Praça da OLIVEIRA e suas HISTÓRIAS:

O Museu de Alberto Sampaio

Estava ansiosa por explorar Guimarães, por conta de toda a sua antiguidade e importância histórica para este belo país pela qual já estava totalmente apaixonada. Assim, que começamos de conhecer suas entranhas através da Praça da Oliveira e suas histórias.

Atravessamos o Largo do Toural em direção ao Museu de Alberto Sampaio, o acessando pela Rua Rainha Dona Maria II, virando à direita na Rua Alfredo Guimarães. Por aqui nós começamos a explorar a mui antiga Vila de Guimarães.

O Museu de Alberto Sampaio situa-se em um local onde, no século X, a Condessa Mumadona Dias fundou um mosteiro consagrado a São Mamede (Mosteiro de São Mamede ou Mosteiro de Guimarães).

No seu entorno começaram a surgir agrupamentos de pessoas, que passaram a viver ali.

Alguns anos depois a Condessa, com intuito de proteger o mosteiro e sua gente, ordenou a construção do Castelo de Guimarães, em uma colina, mais acima do Mosteiro. Assim, nascia a Vila de Guimarães.

O museu abriga principalmente os bens e arte sacra e eclesiástica oriundas das igrejas e mosteiros de Guimarães e de outras cidades da região. São mais de 2.000 objetos incluindo pinturas, esculturas e têxteis dentre outros.

O custo para entrar é de 3 euros, sendo gratuito em todo primeiro domingo do mês. Funciona de terça-feira a domingo das 10:00 até às 18:00.

Disse José Saramago sobre o Museu de Alberto Sampaio em Viagem a Portugal:

“(…) declara já o viajante que este é um dos mais belos museus que conhece. Outros terão riqueza maior, espécies mais famosas, ornamentos de linhagem superior: o Museu de Alberto Sampaio tem um equilíbrio perfeito entre o que guarda e o envolvimento espacial e arquitectónico (…) Este museu merece todas as visitas, e o visitante faz jura de cá voltar de todas as vezes que em Guimarães estiver

Igreja de Nossa Senhora da Oliveira

Praça da Oliveira e suas histórias

A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira

Contornamos o Museu de Alberto Sampaio para a esquerda e chegamos à Praça da Oliveira, cuja presença de uma oliveira batiza a praça.

Aqui está situada a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, cujas origens também estão no século X, onde antes estava o Mosteiro. A igreja, junto com a praça, formava o coração da vila.

No século XIV D. João I manda reedifica-la como agradecimento e gratidão a Nossa Senhora da Oliveira por ter vencido a batalha de Aljubarrota contra oscastellanos, transformando o local em centro de peregrinação dos seus devotos.

Junto à entrada da igreja, na parede, está o brasão de armas de D. João I carregado por anjos. A torre contígua à igreja, que possui características manuelinas, foi construída no século XVI.

A Igreja possui diversos estilos, pois os reis foram imprimindo suas marcas ao longo dos seus reinados, mas o que vemos hoje é uma pequenina e linda igreja, intimista, acolhedora, aconchegante, com seu interior predominantemente em pedra.

Quando a visitamos, em um sábado, estava acontecendo no claustro uma feirinha com produtos orgânicos e produzidos artesanalmente formando um interessante contraste com cara de pretérito entre a igreja, os pães e geleias: cores, sons e aromas. Presente e futuro. Tradições. Alma e corpo.

A Torre da Igreja

Praça da Oliveira e suas histórias

A Torre

Praça da Oliveira e suas histórias

Capela de São Nicolau

A Torre anexa data de 1513, é dividida em três andares separados por frisos além de ser onipresente na Praça, se destacando completamente sobre o baixo casario. Carrega detalhes manuelinos, facilmente avistados na extremidade superior.

Além disso, em sua fachada encontramos um relógio que data do século XVIII e um sino, símbolo frequentemente encontrados nas igrejas católicas. O conjunto funciona lindamente.

Próximo a ela encontramos a Capela de São Nicolau construída em 1662, dedicada ao santo protetor dos estudantes. Estar em meio a tanta antiguidade, sentindo o ritmo colorido marcado pelos turistas e restaurantes presentes no entorno, imaginando vidas vividas e mortes morridas naquele lugar teve um peso enorme em meu espírito.

A Oliveira e a lenda

Praça da Oliveira e suas histórias

Padrão do Salado com a Igreja e Torre ao fundo

Praça da Oliveira e suas histórias

A famosa oliveira

Em frente à igreja está a oliveira, cheia de folhas: acredite, ela é famosa e sua fama atravessou os tempos. E te digo: há razão de ser, como perceberás logo mais! Convizinho a ela encontramos uma estrutura de pedra, o Padrão do Salado, onde estão gravadas três datas.

A primeira nos leva diretamente para o ano de 1342, quando o milagre envolvendo a Oliveira aconteceu. A segunda data nos posiciona no ano de 1870, quando a Oliveira foi retirada da praça por decisão da Câmara Municipal e por fim, chegamos em 1985 quando a Oliveira voltou ao seu lugar de origem, onde permanece até hoje.

