Se for de PAZ pode ENTRAR, pois ZÉLIA e JORGE estão a nos esperar

Casados por mais de 50 anos, o casal de escritores Zélia Gattai e Jorge Amado aproveitaram a vida: conheceram pessoas, curtiram os amigos, formaram uma família, escreveram livros de sucesso, viajaram o mundo e construíram uma casa linda.

A casa, na Rua Alagoinhas, 33, no bairro boêmio do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, virou casa-museu e tornou-se um dos atrativos mais bacanas da cidade de tantos encantos e de muito axé!

Os personagens da Casa do Rio Vermelho

Se você é de paz, pode entrar! A casa é cheia de alma e energia e conta um pouco da história do casal, onde os personagens dos livros de Jorge se confundem e se misturam com os personagens reais que visitaram a Casa do Rio Vermelho.

Foram inúmeros: Isabel Allende, Sartre e Simone de Beauvoair, Pierre Verger, Roman Polanski e Caribé, que veio para Bahia descobrir Jubiabá. Os vencedores do prêmio Nobel de literatura Mario Vargas Llosa e Gabriel Garcia Márquez, também por aqui passaram. Mais recentemente, Mia Couto visitou a Casa do Rio Vermelho.

Personagens sem conta (verdadeiros e imaginários) habitaram e continuam habitando esta casa, perambulando por todos os ambientes: podemos ouvir suas vozes durante toda a visita.

O jardim

Se for de paz pode entrar

A beleza da natureza em cores e vida

Logo que entramos, nos deparamos com um lindo e exuberante jardim, repleto de flores coloridas e árvores frutíferas. Uma trilha nos permite caminhar por ele e para mim teve aroma de infância: facilmente nos esquecemos de que estamos em um dos bairros mais movimentados e boêmios de cidade.

A Casa do Rio Vermelho tem estilo e personalidade

A casa é cheia de detalhes

A casa é cheia de estilo e personalidade: carrega por todo lado referências da intensa vida de seus donos. Tem fisionomia de casa de praia, carregada de informações e originalidade mostrada através dos inúmeros objetos trazidos de outros países distribuídos aqui e acolá.

Adeptos do candomblé, religião trazida ao Brasil pelos escravos africanos, há muitas referências aos orixás na casa. Nas paredes há quadros da cultura nordestina de Cordel e placas diversas.

O piso é um mosaico. Há portas vermelhas, móveis azuis e bancos amarelos, em uma explosão de cores que estimulam nossos sentidos.

A casa e seus ambientes

Há muito que explorar na Casa do Rio Vermelho: salas e quartos foram transformados em pequenas partes desse museu, onde cada um conta um pedaço da historia de Jorge e Zélia.

Ali encontramos curiosidades: as diferentes capas em diversos idiomas dos livros dele traduzidos e as bonecas de pano feitas por ela com inspiração em seus netos.

Entre uma história e outra podemos parar para tomar um café e apreciar um lanche tipicamente baiano na cafeteria enquanto ouvimos o sussurro das plantas e dos fantasmas que vivem ou passeiam no jardim.

A exuberante cozinha de Dona Flor

A malemolência da excepcional comida baiana

Sem dúvida nenhuma esta é uma casa mágica! Na cozinha de D. Flor encontramos um bocadinho da deliciosa, apimentada, colorida e malemolente, forte e quente culinária baiana. Quem nos dá as boas vindas, com sua risada de encher qualquer ambiente é Dadá, conhecida e respeitada cozinheira desta boa e complicada terra.

O colorido alegra os olhos. A pimenta, o dendê e o gengibre se misturam ao swing baiano na cozinha de D. Flor, de Zélia, de Jorge, de todos nós!

Amores e amantes. Suor e sussurros.

Continuando a perambulação por esta casa com muitas almas a circular e nos fazer companhia, entramos no quarto dos amantes e amores: doces e delicados, sensuais, apaixonados e apaixonantes.

Aqui, imagens e sons nos levam por este mundo de luxuria, suor e sussurros. Somos observadores desses amantes, misturados, ardentes e impetuosos, intensos e imortalizados nas obras de Jorge.

Joias atemporais

Se for de paz pode entrar

Em cada gaveta, cartas de amigos

Ah! Esta casa guarda verdadeiras joias preciosas em forma de cartas! Em gavetas está a correspondência que o casal trocou com amigos. Quanta emoção cabe nestes pedaços de papel! Pedaços de história, de passado e de presente.

Veríssimo escreve e conta que está trabalhando em O Tempo e o Vento! Monteiro Lobato diz que Mar Morto é bárbaro e referencia a belíssima Igreja da Conceição da Praia acrescentando que os livros de Jorge “revelam uma força da natureza”.

Viajantes de alma

Jorge levou a Bahia para o mundo e eles viajaram o mundo: em um tempo em que era muito difícil viajar eles se aventuraram pela Rússia e Mongólia, entre muitos outros países. Viajantes de alma, eu me atreveria a dizer!

Jorge, através de seus livros se mostrou e nos mostrou. Imortalizou a Bahia. Mia Couto em recente palestra em Salvador disse que na Casa do Rio Vermelho encontrou a Bahia que guardava em seu coração, descoberta através das historias e personagens que Amado conheceu, construiu, criou, imaginou.

Se for de paz pode entrar, pois Jorge e Zélia estão a nos esperar

Se for de paz pode entrar

Amantes e amores

Se for de paz pode entrar

Eu sou da paz, por isso entrei

Se for de paz pode entrar

Nosso patrimônio, nossa história

Quando eu soube que a casa do Rio Vermelho seria aberta ao público, depois de 11 anos fechada e meio abandonada, eu fiquei muito feliz. Jorge e Zélia são patrimônios nossos: da Bahia, do Brasil e do mundo. Seus livros contam a nossa história, falam de nossa gente.

Fiquei mais feliz ainda quando vi turistas de diversas partes, incluindo estrangeiros, em uma deliciosa babilônia de sotaques. Sentei um momento para observa-los e o que eu vi nos olhos de todos foi admiração por aquele lugar tão especial.

Não existe um roteiro para percorrer a casa: ela é interativa, com algumas informações em inglês, mas há monitores muito simpáticos e disponíveis para tirar as nossas dúvidas e responder a quaisquer perguntas que tenhamos.

Eu sou de paz, por isso entrei!

Venha comigo conhecer outro lugar interessante de Salvador:

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Se for de Paz pode entrar: a casa dos escritores Jorge e Zélia em Salvador está aberta à visitação e é bárbara!

By | 2017-07-04T10:34:54+00:00 04/07/2017|Categories: Salvador|Tags: |2 Comments

2 Comments

  1. ARNALDO DOMINGOS GATTAI. 08/07/2017 at 11:59 - Reply

    ESTIVE NESSA CASA EM 1970 se não me engono mais certo quando eles JORGE e ZÉLIA ESTAVAM COM A VISITA DO CANTOR HARRY BELAFONTE ACONSELHO TODOS AMIGOS QUE LER ESTE DEPOIMENTO INDO A SAVADOR NÂO DEIXAR DE IR FAZER UMA VISITA A CASA DO RIO VERMELHO

    • Analuiza Carvalho 08/07/2017 at 12:49 - Reply

      Arnaldo… que privilégio visitar esta belíssima casa ainda na década de 70! Que privilégio poder estar com estes escritores atemporais, nosso patrimônio, nossa história! Você tem toda razão: quem estiver de visita à Salvador não deve deixar de visitar a Casa do Rio Vermelho, uma das preciosidades dessa Bahia.

Me diga alguma coisa!