RIQUEZA e Poder no CASTELO Nijo-jo

Saímos do esplêndido e inacreditável Kinkaku-ji e chegamos ao Castelo Nijo-jo (二条城), ambos na cidade de Quioto. O Nijo-jo é uma construção do século XVII, mais novo, portanto, que o Pavilhão Dourado. Foi criado como símbolo de riqueza e poder pelo xogum Tokugawa.

O Castelo Nijo-jo abriga dois palácios: Honmaru e Ninomaru e ainda possui fosso e muralha de pedra. Exatamente o tipo de lugar em que gosto de deambular e divagar, pois frequentemente me tira o chão e me coloca em um mundo paralelo.

É um lugar interessantíssimo e nos permite livre acesso às diversas partes externas dessa grande formação, incluindo ainda o interior do Palácio Ninomaru nos proporcionando um passeio por delicados e ricos detalhes distante de qualquer luxo estridente, apesar de simbolizar o poder do xogunato. Levamos cerca de duas horas passeando pelo Nijo-jo.

A história do Castelo Nijo-jo é longa e com muitas minudências e segredos inacessíveis aos visitantes.

Visite comigo o fabuloso Kinkaku-ji:

+ O Pavilhão Dourado

Do Kinkaku-ji até o Castelo Nijo-jo

No Pavilhão Dourado nós pegamos o busão de número 12 até a parada Nijo-jo-mae. Ele estava lotado!

Veja como adquirir bilhetes de ônibus em Quioto:

+Andando de ônibus em Quioto

Os samurais

Entrada principal do Castelo Nijo-jo: posto dos samurais localizado à esquerda

Castelo Nijo-jo

A guarda de Samurais do Castelo Nijo-jo

Castelo Nijo-jo

Posto dos Samurais visto do interior do Castelo Nijo-jo

O Castelo Nijo-jo era guardado pelos samurais, que formavam a guarda do castelo. O posto dos samurais ficava localizado do lado de fora do portão principal, ao lado leste e por isso é também chamado de Ninomaru Higashi-otemon. O edifício dos samurais foi construído no século XVII.

O castelo era guardado por dois grupos de 50 samurais cada, que se revezavam e eram trocados a cada primavera. Eram conhecidos como Nijo Zaiban.

Ainda que apenas diante de representações, foi muito forte e emocional para mim estar face a face com os samurais. Eles povoaram sempre meu vasto mundo imaginário como sinônimos de honra e dignidade, coragem, disciplina e justiça, códigos de conduta que desde sempre me encantaram. São quase como seres místicos.

Palácio Ninomaru

Castelo Nijo-jo

Palácio Ninomaru

A passarmos pelo portão principal do Nijo-jo nos vemos diante de um imponente portão, com detalhes em folhas de ouro e madeira. É o Karamon, a entrada do Palácio Ninomaru, construído no estilo yotsu-ashi tradicionalmente usado em portões muito importantes.

Os palácios japoneses que eu visitei, embora tenham sido singulares e surpreendentes, muito em acordo com a cultura arquitetônica local, e justamente por esta razão, em absolutamente nada se pareciam com os inúmeros castelos e palácios que já vi por aí.

Eles parecem simples e triviais a um primeiro olhar, mas em verdade, eles são extraordinários, onde o peso maior de sua beleza está na quantidade de pequenos detalhes e na delicadeza dos mesmos.

Castelo Nijo-jo

Karamon – entrada do Palácio Ninomaru

Esta foi uma das primeiras lições que aprendi no Japão: tudo tem um significado e nada é jogado ao acaso. Talvez daí venham tanta delicadeza em quase tudo o que vi em meus dias no país.

Castelo Nijo-jo

Entrando no Palácio Ninomaru

O Palácio Ninomaru é formado por 6 sessões, todas interligadas, que acessamos após passarmos pelo portão da mansão (em tradução livre e não literal):

  • Kurumayose (entrada);
  • Tozamurai (casa de guarda, dos samurais);
  • Shikidai (sala de recepção e trabalho);
  • Ohiroma (grande salão, utilizado pelo xogum para reuniões com os senhores feudais – daimyo);
  • Sotetsu-no-ma (corredor de conexão, com piso de madeira);
  • Kuro -Shoin (uma sala pintada com laca preta, câmara de audiência interna do pessoal do xogum);
  • Shiro-Shoin (a sala de estar e dormitório do xogum, seu lar).

