado um pouco parte de nós mesmos, pois já tínhamos absorvido sua atmosfera.

Não! Em um dobrar, cambiar de ângulo, ela mudava de roupa, de clima, de ares, de estrutura e principalmente de ritmo. Então, nós nos reestruturávamos para nos reconectar àquela nova cidade, mais antiga.

Pequenas ruas sem calçada, estreitas, casas de concreto de ambos os lados, enfeites na porta: alguma coisa no meio do caminho entre o atual e o antigo. Parei diante delas , portas e janelas, inúmeras vezes, como se nada mais tivesse a menor importância, a não ser imaginar o desenrolar de vidas.

A sensação que tive a cada passo dado é que o objetivo da cidade era ser funcional, amigável para os seus habitantes. Qualquer outro sentido era simplesmente acessório, que poderia ser implementado ou não.

Personalidade que guarda contrastes

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Contraste intensos fazem parte da personalidade de Kyoto

Aí, quando eu pensava que já entendia Kyoto, sua arquitetura, quando ela começava a fazer alguma lógica, ela girava e se modificava novamente e então, se apresentava com nova roupagem e eu apreendia mais um pedaço dela.

Tentei viver Kyoto da melhor maneira que minha mente ocidentalizada permitiu e foi uma experiência sensorial muito forte, pois caminhar por uma cidade da qual se sabe pouco, cujo idioma não tem significado algum, é um pouco como tatear no escuro, o que torna a experiência marcante.

O Kamogawa

O Kamogawa

Casas que adornam o Kamogawa

Quando a beleza se torna visível em Kyoto

Kyoto foi construída às margens do Kamogawa que significa Rio dos Patos. Casas adornam suas duas margens e para um lado e outro a cidade cresce. Há vida em torno do rio, mas, pelo menos durante o fim do outono, quando lá estivemos, ele foi um personagem tímido e pouco exuberante desta peça de nome Kyoto.

As casas amontoadas às suas margens novamente formam paisagem distinta, curiosa, intrigante.

A noite luzidia de Kyoto

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

Edifício às margens do Kamogawa todo iluminado e pessoas às margen do Rio dos Patos

Templos fazem parte da paisagem de Kyoto

Estabelecimentos e suas iluminações rasgam a noite da cidade

Um CAMINHAR pelas RUAS de KYOTO

As luzes de Kyoto

À noite, a cidade se modifica. As luzes mudam completamente sua atmosfera, ofuscam. A escuridão é rasgada pela iluminação de estabelecimentos, outdoors, luminosos ostensivos. A vida cotidiana se desenrola como se dia ainda fosse. Até que muitas ruas silenciam e parece que todos dormem.

Sei que não é bem assim, que na calada noite preta, muita vida acontece, mas sensações e percepções também são realidade. Pelo menos a que me cabe.

Eu queria ter tido mais tempo em Kyoto, para Kyoto. Sinto que aprendi pouco desta cidade. Tentei saber, ver com a alma o que portas e janelas escondiam. Tentei olhar profundamente o que estava exposto. Desejei mais. Uma cidade assim, entretanto, requer tempo. Não o tinha em quantidade suficiente.

Contudo, foi uma experiência incrível caminhar pelas ruas desta antiga cidade.

Por isso vamos à pé. Cansamos. Paramos, Estamos. Contemplamos.

Até hoje estas caminhadas por Kyoto povoam meu imaginário.

Um caminhar pelas ruas de Kyoto

Um caminhar pelas ruas de Kyoto: sentindo e conhecendo a cidade

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Um caminhar pelas ruas de Kyoto nos proporcionou entrar em contato com a cidade, sua vida cotidiana e seus detalhes nos mostrando uma Kyoto de contrastes. Por isso vamos à pé. Cansamos. Paramos, Estamos. Contemplamos.

By |2018-03-07T01:06:06+00:0011/09/2017|Categories: Quioto|Tags: , |21 Comentários

21 Comments

  1. Luis Felipe 17/09/2017 em 16:38 - Responder

    Caminhar é a melhor forma de conhecer um lugar. Nos colocamos entre os nativos, com calma para observar e buscar os significados. Adoramos!

  2. Super interessantes texto, fotos e a cidade que você observou e contou aqui. Concordo que caminhar é a melhor maneira de conhecer um lugar – não é a toa que faço passeios guiados em Londres!

