O Muro dos REFORMADORES: importante MONUMENTO em GENEBRA, Suíça

O Muro dos Reformadores é um dos monumentos mais famosos e simbólicos da cidade de Genebra. O início de sua construção aconteceu em 1909 em comemoração aos 400 anos do nascimento de João Calvino, um dos principais nomes da Reforma na Suíça.

Quando visitamos Genebra em Maio do ano de 2017 a Reforma Protestante comemorava 500 anos. Sem embargo, as ideias reformistas só chegaram à Genebra oito anos depois do início do movimento na Alemanha.

Deixou marcas profundas na arquitetura e economia genebrina. Alguns dos locais importantes e representativos desse momento histórico seguem existindo e o Muro dos Reformadores é um desses locais: ele estava entre minhas prioridades de visita em Genebra.

A Reforma Protestante em Genebra

Muro dos Reformadores

O principais nomes da Reforma em Genebra – Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox

A Reforma foi um movimento revolucionário religioso que aconteceu dentro do catolicismo, no século XVI, na qual Genebra foi um dos principais centros. Teve início na Alemanha em 1517 com Martinho Lutero e encontrou terreno fértil para crescer e se propagar por causa da corrupção dentro da Igreja Católica. Contudo, os pensamentos deste movimento religioso só começariam a soprar em Genebra em 1525.

Levou mais 10 anos para que Genebra adotasse a nova religião, apenas entre 1535 e 1536. Isso aconteceu por conta do empenho de Guillaume Farel, um personagem importante dentro desta revolução religiosa.

Entretanto, o movimento ganhou realmente forças com a chegada de João Calvino em 1536 à cidade suíça.

Segundo as ideias dessa nova doutrina, o indivíduo passava a ser livre e responsável por suas crenças, utilizando a bíblia como guia e não as autoridades da Igreja ou qualquer imagem. À adoração aos santos os protestantes chamavam de idolatria.

Genebra tornou-se um refúgio seguro para os protestantes que foram muito perseguidos em outros países europeus, especialmente na França.

Franceses, italianos, ingleses e espanhóis migraram para Genebra, onde podiam professar livremente sua fé. Entre estes imigrantes estavam relojoeiros, advogados, médicos, ourives, professores, além de banqueiros que atuavam também como merchants.

Os editores foram especialmente importantes para a Reforma, por conta dos inúmeros livros publicados, ajudando a propagar o protestantismo.

Esses profissionais qualificados fizeram com que a economia genebrina sofresse amplo crescimento nos anos seguintes.

Lembrando que então, os católicos passaram a ser perseguidos em Genebra, tiveram suas igrejas fechadas e foram proibidos de seguir sua religião. A Igreja de Notre Dame é um exemplo disso.

Já a Igreja da Santíssima Trindade é um templo protestante fundado por refugiados ingleses.

Conheça estas duas igrejas, palcos da história genebrina, clicando no link bem aqui abaixo:Muro dos Reformadores

+ Basílica de Notre Dame

+Igreja da Santíssima Trindade

O Muro dos Reformadores

Muro dos Reformadores

O Muro dos Reformadores e a calçada de pedra

Muro dos Reformadores

Parte do Muro dos Reformadores

Quando decidimos visitar a Suíça, este monumento que conta parte da história do país logo despertou em mim a vontade de estar diante dele. Não tenho religião alguma, mas entender as religiões do mundo me ajudam a compreender o passado e o presente de nosso planeta.

O Muro dos Reformadores celebra os líderes da Reforma em Genebra, bem como o movimento e alguns de seus importantes atores. Ele demorou 8 anos para ser concluído, 100 anos atrás, em 1917. Com 100 metros de comprimento, ele ocupa as antigas muralhas de Genebra.

Dez esculturas estão sob a divisa da cidade que diz:

Post Tenebras Lux: após as trevas, a luz.