A lenda que envolve a Oliveira dá conta de que ela estava murcha e voltou a dar folhas. Foi mais ou menos assim que tudo aconteceu: muito e muito tempo atrás uma oliveira foi plantada em frente à Igreja.

Era com o azeite produzido com os frutos da tal oliveira que Santa Maria de Guimarães, que estava no interior do templo, era iluminada. A árvore, entretanto, um dia, simplesmente, sem aviso nem nada, secou.

No ano de 1342, o comerciante Pero Esteves ofereceu uma cruz que foi colocada por baixo do Padrão do Salado, e assim, a oliveira voltou a se encher de folhas e a dar frutos.

O milagre rapidamente se espalhou, alcançando nosso século, e consequentemente nossos ouvidos aguçados, e a praça passou a chamar-se Praça da Oliveira.

Um curioso castigo

Praça da Oliveira e suas histórias

Antigo Paço do Concelho

Praça da Oliveira e suas histórias

As belas casas da Praça da Oliveira

Na Praça da Oliveira encontramos ainda o belo edifício dos antigos Paços do Concelho, assentado sobre arcos que carrega na fachada a escultura de um guerreiro de duas caras que os vimaranenses (aqueles sortudos que nascem na bela Guimarães) passaram a chama-lo de “o Guimarães”.

Não posso esquecer de forma alguma de mencionar no belo e antigo casario que orna as margens da praça. Eles são lindos, cheios de bossa e de vida e eu confesso que muitos deles me pareceram terem sido criados por seres encantados, advindos desses mundos mágicos, sabe?!

Por fim, quero contar outra história que fiquei conhecendo nesta minha visita à Guimarães a respeito de um curioso castigo que acontecia aqui todos os anos, nas vésperas das festas da câmara de Guimarães (Páscoa, Espírito Santo, Corpo de Deus, São João, Santa Isabel, Domingo do Advento e Nossa Senhora de Agosto) a mando de D. João I.

Os homens, moradores das freguesias de Cunha e de Ruilhe eram obrigados a varrer a Praça, o Padrão e os açougues de barrete vermelho na cabeça, banda vermelha no ombro, espada à cinta, um pé calçado e outro descalço com vassouras de giesta (arbusto aromático) que traziam de suas casas.

O castigo deu-se, ao que parece, por conta da frouxidão dos moradores dessa freguesia que teriam fugido com medo de um confronto com os Mouros, cujo posto abandonado foi ocupado por valorosos homens de Guimarães e seu amor à pátria. Somente no século XVIII, por ordem de D. João V, a punição foi suspensa.

Vamos continuar explorando esta bela cidade? Então vem com a gente até a Praça de Santiago:

By |2018-03-07T00:56:21+00:0015/04/2017|Categories: Guimarães|Tags: , , , |7 Comentários

7 Comments

  1. […] local onde hoje está situado o Museu de Alberto Sampaio, a Condessa Mumadona Dias, dama muito rica e poderosa em seu tempo, mandou edificar um mosteiro em […]

  2. […] muralha que defendia Guimarães. Ela me deu a nítida sensação de estar entrando realmente na Vila de Baixo. Os Largos do Centro Histórico desta linda cidade são mesmo dignos de muita consideração de […]

  3. Klécia Cassemiro 30/06/2017 em 17:13 - Responder

    Só pela citação de Saramago sobre o museu, eu já me sinto na obrigação de conhece-lo! EU me sinto quase transportada a Portugal em cada uma dessas suas histórias. E o melhor, me sinto em casa! É como chegar num velho amigo, sentar para um café e rir das velhas historias. Você conta historias como ninguém, Ana. E olha que gosto dos seus textos sobre todos os lugares, mas sobre Portugal, é tudo diferente. É como se houvesse mesmo essa identificação. Se você escrever um livro sobre seus sentimentos por Portugal – real ou ficção, me avise que compro! :)​

    • Analuiza Carvalho 30/06/2017 em 17:41 - Responder

      Eu também adoro Saramago! Tive crises de riso lendo A viagem do Elefante! Parecia uma doida! rsrsrs

      Vou me mudar para Portugal e escrever um livro sobre o meu caso de amor pelo país! Mas eu acho que é mais ou menos isso que você captou: um voltar para casa, um sentir confortável, um reencontro… Foi fácil para mim estar lá, falar com as pessoas… Foi mesmo como se não tivesse sido a primeira visita. Acho que por conta desses sentimentos e emoções os textos têm saído assim, mais intensos, talvez! 🙂 Afinal a gente é o que escreve. Ou escreve o que é?! Não sei! 🙂 bjuuuss

  4. […] Já namoramos essa praça o suficiente?! Nunca é, mas está na hora de seguirmos em frente para sabermos mais de Guimarães. Dê, pois, uma última olhada na Praça de Santiago e atravessemos os arcos do antigo Paço do Concelho e vamos entrar naquela que talvez seja a mais simbólica praça da cidade: a Praça da Oliveira. […]

  5. […] origem medieval, a Rua de Santa Maria ligava a Vila de Baixo, onde estava situado o Mosteiro edificado por ordem da Condessa Mumadona, uma dama poderosa em sua época, e a Vila de Cima onde […]

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