  3. Bruno Miguel 19/09/2017 em 07:06 - Responder

    Sensacional! Eu adoro caminhar e conhecer a cidade de uma forma diferente! As experiências são melhores que quando temos um transporte direto… Isso faz trazer aquela sensação de que o importante é a viagem e não o destino! 🙂

    • Analuiza Carvalho 19/09/2017 em 11:16 - Responder

      oi Bruno… você disse muito bem! O que importa na verdade é a viagem, o que vemos, sentimos, aprendemos e apreendemos e não necessariamente o destino, o chegar… o caminho às vezes é até melhor. rsrs bj

  4. […] + Pelas ruas de Kyoto […]

  5. Giulia Sampogna 19/09/2017 em 10:09 - Responder

    Eu amei Kyoto. Fui na época das flores de cerejeira e a cidade se transforma. Como você disse, ao caminhar pelas ruas nunca sabemos o que vamos encontrar. Abraços.

    • Analuiza Carvalho 19/09/2017 em 11:19 - Responder

      Oi Giulia… você ter visto cores e cenários belíssimo por conta das cerejeiras em flor né?! Eu fui no finalzinho do outono e peguei ainda o início do inverno no país, mas não mais em Kyoto. Sabe que as cores ainda estavam lindas e intensas?! Eu também gostei muito de Kyoto. 🙂 bj

  6. Pedro Henriques 20/09/2017 em 07:08 - Responder

    Não sabia que Kyoto era tão interessante. Adoro percorrer as cidades a pé e ver os contrastes arquitetónicos e urbanísticos e perceber como elas evoluíram. Muito bem explicado esse relato da caminhada!

    • Analuiza Carvalho 20/09/2017 em 15:03 - Responder

      Obrigada Pedro… caminhar, para mim, é uma das formas mais interessantes de vermos uma cidade! 🙂 Fico feliz que tenha gostado! 🙂 bj

  7. Escolho Viajar, blog 21/09/2017 em 07:03 - Responder

    Curioso como podemos despertar olhares por termos alguma coisa diferente do que as pessoas da cultura local estão acostumados.Gostei muito do relato e do formato como transcorre sua escrita.

    • Analuiza Carvalho 21/09/2017 em 07:50 - Responder

      Obrigada!!! 🙂 De fato aquilo a que não estamos acostumados nos gera muita curiosidade não é mesmo?! Assim o foi no Japão! rsrsrsr Fico bem feliz em saber que gostou!

  8. claudia 21/09/2017 em 13:41 - Responder

    Eu sou fã de conhecer os lugares caminhando. Ao caminhar respiramos a cidade, conhecemos seus cantinhos, seus segredos. Nos misturamos com os locais e só assim conhecemos a alma de um lugar. Adorei passear em Kioto com você!

    Claudia
    @as_passeadeiras

    • Analuiza Carvalho 21/09/2017 em 16:04 - Responder

      oi Claudia… obrigada! 🙂 Você disse muito sobre o ato de caminhar! É bem isso para mim também! 🙂 bj

  9. Michela Borges Nunes 23/09/2017 em 10:22 - Responder

    Uma das maneiras que mais amamos de conhecer um lugar é caminhando também. E os rios das cidades me encantam de maneira especial. Sei lá, amo água. Então, adorei o Rio dos Patos com as casas nas margens. Ah, que delícia de descrição desta caminhada… Beijos.

    • Analuiza Carvalho 26/09/2017 em 10:38 - Responder

      oi Michela… que bom que você gostou de caminhar comigo por Kyoto… Eu também adoro cidade cortadas por rios e que possuam pontes. Elas costumam ser bonitas e cheias de charme né?! bjus

  10. Renata Sucena 30/09/2017 em 22:14 - Responder

    Adorei o post. Parece mesmo linda e muito curiosa essa cidade! Também amo caminhar sempre nas viagens, sempre a melhor forma de conhecer! 🙂

    • Analuiza Carvalho 02/10/2017 em 10:13 - Responder

      Obrigada Renata! Kyoto é mesmo uma cidade interessante e curiosa, especialmente para nós, ocidentais. 🙂

  11. Robba 02/10/2017 em 07:33 - Responder

    Sou fascinado pelas hisotiras do Japão, tenho alguns amigos que visitaram essa cidade e algumas outras e sempre voltam falando muito bem! Parabéns pela materia e pelas fotos!

    • Analuiza Carvalho 02/10/2017 em 09:59 - Responder

      oi Robba… eu também visitei algumas cidades no Japão além de Kyoto e o país realmente nos oferece várias e interessantes histórias: passadas e presentes! 🙂 bjs

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