O Museu Huguenote de Franschhoek: a trajetória da cidade sul africana

Eu sou aficionada por museus. Através de artes e recortes, matérias e esculturas, eu vejo o mundo. Um mundo que muitas vezes eu não vi e não vivi, porque existiram há mais tempo do que eu tenho nesta vida. O Museu Huguenote de Franschhoek é um destes lugares que contam muitas e interessantes histórias que aconteceram na pequena cidade sul africana.

Franschhoek

O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul conta a trajetória da cidade: #viagem #africadosul #franschhoek #espiandopelomundoafricadosul

A linda Franschhoek na África do Sul

Franschhoek foi fundada no século XVII pelos huguenotes, franceses protestantes que fugiram da perseguição religiosa promovida sob o reinado de Luis XIV. Muitos deles escaparam para Holanda, de onde embarcaram para o Cabo.

Lá ganharam terras onde puderam plantar suas vinhas e produzir os hoje famosos vinhos sul-africanos. A região, inclusive, está repleta de vinícolas que aceitam visitas. Nós não visitamos nenhuma, porque apesar de ser uma amante dos vinhos, não sou adepta a visitas à vinícolas, por não me interessar pelos processos, apenas pelo resultado.

Como é o Museu Huguenote de Franschhoek

O Museu Huguenote de Franschhoek – Huguenot Memorial Museum – é interessante. Através dos huguenotes, ele conta a história da cidade e da região. São fragmentos de documentos, quadros, objetos variados, textos por onde este passado é contado.

Não é um museu de arte e sim um museu para quem se interessa por história, pelas origens culturais de um lugar. Palavras por todos os lados, em inglês e africâner (a língua local) para quem tem curiosidade e paciência.

Eu tive e fiquei encantada com o que aprendi neste museu.

O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul conta a trajetória da cidade: #viagem #africadosul #franschhoek #espiandopelomundoafricadosul

O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul

Os huguenotes

Muitos huguenotes fugiram para a Holanda, que por ser um país pequeno sofreu com a quantidade de imigrantes, que não tinha condições de absorver. Paralelo a isso, a região do Cabo precisava de mão de obra. Além disso, a Companhia Holandesa das Índias Orientais – Vereenigde Oost-Indische Compagnie, com a sigla VOC – queria povoar a região.

Assim que, entre 1688 e 1700 cerca de 200 huguenotes foram enviados à África do Sul e após estes anos eles continuaram chegando aos poucos e de maneira constante por mais um par de décadas.

Eles chegaram por lá sem nada, pois foram obrigados a deixar para trás tudo o que possuíam quando fugiram da França para a Holanda. Muitos pereceram durante a viagem para a África do Sul que durava em média 3 meses.

Está exposto aí o Edito de Nantes, de 1598, que aprovava a tolerância religiosa permitindo aos huguenotes professarem a sua fé. Foi revogado por Luís XIV dando início a nova perseguição religiosa aos protestantes franceses. Podemos ver também toda a cronologia desta história, com ilustrações.

Encontramos ainda imagens dos huguenotes em seus cotidianos, tanto na França quanto em Cape. Descobrimos ainda o mapa dos outros lugares no mundo para onde os franceses fugiram.

A travessia dos huguenotes – da Holanda para o Cabo

A Companhia Holandesa das Índias Orientais pagava toda a estrutura para que os franceses fossem para a África do Sul. Ao chegarem recebiam quantas terras fossem capazes de cuidar. Tinham que ficar no mínimo 5 anos, quando podiam então voltar para a Europa pagando sua passagem.

Curiosidade: podiam trazer seu próprio pastor francês.

O Museu Huguenote de Franschhoek abriga ainda uma réplica em miniatura do Oosterland, o navio da Companhia das Índias Orientais que transportou os huguenotes até o Cabo. Fiquei olhando aquilo e pensando como tiveram coragem para tal empreitada naquela coisa!