Todas estas estruturas foram feitas à imagem e semelhança de uma casa de samurai do período de Momoyama (1573-1603), sendo 3.300 metros, o total de área construída, dividida em 33 quartos e mais de 800 tatames.

O interior do Palácio Ninomaru

Castelo Nijo-jo

Sapatos próprios para entrar no Palácio Ninomaru

Os ambientes internos do Palácio Ninomaru, dispostos em um único andar, possuem akarishoji, telas de papel fino que tem por objetivo deixar entrar mais luz e fusuma, portas de correr deslizantes. Encontramos ainda belas pinturas como Oukakijizu (faisão sob a ilustração de flores de cerejeira).

As pinturas japonesas me encantam pela delicadeza, mas, sobretudo por sua elegância e força.

O Ninomaru foi o primeiro palácio que entramos e ele me surpreendeu em tudo. Podemos fazer uma visita pelos corredores que nos levam por alguns ambientes. É tudo muito simples e por isso mesmo, grandioso.

O canto do rouxinol

Vamos caminhando e o piso faz um barulho de rouxinol. Foi construído desta maneira para avisar quando alguém chegava e assim prevenir os moradores de possíveis intrusos.

Delicadas pinturas ornam algumas paredes fornecendo vida àqueles recintos. Eu gosto muito do pouco que conheço da arte japonesa.

Um dos espaços mais legais é o Ohiroma, onde os senhores feudais, em representações em tamanho natural, estão ajoelhados reverenciando o xogum. Através do Palácio Ninomaru acessamos um pouco do funcionamento da vida naqueles tempos em terras japonesas.

Confesso que a cada passo eu me emocionava e me arrepiava, embora nem tudo eu conseguisse entender.

Infelizmente não foi permitido tirar fotos. Tampouco pudemos entrar de sapatos, sendo necessário usar calçados próprios fornecidos na entrada do Ninomaru.

Ninomaru Teien: os jardins do Palácio Ninomaru

Castelo Nijo-jo

Ninomaru – jardins

Castelo Nijo-jo

Jardins do Ninomaru

Castelo Nijo-jo

Ninomaru e seus detalhes – Cycads na palha do arroz no jardim

Depois de passear e me encantar pelo interior do Palácio Ninomaru, foi a vez de passear pelos jardins – Ninomaru Teien. Pequeno, mas parecia desenhado à mão, onde lagoas, pontes e pedras de formatos variados, além de plantas diversas, cada uma mais bonita que outra, formavam um belo cenário.

Até me arriscaria a dizer que todo aquele conjunto tinha um caráter divino. Se eu acreditasse em céu, os jardins seriam mais ou menos daquele jeito.

Palácio Honmaru

À época de sua construção o Palácio Honmaru possuía as mesmas dimensões que o Palácio Ninomaru. Entretanto, foi consumido pelo fogo em duas ocasiões, causando danos muito sérios.

Castelo Nijo-jo

Palácio Honmaru

Um desses incêndios ocorreu em 1750, quando a torre de cinco andares foi engolida pelas chamas e outro em 1788 no grande incêndio de Kyoto.

Castelo Nijo-jo

Entrada para o Palácio Honmaru: fosso e ponte

Castelo Nijo-jo

Palácio Honmaru

Cercado por um fosso interno, o que vemos hoje é o antigo Palácio Katsura-no-miya, transferido para cá no século XIX.  Nós não podemos entrar no Honmaru, apenas olhar sua área externa.

Em 1928, o banquete de coroação do Imperador Hirohito foi realizado aqui (1901 – 1989, 124° imperador japonês, que estava no poder durante a Segunda Guerra Mundial).

A Torre de Menagem

Castelo Nijo-jo

Vista da Torre de Menagem – Palácio Honmaru

Castelo Nijo-jo

Fosso do Palácio Honmaru

Além dos palácios, o Castelo Nijo-jo tem muitos elementos que datam de épocas diversas, entre eles a Torre de Menagem, destruída por incêndios e deslocamentos de edifícios, restando apenas sua base que tornou-se um miradouro de responsabilidade que nos oferece linda vista do Palácio Honmaru, do fosso, dos prédios e das montanhas de Kyoto.

É uma paisagem das mais bonitas e não cansa a vista e muito menos a alma. Perdi-me naquele cenário, uma felicidade estranha inundando todas as mínimas fissuras de meu espírito. Eu acredito que com o passar do tempo, dos anos, a alma se calcifica, se enrijece. Diante do Palácio Honmaru, foi como se um novo frescor invadisse espaços já pouco perceptíveis, flexibilizando um pouco o coração e os sentimentos.

