El Cuaderno de Maya de Isabel Allende

O Caderno de Maya da escritora Isabel Allende é vigoroso, apaixonante, envolvente. Marcante! Uma história interessante que acompanha a trajetória de Maya, a personagem principal do livro. Complexa, ela vai escrevendo em seu caderno, revivendo suas experiências, alternando passado e presente.

Escolhas erradas, impensadas, impulsivas a levaram a experiências duras, ásperas, onde ela entregou sua dignidade, perdeu sua humanidade, feriu e duramente machucou a si mesma. Renasceu dos mortos, se reconciliou com o mundo, com suas pessoas, consigo mesma.

De Berkeley para Chiloé

Aeroporto de São Francisco, Califórnia. Maya se despede de sua avó. Ela está fugindo do país porque fez inimigos cruéis. Além disso, tem que prestar contas ao FBI, mas ela não pode. Tão logo é possível, a menina pega um voo e segue para aquele fim de mundo: Chiloé, no Chile.

Ali, inesperadamente, Maya começa seu reencontro consigo mesma. Um resgate, mas também um renascimento.

A história

Criada em Berkley, Califórnia por seus avós – Nini e Popo – Maya se desestrutura completamente quando o avô falece. Ela tem um amor tão intenso e profundo por ele, seu porto seguro, que não consegue lidar com sua morte.

Entre aventuras e desventuras, ela vai parar em Las Vegas. A sequência dos fatos a partir daí doeu em Maya, doeu em mim. Quando eu pensava que ela tinha decaído bastante, que já não tinha como se aviltar em nenhum outro sentido, ela se entranhava ainda mais na escuridão.

Maya foi submergindo intensamente naquele mundo encardido, indecente, desumano. Bárbaro e impiedoso. Ela quase, quase, quase deixou de existir.

Será que por um tempo, não parou de fato de ser humana?! De estar entre os vivos?!

Maya sofreu e me fez sofrer

Salvamento e fuga: de Nini, de Maya

Maya conseguiu escapulir daquele mundo absurdo. Foi salva, resgatada. Então, fugiu.

Se refugiou na Ilha de Chiloé, sul do Chile. O país, a terra natal de sua avó paterna e de seu pai. Nini, chegou aos Estados Unidos por amor a Popo, seu segundo marido, avô de Maya de coração. Aquele homem imponente era o mundo, o abrigo, o ancoradouro, o coração das duas mulheres.

Nini, chegou primeiro ao Canadá, exilada, fugindo do golpe de Pinochet, na década de 1970, que encheu o Chile de terror e sangue. De cheiro de morte. Ela conseguiu escapar depois que seu primeiro marido sumiu, como tantos e tantos e tantos e tantos homens e mulheres naqueles dias.

Muitos não sobreviveram. A maioria foi duramente torturada.

Nini chegou ao Canadá com seu filho Andrés e ali conheceu Popo: foi um encontro de almas, segundo ela afirmou a vida inteira.

Em Chiloé…

No Chile, Maya é acolhida em Chiloé por Manuel Arias, amigo de sua avó. Naquele fim de mundo, a menina encontra um novo lar. Começa seu processo de cura e de solucionar os seus mistérios internos. Maya se percebe feliz.

Ali, onde nada acontece, em que o passado tem força, os fantasmas vivem entre os vivos, as ervas valem mais que os remédios convencionais, o tempo se desloca em compasso próprio, moroso. Nesse lugar onde a natureza é personagem e dita o ritmo da vida.

O Caderno de Maya

Escrevendo em seu caderno, as lembranças vão vindo à tona, o presente entra em perspectiva e as coisas vão mudando. Maya vai se transformando. Continua tensa e intensa, mas encontra consolo, o caminho lento da maturidade, do bom senso, das escolhas salutares.

Maya vai aprendendo a se acolher.

A narrativa de Isabel Allende em O Caderno de Maya

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura

A história de Maya tem força

Allende, através de Maya, nos carrega entre Las Vegas e Chiloé. A narrativa muda inteiramente entre um lugar e outro. Vegas não tem tintas, não há amor naquele lugar. As misérias humanas são mostradas pela autora sem simpatia, com total crueza, sem meias palavras, diretas, objetivas, sem máscaras ou desculpas.

Isso não significa que não haja heróis e anjos nessa absurda e desumana Cidade do Pecado – Sin City.

Em Chiloé o tom é outro. O ritmo, a atmosfera dos relatos, tudo muda. Há uma espécie de aceitação ou até mesmo aquiescência diante do inevitável (?) cultural daquela ilha. As mazelas humanas são mais compreendidas ou ao menos não são debatidas e até certo ponto, permitidas e seguramente, escondidas (?).

Eu em Vegas?

Eu não tenho vontade de conhecer Las Vegas. Sempre pensei nela como lugar de vida artificial, de plástico. Suas luzes não me atraem. Seus sons me distanciam. Como, contudo, o futuro é sempre incerto, quem sabe um dia eu não  aportarei por lá?

Se, por acaso, um dia a visitar, não tenho dúvidas de que buscarei em cada esquina, as Mayas e os meninos como Freddy, porque sei que eles estão ali, aos montes nas sombras e esquinas escuras daquela cidade.