Ele foi o terceiro navio a partir da Holanda. Podia carregar 275 passageiros e navegou do Porto de Goeree em 3 de fevereiro de 1688, chegando em Cape Town no dia 25 de abril do mesmo ano com 2 meses e 22 dias de uma viagem sem incidentes ou mortos.

O Oosterland afundou em Table Bay durante uma tempestade em 24 de maio de 1697.

Os primeiros anos dos huguenotes no Cabo – NÃO a uma nova França

O Museu Huguenote de Franschhoek segue nos contando esta interessantíssima história dizendo que a Holanda não queria que os huguenotes criassem uma nova França em Western Cape. Muitas ações foram tomadas para evitar tal empreitada.

Uma delas foi obrigar todas as crianças a aprenderem o dutch. Além disso, todas as conversas oficiais eram neste idioma. Contudo, apesar da desaprovação oficial, os cultos seguiram sendo celebrado em francês.

O resultado de tudo isso foi que num par de gerações, a língua francesa morreu na região do Cabo. Os huguenotes tornaram-se membros da Igreja Reformada Holandesa que professa estritamente a tradição calvinista, que teve origem na Suíça com Calvino.

Entretanto, no Museu Huguenote de Franschhoek é possível encontrarmos documentos, muito, muito antigos, ainda escritos em francês. Outra curiosidade: os nomes franceses foram adaptados aos holandeses.

Gauche virou Gous. Pinard se transformou em Pienaar. O mesmo aconteceu com os nomes das fazendas. O africâner, um dos idiomas locais, carrega um pouco de influência do francês mesmo ele tendo sido sufocado e extinto da região.

As fazendas produziam também frutas e verduras, como ameixas, maças e pêssegos que eram exportados. Atualmente Franschhoek e Stellenbosch são os principais produtores da África do Sul de peras, pêssegos, nectarinas e maças em larga escala.

Ao lado dos vinhos, formatam a economia na região.

Khoi Khoi, os habitantes originais do Cabo

Encontramos outras coisas muito legais no Museu Huguenote de Franschhoek, a exemplo da maquete de uma casa de fazenda do século XVIII que ficava em Stellenbosch, cidade vizinha a Franschhoek, com história muito similar e igualmente linda. Muitas imagens de variadas e distintas épocas também fazem parte do acervo.

Isso sem contar que o museu faz ainda referência ao povo local, os Khoi Khoi que habitavam estas terras quando os holandeses lá chegaram tomando conta de tudo, bem ao modo europeu conquistador.

Vemos por exemplo, representações das antigas casas desta população africana e fragmentos de sua história: eles tiveram que conviver com os europeus e se adaptar ao seu modo de vida a partir de meados do século XVI.

Isso naturalmente alterou profunda, drástica e irrevogavelmente a essência desta sociedade. Os holandeses tomaram seu gado e então eles tiveram que recorrer à caça e às invasões ou tornaram-se trabalhadores das fazendas e enfrentaram diversas epidemias.

Em resumo, foram desintegrados social e culturalmente.

Conclusão sobre a visita

O Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul funciona numa linda casa, com bela vista das impressionantes montanhas sul africanas, com um bonito jardim no seu entorno. Fotos não são permitidas no interior do museu.

Eu adorei o Huguenot Memorial Musem e tudo o que ele deu a conhecer. Apesar de pequeno, tem muitas informações. Tanto que apesar do par de horas que passamos lá dentro, eu não consegui ler tudo. O lugar nos fornece um conhecimento precioso a respeito da cidade e da região.  Isso nos ajudou a que tudo o que vimos até então, fizesse muito mais sentido, ganhando assim, mais valor.

Eu adorei o O muito interessante Museu Huguenote

Nossos amigos, Jorge e Nilda, mesmo não falando inglês ou africâner, conseguiram absorver muito conhecimento com esta visita. Através das imagens, das maquetes e de uma ou outra informação que eles conseguiram desvendar.

Depois da visita, ainda ficamos um pouco pelo jardim.

