NUNCA Fui Primeira DAMA

Calma, Nádia pare! Não puxe tão rápido, não estou conseguindo te acompanhar. Respire, não precisa falar assim, eu já entendi que você está cheia de angustia e de dúvidas, de perguntas, ansiedade e que quer muito encontrar sua mãe, suas raízes.

“Sou Nádia Guerra, e pela primeira vez vou lhes dizer, (…), tudo o que penso, tudo o que senti em cada uma das manhãs de minha vida durante todos esses anos (…).”

Eu vou junto com você: pela França, Rússia ou Havana, para qualquer lugar que sua busca te leve, estou com você.

Voltar à Havana com você não será nenhum problema para mim, porque a cidade me atrai desde que estive lá, como turista. Parada no tempo, Havana é museu vivo, onde eu nunca soube o quanto de passado havia naquele presente.

Nunca fui primeira dama

Havana

Eu ficava perambulando pelo centro e ficava imaginando o que havia de verdade por trás daquelas paredes. O que ia na mente e no coração daquelas pessoas que eu via, sentadas nas calçadas, ignorando os turistas que passavam?

Para mim, esta cidade é um grande mistério. Tinha a sensação de olhos eternamente à espreita, muitos olhos, como nos filmes, me acompanhando, escondidos. Agora poderei visitar Havana através de você, Nádia, de suas lembranças, de sua história.

Nunca fui primeira dama

Centro de Havana

Siga em frente, que vou com você. Pode continuar sua trajetória, pode continuar falando aos borbotões. Use suas frases curtas, cheias de urgência, carregadas de alegorias. Estou seguindo você, de perto, tentando não me perder.

Sei que você foi abandonada por sua mãe aos 10 anos e que quer saber o que aconteceu, quais os motivos que a fizeram abandonar tudo. O encontro com ela, Nádia, poderá ser revelador e através de seu diário poderemos descobrir um pouco do que foram aqueles dias, anos, quando os guerrilheiros tomaram Cuba. Dos seus encontros com Célia Sanches, e breves passagens com Che Guevara e Fidel Castro. As pessoas, os medos, as esperanças.

“… eu me distrai olhando pelo vidro gigante da janela. Havana era uma joiazinha. Eu adorava os edifícios e o mar de antes do entardecer…”

Eu também me sentia assim, vendo o sol de pondo do Hotel Habana Libre, o mesmo em que a mãe de Nádia esteve com Célia Sanches. Aquela cidade me atrai. Obrigada Nádia, por me levar de volta e me mostrar alguns dos seus mistérios, suas histórias proibidas.

Viaje comigo para Havana:

Nunca Fui Primeira Dama

Wendy Guerra

Wendy Guerra nasceu em 1970 em Havana, Cuba. É formada em cinema pelo Instituto Superior de Arte de Havana. Toda sua obra permanece inédita em seu país.

By |2018-03-07T01:06:41+00:0007/07/2017|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , , |3 Comentários

3 Comments

  1. Klécia Cassemiro 09/07/2017 em 11:31 - Responder

    Ah, Ana! Que lindo relato! Acho que até já escolhi meu livro de Cuba, porque não tem como resistir à curiosidade de saber o que aconteceu com Nádia! E contada por uma voz feminina, ah, preciso ler.
    PS.: Tenho medo de ir a Cuba e já encontra-la “corrompida” pela invasão capitalista misturando os costumes, as cores e os cheiros. Tomara que eu ainda veja (ao menos um pouco) dessa Cuba que você viu, tomara!

    • Analuiza Carvalho 09/07/2017 em 17:34 - Responder

      É uma história interessante e uma narrativa diferente. Bem feminina, eu diria, então possivelmente você vai mesmo gostar desse passeio à Cuba.

      O futuro de Cuba está em aberto. É possível que tudo mude, mas não acredito que isso seja em um futuro próximo. Acho que o ritmo tende a seguir lento por lá, pelo menos enquanto a velha guarda detiver o controle. Beijocas

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