A Maratona de NOVA YORK – DURA e emocionante

A Maratona de Nova York está entre as seis grandes maratonas do mundo, as consideradas World Marathon Majors. Leo, maratonista (ultra maratonista também), correu. No texto a seguir ele conta, em ricos detalhes cheios de muita informação e emoção, como é correr esta famosa, desejada e tão sensacional maratona.

“TOP OF THE LIST, KING OF THE HILL, A NUMBER ONE” – Frank Sinatra

Dia 5 de novembro de 2017, 10:15h da manhã, Ponte Verrazano-Narrows, Staten Island, NYC.

“On your marks”, diz o locutor oficial da Maratona de Nova Iorque.

Ouve-se um tiro de canhão.

Em sincronia com os primeiros acordes de “New York, New York” e Frank Sinatra cantando “Start spreading the news” pelo sistema de som da prova, dou meus primeiros passos na tão sonhada Maratona de Nova Iorque.

Começo a subir a ponte lentamente. Estou apreensivo, pois é minha 11ª. Maratona e me questiono se conseguirei terminar.

Neste ponto da prova, não há torcida. Somos só nós Maratonistas.

De repente, uma das garrafinhas do meu cinto de hidratação cai; mau sinal. Segundos depois, outro corredor toca no meu ombro e me devolve a garrafinha. Sorrio, prenunciando os próximos quilômetros.

Olho para a esquerda e vejo Manhattan, para onde eu e outros 49.999 Maratonistas estamos indo. O dia está nublado e faz frio.

Cerca de 2km depois, descemos a ponte já no Brooklyn, vemos alguns torcedores, viramos à esquerda e depois à direita.

“NO SLEEP TILL BROOKLYN” – Beastie Boys

A propaganda da Maratona de NYC dizia que ela me impressionaria, me excitaria, me surpreenderia e me hipnotizaria, dentre outras coisas. E o que vi, ouvi e senti cabe nessas situações.

Uma massa de gente de todas as cores, sexos, idades, nacionalidades, religiões, sotaques e profissões lotava os 2 lados da Fourth Avenue gritando, batendo palmas, assoviando, portando cartazes e incentivando.

Eu vi mexicanos gritando “U.S.A.” para norte-americanos que respondiam gritando “MEXICO”, eu vi policiais fardados com os braços abertos saudando os Maratonistas, eu vi pessoas usando turbantes e bonés, eu vi bombeiros batendo palmas na frente dos seus quartéis onde colocaram mesas cheias cupcakes e de copos com café…

A cada quarteirão, eu tinha a sensação de que mais e mais gente aparecia para incentivar ainda mais os Maratonistas. Não havia espaço livre e se lia de tudo nos cartazes: que corríamos mais rápido que o metrô, que um Uber até a chegada custava US$37…

Assim fomos numa reta até perto do km 14, quando a prova passa a ter algumas curvas. Mas sempre havia gente gritando, vibrando e incentivando.

O asfalto é perfeito e as ultrapassagens são fáceis.

Em alguns pontos do Brooklyn, havia tanta gente torcendo nas ruas que a passagem para os Maratonistas afunilava. Mas nada que tirasse a energia da prova; pelo contrário: cada torcedor parecia querer incentivar mais do que o outro. Bastava apontar para um grupo de torcedores e ouvir os gritos de volta.

Pouco depois do km 21, entramos no Queens. Nenhum dos bairros quer ser tido como o menos incentivador e não foi diferente no Queens.

Gente gritando, cartazes, palmas. Era comum ver alguém portando um cartaz escrito “Welcome to Queens” e logo atrás outro alguém com o cartaz “Now get the hell outta here”!

Gente vibrando nas ruas, nas janelas e nas sacadas dos prédios.

A passagem pelo Queens foi curta e logo no km 25 estávamos cruzando a Queensboro Bridge para Manhattan. NYC não é uma Maratona fácil, pois há alguns aclives consideráveis.

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“DO YOU WANNA DANCE?” – Ramones

Já haviam me dito que a entrada na First Avenue de Manhattan era ensurdecedora e que a melhor torcida ficava lá. Será que ganharia do Brooklyn?

Mas já na descida da ponte era possível ouvir a gritaria e ver uma multidão que nada ficou devendo para Brooklyn. Diversas cores, idades, sexos, idiomas, religiões, parece que todo o mundo mandou mais de um representante para torcer por nós. A variedade de cartazes e gritos incentivadores era imensa.

Os organizadores e as autoridades estimam que cerca de 2.000.000 de pessoas vão para as ruas incentivar os Maratonistas. São 2.000.000 de torcedores vibrando por ilustres 49.998 desconhecidos (por que acho que pelo menos 2 rostos conhecidos cada um vê passar).

Obs.: qual a melhor torcida para mim: Brooklyn, Queens ou Manhattan? Corra e eleja a sua… 😉

Então seguimos por mais de 65 quarteirões povoados pelos melhores torcedores do mundo. A prova flui por uma reta de cerca de 6,4km até o bairro The Bronx.

“WALK THIS WAY” – Run D.M.C.