Uma calçada de pedra margeia o muro e à medida que a vamos percorrendo, entramos em contato com os principais fatos que marcaram a Reforma em Genebra, registrados no muro, bem como os protagonistas dessa história tão interessante quanto importante para o mundo.

É como ler um grande livro em alto relevo e assim vamos tomando conhecimento (ou relembrando) os marcos do movimento religioso que marcou profundamente parte significativa do mundo, uma vez que suas ideias escapuliram pelas bordas do velho continente atingindo não só o novo mundo como a África também.

No centro do muro com 5 metros de altura estão 4 dos principais nomes da Reforma em Genebra. Foi impressionante para mim estar diante das imagens daqueles homens que, com suas ideias (equivocadas ou não) influenciaram diretamente os rumos que os países seguiram naqueles anos.

Os sons de seus atos, de seus ideais, vararam os tempos e chegaram até nós. Não apenas seus feitos como também muito do que pregaram, do que acreditaram. Além disso, as ações dos reformadores tiveram impacto direto nos rumos econômicos e educacionais da população.

Isso tem um peso enorme e gosto de estar diante desses fatos históricos.

Por isso foi tão entusiasmante para mim estar diante das esculturas daqueles personagens:

Guilherme Farel (1489 – 1565): um dos fomentadores da Reforma em Genebra, cujo discurso foi descrito como cheio de força e fúria, onde ele dizia que o papa era o anticristo. Chegou à Suíça fugido das perseguições em seu país natal, a França, em 1525. Sofreu tentativas de assassinato, mas saiu ileso e mais fortalecido em suas convicções.

Era um grande orador e um homem de ação. Sua atuação foi fundamental para transformar Genebra em uma cidade protestante, além de propagar a fé para outros locais.

João Calvino (1509 – 1564), o mais importante personagem do movimento, tanto que a Reforma na Suíça ficou conhecida como Calvinismo. Assim como Farel, Calvino fugiu da França (1536) para se refugiar na Suíça onde pode pregar livremente. Humanista, este pensador é considerado como a principal voz da Reforma na Suíça.

Conta-se nos anais da história que seu discurso era claro e sua oratória elegante.

Teodoro de Beza (1513 – 1605) foi reitor da Academia de Genebra, discípulo de Calvino, também francês. Escreveu alguns livros incluindo a biografia de seu mestre, a tradução para o grego do Novo Testamento e uma peça onde confronta o catolicismo e o protestantismo.

João Knox (1513 – 1572), o fundador do culto presbiteriano na Escócia, seguindo as ideias de Calvino, a quem conheceu quando passou um tempo em Genebra, depois de fugir da Inglaterra católica de Maria I.

Eles estão sob um pedestal que a carrega a inscrição: ΙΗΣ – Jesus Homem e Salvador.

Outros nomes da Reforma

Muro dos Reformadores

Muro dos Reformadores: inscrições, esculturas e a divisa Post Tenebras Lux: após as trevas, a luz

O Muro dos Reformadores fica no mesmo local onde antes funcionava a Academia (hoje Universidade) de Genebra. Os protestantes acreditavam que os fieis deveriam ser capazes de ler a bíblia para formarem suas próprias opiniões. Assim, a educação tornou-se um aspecto importante da Reforma.

Então, quando a nova religião tornou-se oficial, Genebra construiu uma escola, a Collège Calvin, e a Academia de Genebra. Ambos existem até hoje e continuam funcionando como centros educacionais.

Os 4 principais reformadores estão ladeados por outros nomes importantes para a Reforma. Além de Martinho Lutero e Zwingli, que lideraram respectivamente o movimento na Alemanha e na Suíça alemã, sendo o segundo, pós Calvino, encontramos ali também Marie Dentière, belga, a primeira mulher teóloga e ex-freira.

Ela pregou junto com Farel e Calvino e defendeu as mulheres.

Na Inglaterra os protestantes eram chamados de puritanos, na Escócia de presbiterianos e na França de huguenotes, enquanto na Suíça ficaram conhecidos como calvinistas e na Alemanha, luteranos.

