O excelente Museu de ARTE e HISTÓRIA de Genebra

Chovia naquela manhã em Genebra. A cidade estava com uma bela tonalidade acinzentada. Era sábado e as ruas estavam vazias. Caminhávamos em direção ao Museu de Arte e História de Genebra, mas a todo instante algum personagem genebrino chamava a nossa atenção e nós terminávamos nos detendo por um ou muitos instantes.

Então, depois de algum tempo não contabilizado, chegamos ao museu.

O Museu de Arte e História de Genebra – acervo

Museu de Arte e História de Genebra

Museu de Arte e História de Genebra

Museu de Arte e História de Genebra

Museu de Arte e História de Genebra – belo edifício

Museu de Arte e História de Genebra

Partes de um belo edifício do século XX

O Museu de Arte e História de Genebra – Musée d’art et d’histoire, o MAH, foi construído no início do século XIX, sendo inaugurado em 1910, e abriga vasta e variada coleção distribuída em cerca de 7.000 metros quadrados em cinco andares.

Um verdadeiro deleite para quem adora arte.

Considerado o maior museu deste tipo em Genebra, ele está localizado na cidade velha, embora seu local estivesse fora dos limites da antiga muralha do século XVI.

São mais ou menos 650.000 obras de artes que incluem arqueologia, pinturas e esculturas, além de objetos históricos. A vida cotidiana da região contada através de inúmeros objetos: milênios de história.

Achei o acervo absolutamente sensacional!

O edifício

Além disso, o edifício que abriga toda esta arte é, assim como a própria Genebra, muito bonito e elegante. Um prazer sem tamanho percorrer todos aqueles ambientes.

Chegamos ao museu meio molhados e fomos até a recepção saber como funcionava a visita. O senhor que nos atendeu foi pura simpatia e disse que não havia uma direção a ser seguida no museu.

A única recomendação foi que não deixássemos sacolas, bolsas ou mochilas aos nossos pés e nunca, jamais sozinhas em nenhum lugar, pois isso configurava um alerta de ataque terrorista.

Como não havia um roteiro padrão sugerido pudemos perambular ao nosso bel prazer e foi exatamente isso que Léo e eu fizemos. Cada um seguiu seu caminho, nos encontrando eventualmente em algum corredor.

A arte exposta no Museu

Museu de Arte e História de Genebra

Capacete atribuído à guarda de Cosimo I

Armas e móveis: evolução da vida cotidiana

Museu de Arte e História de Genebra

Moveis de antigos séculos

Museu de Arte e História de Genebra

Artefato do século XVI para furar paredes

Museu de Arte e História de Genebra

Lanças de séculos e países distintos

Cada sala que entrávamos, nós encontrávamos personagens ilustres, carismáticos que teimaram em sobreviver aos tempos, acumulando muitos anos de vida, apenas para nos mostrar como era a vida das pessoas em épocas pretéritas.

O caso, por exemplo, do capacete (atribuído) da guarda de Cosimo I de Florença, do século XVI. Ou da sala de armas, que nos mostra a evolução das armas de guerra ao longo dos séculos, impactando diretamente nas trajetórias dos povos.

Armaduras, escudos, lanças… Espanha, Itália, Genebra.

À medida que eu caminhava, sozinha a maior parte do tempo, sob os olhares atentos do senhorzinho que guardava aquela sala, o piso rangia sob meus pés. Fiquei a pensar se algum espírito ferido ou morto por uma daquelas armas habitava o museu.

Objetos roubados

            “Inescrupulosos ladrões de arte, motivados apenas pelo lucro, tiram vantagens da instabilidade política e econômica de determinados países…”.

Iêmen, Líbia, Síria…

Essa prática existiu no passado. Segue existindo no presente.

Nesta sala estão abrigados temporariamente objetos de arte confiscados pelo Ministério Público de Genebra até serem repatriados a seus países de origem.

Continuei vagando perdida em pensamentos, em meu mundo paralelo habitado pelos sussurros do passado que chegavam até mim, como brisas que sopravam levemente daqueles objetos.

Art & Crafts

Art & Crafts – movimento estético surgido na Inglaterra no século XIX que se posicionava em favor do artesanato em oposição a cada vez mais frequente mecanização industrial de todas as coisas.

O movimento inglês defendia a criatividade e inspirou o movimento francês da art nouveau.

Móveis com design do século XX de Paris, Viena, Genebra, influenciados pelo art & crafts estavam expostos no museu, mostrando inclusive o forte intercâmbio artístico com Moscou que havia àquela época.

Vitrais espetaculares e com muitos anos de vida

Museu de Arte e História de Genebra

Vitral que pertencia a catedral de São Pedro em Genebra representando São Miguel.

