O PALÁCIO Nacional de SINTRA: séculos de HISTÓRIA

O Palácio Nacional de Sintra é intimista, de fisionomia discreta e formato curioso com suas singulares chaminés idênticas se destacando no conjunto. Seu interior é uma narrativa deliciosa do passado de Sintra.

O Palácio da Vila, como também é conhecido, apesar de possuir aparência singela, não passa despercebida pelos inúmeros visitantes que chegam à cidade todos os dias, uma vez que está localizado bem no centro da vila.

O Palácio Nacional de Sintra foi o último monumento que visitamos na cidade com o bilhete combinado.


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A história do palácio

Palácio Nacional de Sintra

Palácio Nacional de Sintra: aparência exterior

Palácio Nacional de Sintra

O Palácio Nacional de Sintra com suas singulares chaminés idênticas

A história do Palácio da Vila é longa. Tem origem moura sendo referenciado já no século XI. Depois que passou para o domínio português com a Reconquista sofreu diversas e variadas intervenções.

A primeira no século XIII, sob o reinado de D. Diniz. Em seguida, o palácio foi ampliado por D. João I no século XV e por fim D. Manuel deixou sua marca e seu estilo manuelino.

Todavia, a aparência que vemos hoje do Palácio Nacional de Sintra vem desde o século XVI. Um velho senhor muito bem conservado, atraente, com roupas tão antigas e aristocráticas que nada deixa à nossa imaginação.

Antigamente, muito antigamente, o Palácio Nacional de Sintra era cercado por muros e tinha um portão de acesso; não era, de maneira alguma, tão exposto quanto hoje.

Por estar localizado na vila este é monumento de Sintra de mais fácil acesso.

O interior do palácio

Palácio Nacional de Sintra

Entrando no Palácio Nacional de Sintra para começar a ouvir as narrativas

Interior do Palácio Nacional de Sintra

O interior do Paço da Vila, entretanto, nega totalmente a simplicidade de sua face externa. Sua narração é tão intensa quanto antiga, tão bonita quanto rica, tão detalhista quanto interessante.

Perdi-me em meio à histórias que me contou onde tempo e espaço naqueles momentos se fundiram e eu já não percebia passado e presente como coisas distintas: o tempo uniu-se em um único. Não havia urgência, apenas curiosidade, saber e descobertas.

A mistura dos estilos mouro e manuelino deu potente identidade ao Palácio Nacional, que se não carrega a opulência de alguns de seus pares, possui personalidade que se mostrou extremamente agradável aos meus olhos.

O passar do tempo deu à sua estrutura marcas e traços de séculos distintos, mas sua essência a guarda no século XVI. O Palácio Nacional não deixa muitas lacunas: sua narrativa no geral é segura, transparente, diáfana.

Sala das Pegas

Palácio Nacional de Sintra

Sala das Pegas

Palácio Nacional de Sintra

Deixando a Sala das Pegas

Muitas vidas passaram entre aquelas paredes, impregnando-as de suas dores e alegrias. Claro, o Paço da Vila esconde segredos e histórias. Muitos, provavelmente ficaram pelos longos e árduos caminhos do tempo, mas outros chegaram até nós, como a lenda que envolve a Sala das Pegas.

Descrevem as antigas notícias que a rainha pegou o rei D. João I de chamego com uma de suas damas de companhia. O rei argumentou, dizendo que era um beijo inocente. Contudo, o fato, em tom de fuxico, naturalmente correu o Paço da Vila como se rastilho de pólvora fosse.

D. João então mandou construir uma sala cujo teto está repleto de pegas, ave típica do norte de Portugal, muito “faladeira” que faz sua voz ecoar pelas florestas. Pois bem, na referida sala, as inúmeras aves carregam a frase “por bem” que significaria algo como “Envergonhe-se quem nisto vê malícia”, frase que teria dito à rainha, alegando inocência.

Aqui, há duas vertentes sobre a razão que levou o rei a usar as pegas para ornamentar a sala: uma delas diz que teria sido uma simbologia para que a ave divulgasse por ai sua inculpabilidade e a pureza da donzela com quem chamegava.

A outra, entretanto, mais apimentada, diz que o rei como castigo mandou pintar as pegas como símbolo da tagarelice das outras damas de companhia que fofocaram e alardearam largamente o ocorrido.

Fato é que, em pleno século XXI, as pegas continuam por ali, carregando o “por bem” no bico.

Salas e salões, tetos e piso que contam histórias…

Palácio Nacional de Sintra

Cama do século XVI

Palácio Nacional de Sintra

Detalhes mouriscos do Palácio Nacional de Sintra

São muitos os ambientes que formam o Palácio Nacional de Sintra. Todos eles são artes em si mesmo, expressadas por meio de moveis seculares cheios de detalhes cuidadosos nos talhes, tetos espetaculares e cheios de simbolismo, pisos extraordinários e paredes tão velhas ornadas com azulejos tão antigos que o próprio tempo esqueceu-se deles.