É como renovar os votos, as esperanças e promessas diante da vida.

Eu fiquei verdadeiramente encantada com os jardins do Palácio Ninomaru, mas o que vi depois da Torre de Menagem não pode ter sido desenhado por mãos humanas.

Conheça um pouco mais sobre Torre de Megagem:

+O Castelo de Guimarães

Os jardins do Castelo Nijo-jo

Assim, como a comida japonesa no Japão é diferente da comida japonesa feita no ocidente, os jardins japoneses encontrados no Japão apenas lembram vagamente os que já visitei dos lados de cá do planeta.

Os daqui parecem imitações menores e pálidas dos vívidos e sofisticados jardins que encontrei na terra do sol nascente, com tanta riqueza de detalhes e pormenores que me absorvia por completo e despertava toda a minha capacidade sensorial. Eu era só sentido e não mais pensamento ao caminhar entre os jardins do Castelo Nijo-jo.

Castelo Nijo-jo

Palácio Honmaru – ponte sobre fosso

Acho, que de todos os lugares que visitei no Japão, os jardins do Castelo Nijo-jo foram os mais bonitos que encontrei. São inspiradores. Estar neles foi como  voltar para dentro de mim mesma e lembrar que sou alma e que meu corpo é só uma casca, um meio, um caminho e não o fim.

Muitas e variadas espécies de plantas, incluindo cerejeiras (em floração de março até abril), e outras árvores com cores vibrantes e brilhos formavam encantadora paisagem. Um caminho bem cuidado nos levava por dentro deste belo cenário, nos colocando como parte integrante do todo.

Caminhamos muito por ele. Eu quis sentir o frio e por isso tirei as luvas. Para ser mais precisa, eu queria sentir, apenas sentir e me permiti, sem reservas. Então, naturalmente, imersa em uma temperatura de menos de 5°, minhas mãos congelaram, sem que eu me desse conta.

Banheiro ocidental

Castelo Nijo-jo

Banheiro estilo ocidental

Então, para a minha felicidade ser completa e absoluta, eu me deparo com esta imagem: banheiro em estilo ocidental, diferente do buraco no chão que encontrei no Kinkaku-ji.

Horário de Funcionamento:

Das 8:45 am até às 4pm (o castelo fecha às 5pm)  e para entrar no  Palácio Ninomaru: das 9am às 4pm;

Fecha de 26 de Dezembro a 4 de Janeiro e toda terça de Janeiro, Julho, Agosto e Dezembro, sendo que quando a terça for um feriado, o castelo será fechado no dia seguinte.

Os bilhetes custam ¥600

Como chegar:

Ônibus 9 da Estação de trem de Quioto até a parada Nijo-jo-mae ou de número 12 no Kinkaku-ji, até a mesma parada.

Você pode salvar este texto em seu Pinterest:

O Castelo Nijo-jo em Quioto é um dos mais interessantes da cidade e possui os mais belos e coloridos jardins

By |2018-03-07T01:06:40+00:0010/07/2017|Categories: Quioto|Tags: |14 Comentários

14 Comments

  1. 1001dicasdeviagem 10/07/2017 em 13:00 - Responder

    Que lugar sensacional! Eu ia gostar muito de conhecer tudo isso pessoalmente. Lindíssimo. Mas fala sério essa placa de banheiro hauihauihua.. Tem coisas que são internacionais, tipo o desenho do homem ou da mulher, não precisavam ser diferentes até nisso né haihaiuhauihu

    • Analuiza Carvalho 10/07/2017 em 14:37 - Responder

      o Nijo-jo de fato é muito bacana!!!

      Tem coisas que são mesmo universais né?! Alguma coisa tinha que ser no Japão, já que nada mais é. 🙂

  2. Klécia Cassemiro 10/07/2017 em 20:46 - Responder

    Que lugar fabuloso, Ana! De fato nos coloca num mundo paralelo! Eu fiquei encantada nos detalhes, que são tantos! Aquela escultura enorme e de forma estranha nos jardins, que parece de palha, me deixaria parada em frente um bom tempo, tentando decifra-la… E um segredo: tenho obsessão por lugares que temos que tirar/botar outro calçado para entrar: me dá sempre a sensação de estar num lugar tão maravilhoso que até o chão precisa ser preservado! 🙂

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:44 - Responder

      De fato, Klécia, pode dizer isso mesmo sobre o Nijo-jo: fabuloso! Um dos lugares que mais me encantaram em Quioto. É sim, feito de palha de arroz e ela forma um efeito curioso e distinto no jardim.