Estive diante de magníficos vitrais cujo maior atrativo, além de sua própria beleza, claro, foi a possibilidade de nos aproximarmos significativamente de maneira a nos perdermos em seus detalhes.

Foram construídos para a Catedral de São Pedro de Genebra, nos anos de 1440 e ocupavam as sete janelas do coro. Representam santos como São Pedro e São Paulo. Foram destruídos e restaurados inúmeras vezes.

Os que encontramos atualmente na Catedral são cópias do século XIX.

Obras de gênios da arte como Rodin e Konrad Witz

Obras de Rodin

Quadros de Konrad Witz: A Pesca Milagrosa e o Resgate de São Pedro

Personagens históricos como Ana Maria da Baviera observaram nossa passagem e em contrapartida nos permitiu observá-la também, enquanto estávamos inseridos em suntuosas salas.

Magníficas, soberbas esculturas de Rodin.

Pinturas de Konrad Witz, um pintor alemão do século XV que morreu na Suíça. Seu quadro “A Pintura Milagrosa” – 1444 – fazia parte de um retábulo situado no altar da Catedral de Genebra, parcialmente destruído durante a Reforma Protestante. A imagem mostra o lado oeste do Lago Genebra.

Um de seus últimos trabalhos, Anunciação, pode ser visto no Germanisches Nationalmuseum – o Museu Nacional Germânico em Nuremberg, Alemanha.

Ao lado de A Pesca Milagrosa está outro quadro do pintor, do mesmo ano, intitulado A Libertação de São Pedro.

Roma, Grécia, Egito…

A sala grega no Museu de Arte e História de Genebra

Mércurio, Deus do Comércio e dos Viajantes da época romana e busto de Marco Aurélio, o antigo Imperador Romano, pertencente a família Bonaparte

Funerária em formato de casa etrusca (Roma), estátua de Ramsés II (Egito), Sarcófago (Egito), Estela funerária (Egito), Osíris e Ísis (Egito), e Sarcófago em terracota (Roma)

Esculturas romanas, sarcófagos, urnas funerárias em forma de uma habitação etrusca: Itália pré-romana.

Sala com arte grega e egípcia. Artistas e suas extraordinárias pinturas que tanto me emocionam me encantam e me levam para um mundo onde salto pelos gomos do tempo com uma alegria juvenil, escancarada, sincera, objetiva e direta.

Museu de Arte e História de Genebra

Os Usurários de Quentin Metsys – século XVII

Museu de Arte e História de Genebra

A visita de Peintre d`Enkhuizen – século XVII

 

Pieter Coecke de Bruxelas com seu “São Jerônimo em seus estudos” do século XVI. Quentin Metsys e seus “Usurários” do século XVII. “A Visita” de Peintre d`Enkhuizen da escola holandesa (tenho um terrível fraco pelas pinturas holandesas) também do século XVII.

Alexandre Calame com suas maravilhosas paisagens: fortes, imponentes, poderosas. Vevey – 1810 e Menton 1864.

Além de tantos e tantos outros artistas que naquela tarde de muita chuva, temporal mesmo, na cidade de Genebra, me acolheram em seus braços e aqueceram minha alma, meu espírito e me deixaram as mais doces memórias.

Pausa para o almoço

Museu de Arte e História de Genebra

Restaurante Le Barocco

Resolvemos almoçar no Restaurante Le Barocco localizado no centro do museu.

Algumas razões para nossa escolha: geralmente os restaurantes/cafeterias dos museus tem opções saborosas (embora nem sempre baratas), perdemos pouco tempo nos deslocando, gosto de almoçar inserida em um contexto de arte e por fim, o mundo naquela tarde caía sobre Genebra.

São Pedro estava mandando muita chuva, então de qualquer maneira não tínhamos com sair do museu.

O atendimento no Le Barocco

O atendimento foi um pouco demorado, pois só havia um atendente para número significativo de comensais.

O ambiente era tão lindo que compensou a espera.

O almoço

Nós escolhemos o prato do dia (21 francos suíços cada): carneiro acompanhado de batata rústica e salada. A quantidade foi excelente e estava bem saboroso, embora a comida suíça para meu paladar seja bastante salgada.

Museu de Arte e História de Genebra

Prato do dia – carneiro acompanhado de batata rústica e salada

Museu de Arte e História de Genebra

Um brinde aos momentos passados entre obras de arte

Taças de vinho (medida inferior as que usualmente são servidas em outros países europeus, sul-americanos e Brasil). Pratos a La Carte acima dos 25 francos suíços.

O franco suíço valia quase o mesmo que o euro à época.