Caminhei em silêncio absoluto e emudecida de êxtase fui escutando tudo o que cada um dos ambientes tinha a me dizer. E disseram muitas coisas!

Cisnes, galés e brasões

Palácio Nacional de Sintra

Sala dos Cisnes – anterior ao século XVI. Cisnes adornam o teto

Palácio Nacional de Sintra

Sala das Galés

Palácio Nacional de Sintra

Salão dos Brasões

Palácio Nacional de Sintra

Azulejos que contam histórias no Salão dos Brasões: galanteios e caça

Palácio Nacional de Sintra

Salão dos Brasões em detalhes

A sala das Galés com seu teto absurdo, em formato de barco invertido, de fins do século XVII e início do XVIII representando diversas embarcações: portuguesas, holandesas e otomanas, as grandes potências marítimas da época.

Para completar toda a magnitude desta sala, encontramos azulejos da mesma época e uma vista privilegiada da Serra de Sintra.

O Salão dos Brasões é extraordinário. Construído sob o reinado de D. Manuel I me fez perder o ar e renascer mil vezes diante daquele lugar de inominável beleza.

O teto de talha dourada ostenta no topo as armas régias rodeadas por 72 brasões de famílias nobres.

Painéis de azulejos com galantes cenas e cenários de caça também de fins do século XVII e início do XVIII completam o maravilhoso cenário. Foi muito difícil seguir em frente!

Prisão e capela

Palácio Nacional de Sintra

Quarto-prisão de D. Afonso VI

Palácio Nacional de Sintra

Capela

Palácio Nacional de Sintra

Quarto de D. João I de influência mourisca

O quarto prisão de D. Afonso VI nos mostra o palco de um pedaço da história portuguesa: o rei ficou preso aqui por 9 anos até falecer, no século XVII, quando seu trono foi usurpado por seu irmão mais novo, sob alegação de incapacidade mental de D. Afonso.

A Capela Palatina, edificada sob o reinado de D. Diniz no século XIV, carrega no piso e no teto um dos mais antigos trabalhos mudéjar do país. Várias pombas carregam no bico ramos de oliveira.

Minha alma a esta altura já flutuava de tanto prazer diante de tão lúcido parecer deste passado real, da qual com imensa felicidade e reverência eu era expectadora.

O quarto de D. João I possui forte influência moura com a fonte situada no centro dele, datando do século XV. Azulejos do século XVI, que estão entre os mais provectos de Portugal, enfeitam e decoram as paredes.

A Gruta dos Banhos

Cenas de uma cozinha

Palácio Nacional de Sintra

As chaminés do Palácio Nacional de Sintra

Pátio central: influência moura

Gruta dos Banhos vista do pátio central

Dentro da Gruta dos Banhos

O pátio central, também carregado de detalhes mouros, a cozinha que sempre consigo visualizar a movimentação intensa dos dias que em vivia fumegante, cheia de vida, olor e sabor, suor, lágrimas e risos.

Muito, muito antigamente ela ficava separada do resto da casa e a configuração atual se deve a D. Diniz, no século XV. Está configurada para executar grandes banquetes de caça. Suas chaminés, com 33 metros de altura, são exemplos únicos.

A última soberana a ocupar o Palácio Nacional de Sintra foi a Rainha Maria Pia, em fins do século XIX, pois na primeira década do século XX seria implantada a República em Portugal. A rainha ofereceu grandiosos jantares a chefes de estado em visita ao país.

No pátio principal está a sensacional Gruta dos Banhos, com maravilhosos azulejos que retratam a criação do mundo ladeada pelas estações do ano.

Pequenos, e quase imperceptíveis, orifícios nas paredes permitem a saída de água em repuxos cruzados. Um luxo!

Os jardins

Palácio Nacional de Sintra

Os jardins do Palácio Nacional de Sintra

Palácio Nacional de Sintra

Vista da Vila de Sintra e do Castelo dos Mouros no alto da Serra

Palácio Nacional de Sintra

Magnífica vista do Castelo dos Mouros desde o Palácio Nacional de Sintra

O Palácio Nacional de Sintra não carrega a natureza encantada, a alma mágica de seus congêneres na cidade. Ele é mais real, mais sólido.

Num primeiro momento, pode parecer trivial ou desconectado do mundo em que está inserido, mas este equívoco se desvanece a cada olhar, a cada detalhe.

O Palácio Nacional guarda ainda outra preciosidade: um pequeno e belo jardim, com vista não só para a bela Vila de Sintra como para sua magnífica serra, com o Castelo dos Mouros no alto, absoluto, suas muralhas serpenteando os morros, como se tivesse vida.