A Denise do Chicas Lokas, a Mari do Travel Tips Brasil e a Lulu do Let´s Fly Away estiveram em Las Vegas. Elas tiveram experiências e impressões muito variadas. Vale muito a pena dar uma fuçada nos textos de cada uma delas.

Eu no Chile

Na Ilha de Páscoa, um dos lugares incríveis desse nosso planeta

No Chile já estive algumas vezes – Santiago um sem par de números, Vinã del Mar, Valparaíso, Deserto do Atacama, Ilha de Páscoa, mas ainda não em Chiloé. Na verdade, nunca nem tinha pensado em viajar para o sul do país, mas Isabel Allende despertou minha curiosidade.

A poesia com que ela vê a ilha ativou em min uma vontade intensa de ver se perto toda a sua mitologia, seus fantasmas, a força da natureza e principalmente aquela gente de hábitos arraigados, presos num tempo atemporal, de coração tão generoso.

Leo diz que eu não gosto de Santiago do Chile por culpa de Allende, por não ter conseguido encontrar a poética visão da cidade descrita em seus livros. Será que passará algo similar com Chiloé?!

Só indo para saber!

A ditadura no Chile

Como sempre acontece com a maioria dos livros de Isabel Allende, também em O Caderno de Maya ela aborda a ditadura chilena que foi severa, implacável, sangrenta. Não foi fácil percorrer esses caminhos junto com Manoel Arias, preso e torturado.

Em minhas visitas à capital do Chile, não busquei, ainda, por suas páginas negras. Já o fiz em Buenos Aires numa visita muito sofrida e impactante para mim – até hoje aquele lugar ronda e assombra os meus pensamentos – talvez por ter amigos órfãos da ditadura.

Foi quando estivemos na ESMA: Escola de Mecânica da Armada.

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura

Escola de Mecânica da Armada – ESMA, Buenos Aires

Por fim, uma crítica ao livro O Caderno de Maya: não gostei em absoluto do desfecho de Maya com relação aos seus inimigos, já nas páginas finais. Mesmo envolvidos pelas brumas misteriosas de Chiloé, gostaria de ter visto um encerramento mais claro, objetivo e direto.

Alguma coisa incisivamente libertadora!

O livro e eu

Comprei O Caderno de Maya em 2011, numa de minhas muitas viagens à Montevidéu, fofa capital do Uruguai.  O motivo dessa vez foi assistir ao jogo do Santos e Peñarol no clássico Estádio Centenário, pela final da Libertadores. Foi uma aventura chegar até lá porque o vulcão Puyehue estava em atividade.

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura

No Estádio Centenário em Montevidéu – final da Libertadores 2011

Sempre que eu visito Montevidéu, perambulo por suas muitas livrarias, programa do qual tenho imenso apreço. Não me recordo exatamente em qual delas eu comprei o livro de Allende, mas sei que era lançamento.

Lembro, contudo, que fiquei conversando com uma das vendedoras, a quem pedi sugestão de bons autores e ótimas histórias. Ela me disse que não comprasse O Caderno de Maya, afirmando não gostar da autora. Me explicou que a achava muito comercial, sem alma.

Se me permitirem, eu discordo. Não são todos os livros de Isabel Allende que eu gosto, mas em O Caderno de Maya, está a força e poesia da narrativa da autora, quase tão pujante e atraente quando em A Casa dos Espíritos, um dos melhores livros do mundo, em minha pouco importante opinião.

Foi esse o primeiro livro que li dela e que me fez apaixonar perdidamente!

Maya é uma personagem real. Isabel Allende conseguiu dar a ela tanta humanidade, que ela conviveu comigo, em meu cotidiano, enquanto eu lia sua história. Até hoje eu penso nela como se existisse de fato. Não foi preciso imaginá-la porque ela era muito tangível, criada pelas mãos de Allende.

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura

Perambulando pela agradável Montevidéu entre uma livraria e outra

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura

Uma das muitas livrarias que visitei em Montevidéu

O Caderno de Maya

Autora: Isabel Allende (Chile)

Editora: Sudamericana

Números de Páginas: 443

FIM

Quer conhecer outro livro de autora chilena?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra+ La Llorona de Marcela Serrano

Venha espiar este mundão lindo comigo pelas redes sociais. 

Siga o Espiando pelo Mundo nas redes sociais: FacebookInstagramTrip Advisor

O Caderno de Maya de Isabel Allende #literatura              

Clicando em qualquer uma das duas imagens logo aqui acima Cais da Ilha de Genebra O Caderno de Maya ficará guardado em seu perfil no  Pinterest🙂

Para mais inspirações e histórias de viagem siga o perfil do Espiando pelo Mundo no Pinterest.

O Caderno de Maya de Isabel Allende

Se você, meu caro viajante, gostou de conhecer um pouco sobre El Cuaderno de Maya de Isabel Allende, certamente vai querer compartilhar em suas redes sociais para que os amigos conheçam também! 🙂 

Os botões de compartilhamento estão aqui abaixo.

Cais da Ilha de Genebra

 

By |2021-02-15T14:48:34+00:0022/01/2021|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , , |0 Comentários

Deixar Um Comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.