Curiosidade

Muro dos Reformadores

Muro dos Reformadores

O Muro dos Reformadores foi obra do escultor Paul Landowski, o mesmo que projetou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

Por falar em Rio de Janeiro, quem escreve com amor e conhecimento sobre a cidade maravilhosa e suas belezas é a Travel Blogger pernambucana Klécia. Para ler basta acessar o link aqui ao lado: 👉 O Rio de Janeiro por Fui Ser Viajante.

Vai ser viajante com ela!

O Parque dos Bastiões

O Muro dos Reformadores está situado no Parque dos Bastiões, que possui 64. 468 m² e mais de 150 espécies de árvores, muitas delas, raras.

Foi fundado no século XVIII e sempre foi frequentado pelos genebrinos por ser um lugar agradável e bonito. Há um xadrez em tamanho natural para a diversão das crianças e dos amantes do jogo.

Um lugar para almoçar bem conceituado e caro chamado Café Papon, frequentado por políticos.

Possui ainda uma cerca de ferro construída com doação de Brunswick.

Conheça mais sobre Brunswick clicando no link bem aqui abaixo:

Muro dos Reformadores

O Monumento Brunswick

Infelizmente, aquela manhã em que visitamos o parque, chovia muito na cidade. Tentamos ainda passear por ele, mas foi impossível. Pudemos apenas apreciar o Reformation Wall (Muro dos Reformadores) durante um pequeno e rápido hiato concedido gentilmente por São Pedro.

Assim, seguimos em frente, com destino ao Museu de Arte de Genebra.

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Quer conhecer outros lugares interessantes da velha Genebra?! Então clica nos links bem aqui abaixo!

Cais da Ilha de Genebra

+ Cais da Ilha: a velha Genebra

+ As ruínas da Fortaleza de Santo Antônio

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O Muro dos Reformadores é um dos monumentos mais simbólicos da cidade de #Genebra na #Suíça que celebra este importante movimento religioso. #Europa #Viajante

 

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By | 2018-03-07T01:05:26+00:00 04/12/2017|Categories: Genebra|Tags: |2 Comentários

2 Comentários

  1. Klecia 17/12/2017 em 17:17 - Responder

    Ana,
    Primeiro, obrigada pela linda referência ao Fui ser viajante! Quem diria que existe uma conexão tão engenhosa entre a reforma protestante, o muro de genebra e o meu querido Rio de Janeiro?

    Segundo, esse post me lembrou minhas aulas de historia, que eu tanto adorava. A reforma protestante teve um peso enorme no curso da humanidade, e ver isso em alto relevo, como você fala, deve ser impressionante. Com certeza estaria na minha lista de imperdíveis em Genebra!
    Eu sou católica, mas do tipo que acredita que a verdadeira religião é o amor. Então noticias de quem, em qualquer lugar, uma religião oprime/persegue a outra é uma coisa que me entristece. Que um dia isso acabe, e com isso acabe também essa mania horrorosa de destruir templos religiosos e memórias de credos alheios. As gerações do futuro agradecem pela preservação do nosso patrimônio e bonita história!

    • Analuiza Carvalho 19/12/2017 em 12:06 - Responder

      oi Klécia… imagino que você terá sentimentos parecidos com os meus quando estiver diante deste monumento que marca um momento tão importante da história da humanidade e claro de Genebra. Este século teve um peso tão grande para o curso da cidade que não há como ignorar seus marcos em visita a ela.

      Concordo mais uma vez como você: religião é antes de tudo amor. Se eu faço o sinal da cruz, acredito nos santos, nos orixás, ou a maneira como eu me ligo no que acredito é pessoal e merece ser respeitado, afinal muitos caminhos levam a Roma. E tomara chegue o dia em que o homem pare de destruir templos, pessoas, história… que destrua apenas preconceitos e maldades! bjus

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