Cada ambiente desse lindo palácio é tão único que muitos palácios habitam um só palácio.

Foi deveras emocionante para mim visitar este mundo interior e anterior!

Informações adicionais:

Em todos os ambientes há plaquinhas informativas.

Endereço: Largo Rainha Dona Amélia

Horários: diariamente das 09:30 às 19:00

Palácio Nacional de Sintra

O Palácio Nacional de Sintra e a bela vila

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O Palácio Nacional de Sintra é intimista, de fisionomia discreta e formato curioso com suas chaminés idênticas se destacando no conjunto. Seu interior é uma narrativa do passado de #Sintra #Portugal #viajar #viagem #monumento.

By |2018-03-07T01:05:51+00:0025/10/2017|Categories: Sintra|Tags: , |12 Comentários

12 Comments

  1. Leo Vidal 22/01/2018 em 21:17 - Responder

    Quando fui a Sintra visitei o palácio, mas não achei tão imponente como tinham me dito. É bem bonito, mas acho que a história por trás é o que chama mais atenção.

    • Analuiza Carvalho 22/01/2018 em 21:27 - Responder

      oi Leo… acho que cabem muitos adjetivos ao Palácio Nacional de Sintra, mas acredito que imponente não é um deles. Tem histórias e muitos elementos interessantes e em minha opinião, vale a visita. 🙂

  2. Giulia Sampogna 23/01/2018 em 01:46 - Responder

    Que lugar belo. Amei os detalhes nas paredes, em pensar que milhares de pessoas já viveram aí antigamente e simplesmente caminhavam pelos cômodos tranquilamente.

    • Analuiza Carvalho 23/01/2018 em 08:20 - Responder

      oi Giulia… é mesmo curioso este nosso pensamento né?! Enquanto caminhamos como turistas por lugares como o Palácio Nacional de Sintra, curiosos por seus detalhes de uma vida estranha para nós, ele foi o lugar, a casa de tanta gente. Um dos prazeres de visitar o passado para mim é estabelecer estes paralelos. 🙂 bj

  3. Diego Arena 24/01/2018 em 10:22 - Responder

    Que lindo esse Palácio. Adoro visitar essas construções e ver seus detalhes, como esses azulejos. Incrível também saber a história dele e saber o quanto de gente já viveu ai.

    • Analuiza Carvalho 24/01/2018 em 15:40 - Responder

      Esse olhar para o passado através da arquitetura preservada é maravilhoso né Diego?! Eu adoro, com certeza! Perceber também as diferenças arquitetônicas entre países e cidades… 🙂

  4. Juliana Moreti 24/01/2018 em 12:27 - Responder

    Não entrei no Palácio de Sintra quando estive na cidade. Precisei escolher um dos locais por causa do tempo e achei que a Regaleira fosse uma melhor pedida.
    Olhando tuas fotos, me parece um prédio bem interessante, e o mais curioso é que ele foge daquela pompa que me deslumbra nos palácios italianos e alemães..
    Vc foi no Castelo dos Mouros?

    • Analuiza Carvalho 24/01/2018 em 16:32 - Responder

      oi Ju… duras escolhas temos que fazer nós viajantes. Eu passei duas noites em Sintra e acredite: foi muito pouco tempo! Sim, o Palácio Nacional é um lugar interessante não só por conta de sua estrutura incomum para um palácio como pelas histórias que abriga.

      A Quinta da Regaleira foi uma escolha acertada! Aquele lugar é mesmo mágico, encantado! Brincou com as fadas e duendes?! Quando a visitei os Elfos também andavam por lá, em visita! 🙂

      Visitei o Castelo dos Mouros sim, e achei outro dos magníficos lugares de Sintra, uma das mais adoráveis cidades que já visitei. 🙂 bjus

  5. Ana Coutinho 26/01/2018 em 17:42 - Responder

    Que lindo! Eu amo visitar palácios e casas antigas exatamente por poder ver de perto e fantasiar o modo de vida, tradições e histórias vividas nesses lugares. Quando fui a Sintra não visitei esse Palácio mas da pra ver que tem uma história de peso em cada canto. Parabéns pelo belo post 🙂

  6. Inês Fontes 01/04/2018 em 22:04 - Responder

    Tenho lembranças maravilhosas do Palácio da Penna. Amei a arquitetura,a beleza e a riqueza dos detalhes, o mobiliário então… fantástico! Foi uma visita encantadora do início os fim.

    • Analuiza Carvalho 14/04/2018 em 08:25 - Responder

      oi Inês… Sintra é mesmo uma cidade encantadora e tenho as melhores lembranças de lá. Tanto o Palácio da Pena quanto o Palácio Nacional são interessantes e afinal, contam um pedaço da historia de Sintra e claro, de Portugal! 🙂 bjinhos

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