Informações adicionais

Todas as informações referentes as obras estavam em francês, mas mesmo não falando absolutamente nada deste idioma, pude entender sem grandes percalços o que os informes diziam.

Horário de funcionamento: diariamente das 11:00 às 18:00. Fechado às segundas.

Acesso gratuito à exposição permanente.

Depois do almoço continuamos nossa deambulação pelo museu, saindo apenas no fim da tarde, quando a chuva então deu uma trégua. Naquela noite, fomos ao teatro.

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Quer conhecer mais sobre a velha Genebra?! Então clica no link bem aqui abaixo!

Cais da Ilha de Genebra

+ Ruínas da velha Genebra, em frente ao Musée d’art et d’histoire

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O #Museu de Arte e História de #Genebra tem vasto e variado acervo, abrigando artes não só milenares como de países diversos. #Arte para muitos gostos. Na imagem a ninfa se desvincula de sua sandália esculpida no século II a.C. #viajar #viajantesempressa

 

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By |2018-03-07T01:05:22+00:0011/12/2017|Categories: Genebra|Tags: |4 Comentários

4 Comments

  1. Mayte Scaravelli 13/12/2017 em 05:58 - Responder

    Ana e seus museus…adoro viajar contigo por esses lugares! Sinto tanto a sua empolgação, emoção e alegria juvenil (adorei isso) rsrsrs…

    Eu também amo vitrais, mas acho que nunca os apreciei de tão perto. Deve ser uma delícia se perder em tantos detalhes e cores, que sorte a sua!

    Fico aqui imaginando que enquanto caminhava pela sala e o piso rangia, certeza que eram sim os espíritos em busca de uma boa prosa contigo. Se eram locais, queriam te contar fatos e curiosidades pra você trazer da melhor maneira possível para o EPM que pena que não conseguiram a comunicação. hihihihi

    Me diz, fecharam o museu só pra vcs? rsrsrsrs que exclusividade, ele parece vazio vazio…

    • Analuiza Carvalho 14/12/2017 em 06:58 - Responder

      oi Maytê… fico extremamente feliz em saber que você gosta de vir comigo em minhas incursões pelos museus, pois eu simplesmente amo estes lugares que me levam a um mundo paralelo feliz. 🙂

      Menina… o Museus de Arte e História de Genebra estava muito vazio quando nós fomos. Acho que os turistas que visitam Genebra passam tão pouco tempo por lá que terminam deixando de fazer/ver muita coisa bacana. Acho que, de um modo geral, por Suíça ser um país pequeno as pessoas querem fazer muitas cidades em pouco tempo e Genebra merece bem mais que 1 ou 2 dias apenas de nosso tempo.

      beijocas

  2. Klecia 29/01/2018 em 17:23 - Responder

    Ahhh, o amor que dispara quando leio gratuito! <3
    Que lindo prédio, Ana! Impressionantemente belo em sua brancura e grandeza!
    Só uma coisa que tenho que comentar. Depois de visitar a Grécia, e chorar no museu da acrópole sobre os saques que esse pais sofreu ao longo dos anos, meu coração doi amargamente toda vez que vejo uma sala 'grega' em museus pelo mundo. Achei curioso ver um espaço dedicado a objetos 'roubados', mas imagino que a maior parte dos nossos museus tenha tanto de arte roubada que não é considerada roubada per se. A grécia me fez pensar muito nisso, e agora não consigo evitar, sempre que entro num museu com espaços dedicados a um país que não o que estou visitando.
    De toda forma, admirei as belas peças, é impossível evitar o sentimento de gratidão a esses artistas que tornam nossa vida mais bonita!
    O que seria da gente sem a arte? O que seria da arte sem os museus?

    Beijocas!

    • Analuiza Carvalho 30/01/2018 em 17:23 - Responder

      Eu não sei o que seria de nós sem arte! Nem posso conceber um mundo sem beleza e criatividade!

      Essa é uma questão complexa que vai muito além, eu acho, sobre ser roubada ou não ser roubada. Eu não tenho uma opinião totalmente formatada, pois, há que se entender o contexto em que elas foram retiradas de seus países de origem, quanta dessa arte hoje está preservada justamente porque foi retirada de seu países de origem, etc, etc…

      De qualquer maneira, pensando de uma maneira egoísta muita dessas maravilhas do mundo antigo só pudemos ver porque estão em outros países. Por outro lado direito é direito e as obras deveriam ser repatriadas. Ou não! Esse debate vai longe e não acredito que tenha uma solução única ou breve. 🙂

      Sobre o Museu de Arte e História de Genebra, ele abriga mesmo obras maravilhosas! bjuus

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