      Descifrar é um verbo que se aplica ao Japão! Aqui eu tive que aprender que nem tudo conseguiria entender e isso foi duro, mas foi um grande aprendizado também, pois desenvolvi outros sentidos. rsrsr

      Então o Japão é seu país pois muitos lugares, e não só os templos, não permitem que entremos de sapatos. Por isso, eu dou duas dicas: sapatos fáceis de tirar e colocar e meias bonitas, o que não é caso de minha horrível meia marrom da foto. rsrsrsrsr Foi no japão que comecei a desenvolver gosto por meias bonitas. rsrsrsr beijuuususss P.S. Mega curiosa em ler suas narrativas de quando você visitar este país! Serão intensas e lindas com certeza.

  3. Douglas 11/07/2017 em 11:20 - Responder

    Parece fantástico mesmo, achei os palácios lindos. Ainda não conheço o Japão, mas tenho ficado com bastante vontade de ir. Bom completo o post! Obrigado pelas dicas!

    • Analuiza Carvalho 11/07/2017 em 11:25 - Responder

      oi Douglas… Muito obrigado. Que bom que você gostou! O Japão é mesmo um país incrível, especialmente para nós, pois as culturas são muito diferentes. 🙂

  4. Ah, Quioto… Eu amei essa cidade e o Castelo também! Em nossa visita, tivemos a companhia de uma guia voluntária que se ofereceu para nos explicar tudo. Foi interessante! Uma pena que foi tão corrido e acabei de ver pelas suas fotos e relato que não vi tudo que tinha lá, uma pena! Ainda bem que vcs aproveitaram bem o passeio! As explicações estão ótimas, eu nem me lembrava mais de alguns detalhes! hehehe Beijo grande e obrigada por compartilhar 🙂

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:48 - Responder

      oi Pollyane… Eu fico muito, muito feliz de ter te levado de volta ao Nijo-jo, este lugar tão incrível.

      Guias tem seus lados positivos e negativos. Muitas vezes eles nos fornecem informações preciosas que não estão facilmente disponíveis. Por outro lado, por causa do tempo, geralmente eles fazem um resumão do lugar! Eu prefiro, na maior parte do tempo, ir por minha conta apenas porque sou lenta nas minhas caminhadas e observações. rsrsrsr

      E Quioto é mesmo uma cidade ótima que eu adorei conhecer! 🙂 bjus

  5. rozembergue 11/07/2017 em 14:20 - Responder

    Que lugares fantásticos. Lindo demais! Sou doido para conhecer. Quem sabe um dia.

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:27 - Responder

      oi Rozembergue! Na torcida para que este dia seja breve e que você possa visitar e descobrir as riquezas, belezas e delicadezas japonesas.

  6. viajarcorrendo 11/07/2017 em 15:09 - Responder

    Oi Analuiza!!! Vários pontos a serem comentados neste momento, he he he… Primeiro: o lugar é realmente lindo, né? Eu amo um jardim japonês… Fiquei encantada com as fotos… Achei um máximo a questão de o piso fazer um barulho de rouxinol para avisar quando alguém chegava. Apesar de ser em virtude da segurança, acho que morreria de medo de viver em um lugar assim, ha ha ha ha… E que alívio achar um banheiro no estilo ocidental. Eu passei por esses dramas quando viajei de ônibus pelo interior da Turquia. Os banheiros das paradas eram o buraco no chão. Sofrido!!!!
    Parabéns pelo post!
    Um super beijo.
    Carolina

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:26 - Responder

      oi Carol… Opa, viajar de ônibus pelo interior da Turquia?! Curti isso aí hein?! 🙂

      Pois é, menina, eu achei o Nijo-jo um dos lugares mais interessantes de Quioto! Gostei de tudo nele! O piso rouxinol é um negócio curioso de se andar. Imagine um intruso em uma noite silenciosa… rsrsr

      Os jardins japoneses no Japão são extraordinários. Se você ama, vai enlouquecer com eles. Principalmente se for na época da florada das cerejeiras que dizem ser um troço maravilhoso! 🙂 bjus

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