O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul conta a trajetória da cidade: #viagem #africadosul #franschhoek #espiandopelomundoafricadosul

Leo e Jorge tomando a fresca no jardim do Museu Huguenote enquanto eu e Nilda olhávamos as flores

Quer saber um pouco sobre Stellenbosch, a cidade colada com Franschhoek?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

Stellenbosch – uma das cidades mais antigas da África do Sul

Venha espiar este mundão lindo comigo pelas redes sociais. 

Siga o Espiando pelo MundoFacebookInstagram e Twitter e Trip Advisor

O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul conta a trajetória da cidade: #viagem #africadosul #franschhoek #espiandopelomundoafricadosul              O muito interessante Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul conta a trajetória da cidade: #viagem #africadosul #franschhoek #espiandopelomundoafricadosul

Clicando em qualquer uma das duas imagens logo aqui acima Cais da Ilha de GenebraMuseu Huguenote de Franschhoek na África do Sul ficará guardado em seu perfil no  Pinterest🙂

Para mais inspirações e histórias de viagem siga o perfil do Espiando pelo Mundo no Pinterest.

O Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul

Se você, meu caro viajante, gostou de ler sobre o Museu Huguenote de Franschhoek na África do Sul, compartilhe em suas redes sociais para que os amigos leiam também! 🙂 

Os botões de compartilhamento estão aqui abaixo.

Cais da Ilha de Genebra

 

By |2019-11-07T14:19:22+00:0007/11/2019|Categories: África, África do Sul, Stellenbosch|Tags: |10 Comentários

10 Comments

  1. Lulu Freitas 12/11/2019 em 12:43 - Responder

    Que interessante o Museu Huguenote de Franschhoek!! Um recorte histórico bem diferente do que costumamos ler sobre a África do Sul. Sem dúvida um passeio imperdível !

    • Analuiza Carvalho 12/11/2019 em 13:06 - Responder

      Exato Lulu… talvez o maior atrativo deste museu para mim, foi conhecer um pedaço da história local, da qual eu não tinha ideia, não tinha encontrado em nenhum lugar durante as minhas pequisas. Contextualizar a região fez todo a diferença. bjus

  2. Martinha Andersen 13/11/2019 em 07:18 - Responder

    Nunca tinha ouvido falar no Museu Huguenote de Franschhoek, mas adorei conhecê-lo pelo seu post. Um dos meus sonhos é ir para a Africa, e já coloquei Franschhoek no roteiro. =)

    • Analuiza Carvalho 14/11/2019 em 07:34 - Responder

      oi Martinha… faz muito bem em colocar Franschhoek em sua lista. Cidade bonita e de importância histórica para a região do Cabo. 🙂

  3. Gisele 13/11/2019 em 15:48 - Responder

    Também adoro museus, e adorei conhecer melhor o Huguenote. Como filha de africano, este é um destino que já está na minha lista! Obrigada 🙂

    • Analuiza Carvalho 14/11/2019 em 07:33 - Responder

      oi Gisele… sendo filha de africano, uma visita ao continente deve ter uma conotação bem interessante para você. Se for a Franschhoek e gostar de história, visite o Museu Huguenote para descobrir o passado desta pequena e bonita cidade.

  4. ana paula 13/11/2019 em 22:46 - Responder

    O Museu Huguenote parece ser bem interessante e o lugar onde fica é bem bonito.Bom saber rs

    • Analuiza Carvalho 14/11/2019 em 07:30 - Responder

      oi Ana… eu, que me interesso muito pelas trajetórias dos lugares que eu visito, gostei imensamente do Museu Huguenote porque ali encontrei histórias que não sabia, não tinha encontrado em lugar nenhum. Enriqueceu muito a minha viagem!

  5. Luciane 14/11/2019 em 18:45 - Responder

    Nunca tinha ouvido falar no Museu Huguenote de Franschhoek, mas adorei o seu post e já estou pensando em incluir no meu roteiro da Africa do Ano que vem

Deixar Um Comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.