Nós que nos AMÁVAMOS TANTO de Marcela SERRANO

4 mulheres. Personalidades, desejos, trajetórias, vivências, vidas: completamente diferentes umas das outras. Amigas. Reais. Verdadeiras. Amadas. Esta é a espinha dorsal de Nós que nos amávamos tanto da escritora chilena Marcela Serrano.

Um encontro entre amigas antigas: Ana, Sara, Maria e Isabel no sul do Chile é o ponto de partida dessa história.

O Chile sob a ditadura

Um passeio não só por uma Santiago sitiada e amedrontada pelo golpe de estado que destituiu o presidente Salvador Allende e deu o poder a Augusto Pinochet, como pelas províncias indiferentes ao que acontecia no país, vivendo seu cotidiano como se nada de novo ou diferente houvesse.

Esse costuma ser o estado das coisas.

Ao analisar, através de suas mulheres aqueles anos de ditadura e revolução, de clandestinidade e luta dos partidos, Marcela nos leva a reflexões de nosso próprio passado e me atrevo a dizer do nosso atual presente.

               “Sempre a lógica do enfrentamento e da confrontação. Nunca a lógica da diversidade ou do consenso (…).” diz Sara.

                                                       “Não estávamos muito atentos, muito interessados em enriquecer o tecido cultural”, diz Maria ao que Sara completa: “E além do mais, não éramos os donos da verdade?!”.

No final das contas, a maioria só quer mesmo o poder. E termina por se perder nele.

As mulheres de Serrano

As mulheres de Marcela são fortes, intensas, delicadas e cheias de dúvidas, perguntas, análises de vida, incertezas e certezas.

Para os homens, as mulheres são o quintal de sua mente.” – Maria.

As mulheres de Marcela são mulheres.

Universo complexo e rico.

Nós somos as mulheres de Serrano.

Essas 4 mulheres são devassadas para nós que adentramos em suas almas, em cada átimo de pensamento. Nós somos elas, elas são nós.

Com o passar das páginas me surpreendo com as similaridades entre Chile e Brasil: paninhos de crochê, machismo, diferença de classes…

Apesar de as 4 mulheres de Serrano serem a coluna vertebral de Nós que nos amávamos tanto, outros personagens que de alguma e muitas maneiras se relacionam com as personagens vão aparecendo, vamos conhecendo seus itinerários de vida.

Os personagens secundários, ora principais, dão dinamismo ao contexto.

A narrativa de Marcela Serrano

Nós que nos amávamos tanto por Marcela Serrano

A narrativa de Serrano é doce e poderosa. Envolvente, agradável e reflexiva. Sempre pontuada por questões delicadas e importantes. Nada fica ao acaso, nenhuma pergunta fica sem resposta.

Um assunto emenda no outro, as histórias se entrelaçam umas às outras, com ritmo, como se estivéssemos todas em uma grande e confortável sala de estar.

A narrativa de Marcela Serrano é cheia de vida, de ritmo e de poesia. Ao mesmo tempo e paradoxalmente é suave. É possível sentir toda a força feminina em cada diálogo, em cada situação, em cada momento… Não há monotonia.

Há entendimento. Identificação.

Há uma intensidade que nos carrega, nos emociona e encanta, tira o fôlego. Há vida cotidiana!

O melhor da vida é ser comum, banal (…)” disse Sara.

Somos um pouco de cada uma das mulheres de Serrano, mesmo que as épocas e nacionalidades sejam outras. O universo feminino nos une.

Serrano coloca em palavras aquilo que sabemos intuitivamente, sentimos, vivemos, observamos em nós, nas mulheres de nossas próprias vidas. Talvez, ai, bem ai esteja a força de Nós que nos amávamos tanto.

Somos como nossos pais?! Conseguimos nos libertar de nossa infância, de nossa trajetória?! Somos o reflexo de nossas mães?! Imitando-as sem sentir ou fugindo delas sem sentir?!

Participar tão intimamente da vida destas 4 mulheres, dissecadas por Serrano, foi um privilégio. Marcela desnudou cada ranhura de suas almas. Nada ficou de fora. Não teve pudores em mostrar feridas, dores, erros, acertos, culpas.

Todo o seu íntimo foi nosso e nossos sentimentos terminaram por se misturar: raiva, decepção, tristeza. No final das contas, elas viveram da melhor forma que podiam. Assim como nós fazemos todos os dias!

Elas habitaram meu mundo por alguns dias, dialoguei com elas, questionei, torci, sofri, gritei, briguei, chorei…

As mulheres de Serrano foram absolutamente reais para mim: Ana (minha preferida), Sara, Maria e Isabel.

Eu no Chile

Nós que nos amávamos tanto

Santiago do Chile

Quando eu viajei ao Chile a primeira vez eu estava repleta de Chile. O Chile dos anos 60, 70… De homens e mulheres fortes, extra mundos até…

Ao chegar a Santiago, plácida, organizada, de pessoas acolhedoras, muito educadas foi difícil imaginar seus dias mais duros, negros. Não consegui perceber uma atmosfera intensa, apaixonada… Sigo buscando-a!

Li Nós que nos amávamos tanto duas vezes no espaço de 11 anos. Não lembro de mim àquela época, primeira vez que li esta história, que visitei o Chile, e nem qual o tamanho da influência que as mulheres de Serrano tiveram em minha vida, naqueles dias.

Desconfio que desde então cresci, amadureci. Tenho novas dores, feridas, sucessos, alegrias, fracassos… a vida está diferente. Posso afirmar apenas que percorrendo as histórias de cada uma destas mulheres vivi mil vidas em alguns dias.

Me despedi das 4 mulheres de Serrano me sentindo mais inspirada e sim, mais forte.

Nós que nos amávamos tanto

Autor: Marcela Serrano (Chile)

Editora: Record

Números de Páginas: 348

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Nós que nos amávamos tanto, #livro da autora chilena Marcela Serrano: uma história intensa e sensível que diz muito sobre o universo feminino. #literatura #leiamulheres #chile #marcelaserrano #nosquenosamavamostanto #espiandopelomundo #viajantesempressa

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Nós que nos amávamos tanto de Marcela Serrano

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2018-09-06T19:05:17+00:0018/02/2018|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , , |2 Comentários

2 Comments

  1. Juliana Moreti 06/03/2018 em 22:31 - Responder

    Nòs que nos amàvamos tanto…. quando vi o tìtulo, pensei que seria resenha de filme traduzido assim em português (C’eravamo tanto amati de Ettore Scola).
    Nao conheço nem o livro e nem a autora, mas me pareceu muito interessante!
    Aliàs, você que é uma devoradora de livros, coloque este na lista, se não està: “Amiga Genial, de Elena Ferrante”. Bom, é uma quadrilogia. Ainda estou neste e estou apaixonada! Em pt quem traduziu foi meu ex professor de literatura italiana (que tem traduzido tanta coisa que suspeito que ele tenha largado o curso – hhahahahah)

    • Analuiza Carvalho 07/03/2018 em 20:23 - Responder

      oi Ju… eu ainda não li, mas Elena Ferrante já habita minha estante. Um dia desses eu leio! 🙂 Sobre Serrano, este livro dela é lindo. Eu adoro muito! 🙂 bjs

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