Seu AUGUSTO carrega um buquê de ROSAS brancas e vermelhas

Seu Augusto carrega um buquê de rosas vermelhas e brancas e some entre os imponentes túmulos do Cemitério da Recoleta, indiferente ao alarido de pessoas que toma conta do lugar. Quem era aquele homem?!

Eu estava parada na entrada do cemitério, olhando distraidamente o vai e vem incessante de turistas, barulhentos, risonhos, fazendo poses, tirando fotos e decidindo qual seria o próximo destino daquele dia na capital argentina.

Passava pouco das 12 horas, o céu estava azul com nuvens dançantes e fazia um pouco de frio.

Um homem passou em minha frente.

Postura levemente curvada, mas rígida e forte, cabelos fartos e completamente brancos. Sua pele era alva, mas de uma tonalidade que indicava muitos anos gastos em uma vida ao ar livre.

Aquele senhor de profundos olhos acinzentados e tristes carregava um buquê de rosas, brancas e vermelhas.

Ele estava imerso em um estado de espírito inacessível. Perdido nele, o homem parecia não notar a balbúrdia que envolvia a atmosfera do famoso Cemitério da Recoleta.

Eu o segui com o olhar enquanto ele caminhava. Não pude resistir. Até que ele virou à direita no fim da alameda e saiu de meu campo de visão.

Aquela imagem me seguiu durante alguns dias e eu nunca soube a razão. Nunca soube que Seu Augusto fora casado por quase 40 anos. Nunca soube que ele e sua querida Iara foram extremamente felizes, conscientemente felizes com a companhia um do outro pela estrada dura que carrega o nome de vida.

Eles escolheram não ter filhos. Devotaram todo o seu amor aos filhos dos amigos, aos próprios amigos e até a desconhecidos.

Iara era um ponto de luz e todos os dias Seu Augusto aprendia alguma coisa com ela. Ela levava a vida com serenidade e fé na humanidade, em seu processo construtivo, evolutivo.

Quando ela partiu para o outro lado da vida, a dor que Seu Augusto sentiu foi tão intensa que ele sorriu. Um sorriso largo e feliz. Os amigos acharam que ele havia enlouquecido. Preocuparam-se.

Nada disso! Diante daquele sofrimento imensurável ele achou que estava diante da morte, que ela tinha vindo busca-lo para encontrar-se com sua Iara. Ele chegou mesmo a ver a Senhora Morte com roupas brancas, diáfanas, cabelos muitos negros e esvoaçantes.

Sorriu durante dias, pois a dor da ausência de Iara não arrefecia. Logo Seu Augusto percebeu que aquela dor aguda não iria cessar, que ele não iria morrer e que Iara não estava mais ali, partilhando seus dias com ele.

Ela havia cerrado os olhos e partido.

Sem ele.

A morte diante de seus chamados incessantes lhe apareceu em sonho, tocou suavemente seu rosto e disse:

– Ainda não, Seu Augusto. Ainda não!

Ele chorou. Pela primeira vez desde o dia em que Iara partiu. Chorou, chorou, chorou… por dias inteiros. A saudade corroía sua alma. Um dia, Iara lhe sussurrou enquanto ele olhava o nada, sentado na varanda de sua casa:

– Meu amor, o tempo é apenas um fiapo. Em breve estaremos juntos novamente, mas para que isso aconteça você tem que fazer sua parte.

Continue vivendo Augusto. Continue vivendo.

Ele olhou para os lados em busca de sua amada, pois o ar se impregnou com o aroma das rosas que ela tanto gostava.

A partir desse dia Seu Augusto voltou a viver.

Sempre que a saudade apertava demais e ele começava a fraquejar, comprava um buquê de rosas e levava para Iara no cemitério. Assim, ele se conectava com ela.

Foi um desses momentos que eu presenciei no Cemitério da Recoleta em Buenos Aires: o amor eterno de Augusto e Iara.

Eu nunca soube da historia de Seu Augusto, mas de alguma maneira eu senti, enquanto ele passava por mim, o enorme amor que ele emanava de seu coração e que nem a morte conseguiu apagar.

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Cais da Ilha de Genebra

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Seu Augusto carrega um buquê de rosas. Algo cabisbaixo, ele caminha lentamente em meio ao alarido de turistas no Cemitério da Recoleta em Buenos Aires, #Argentina. Nunca soube qual era sua história. #cenasdavida #contos #viajar

 

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By |2018-03-07T01:05:19+00:0017/12/2017|Categories: Cenas das Cidades|Tags: |0 Comentários

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