Cruzamos mais um ponte e entramos no bairro onde teria nascido o gênero musical hip hop. Já passamos pelo km 30.

No Bronx, começo a sentir sintomas do esforço: a mandíbula dói de tanto sorrir… os braços pesam de tanto apontar para os torcedores, tocar em outras mãos e agradecer o incentivo… preciso repor os líquidos perdidos nas lágrimas de emoção…

Pessoas nas ruas cantam, dançam e embalam os Maratonistas. Os sorrisos se renovam, a força que vem dos estranhos nos engrandece e faz continuar correndo. Cada pessoa que aponta para você te faz sentir que NYC parou só para te ver passar.

Um curva à esquerda, mais 1 milha e nova curva à esquerda para a reta final, perto do km 35. Passamos pelo Harlem e começamos a subir a Quinta Avenida. A multidão nas ruas não diminui e parece que guardou fôlego para nossos quilômetros finais.

“RUN TO THE HILLS” – Iron Maiden

A Quinta Avenida é uma subida longa e cansativa. É o momento da reflexão, de se perguntar do que é feito um Maratonista, de se questionar a razão de tudo aquilo. Faltando aproximadamente 7K para o fim da prova, você começa a fazer conta do tempo que vai levar para cruzar a linha de chegada. Você começa a avaliar como estão corpo, mente e alma.

Aí você olha em volta. Você está correndo pela 5ª. Avenida de Nova Iorque, um dos endereços mais conhecidos do mundo. Do lado direito, está o Central Park.

Então volto a sorrir e contenho as lágrimas (ou não). Falta pouco. Percebo que não vou repetir o tempo da minha maratona anterior, mas não importa. O importante é olhar em volta e aproveitar o caminho; é interagir com a torcida, incentivar outros Maratonistas, olhar a beleza da região, sentir quão especial é o momento.

É a maior Maratona do mundo e sou parte dela. Para sempre.

“BECAUSE YOU CAN’T, YOU WON’T AND YOU DON’T STOP” – Beastie Boys

Encaixo as passadas, melhoro a postura e entro no Central Park perto do km 39. Coloco meu melhor sorriso no rosto. Estou vivendo intensamente o momento. Meu corpo corre sozinho, minha alma e minha mente aproveitam tudo o que está acontecendo ao meu redor.

As pistas do Parque estão restritas aos corredores, alguns torcedores aparecem nas grades laterais. Pouco depois de 1 milha, contornamos o Central Park por fora, pela Rua 59. Voltamos a entrar no Parque para os metros finais.

A Maratona podia terminar ali, mas os últimos instantes antes da chegada parecem te fazer deslizar até o pórtico. Estou flutuando.

Arquibancadas lotadas festejam todos os Maratonistas como os mais importantes seres do planeta.

Então cruzo o pórtico de chegada. Corri 42.195m em 4:07:50h, mas sinto que a Maratona de Nova Iorque não terminou.

“WALK ON THE WILD SIDE” – Lou Reed

Centenas de voluntários, bombeiros, médicos e policiais se revezam em te parabenizar: “great job”, “well done”, “congratulations”… agora não interessa se você fala inglês, você entende o recado…

Continuo caminhando pelo Central Park e recebo uma manta térmica, uma sacola com comida, água e isotônico… Mais a frente, somos direcionados para um caminho à esquerda, para sair do Parque; quem usou o guarda volume, segue reto. Na saída do Central Park, os últimos voluntários esperam sorridentes para abraçar os Maratonistas com mais elogios e o icônico poncho azul, o maior símbolo do concluinte depois da medalha.

Recebo meu abraço, visto minha “capa” e sinto receber superpoderes. Viro-me para o Central Park mais uma vez antes de tomar o caminho do hotel e contemplo o que acabo de conquistar…

Deslizando entre milhares de pessoas, vou devagarinho para o ponto de encontro com Analuiza e nos abraçamos emocionados.

Quando entro no vagão lotado do metrô para o hotel, 3 pessoas se levantam para ceder lugar para mim assim que percebem o poncho azul.

Estou cansado, mas estranhamente as pernas não doem. A explicação é óbvia: eu não corri, eu flutuei por Nova Iorque ao longo de 42K.

“IF I CAN MAKE IT THERE, I’LL MAKE IT ANYWHERE.

IT’S UP TO YOU, NEW YORK, NEW YORK” – FRANK SINATRA

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Corri Maratonas antes de Nova Iorque e espero correr Maratonas depois de Nova Iorque; existe antes e espero existir depois de Nova Iorque. E existe a Maratona de Nova Iorque.

A Maratona de NYC não é apenas uma corrida, mas é uma festa de 42K. Aliás, é a maior festa de 42K do mundo.

Se você pratica corrida de rua, não pare. Se você ainda não pratica, comece. Se você parou de correr, recomece.

E corra a Maratona de Nova Iorque sem se preocupar com seu tempo, curta o caminho, pois aquelas horas serão suas para sempre.

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Guia prático da New York City Marathon

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A Maratona de Nova York

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Cais da Ilha de Genebra

By |2019-11-04T15:28:09+00:0005/10/2019|Categories: Quer Correr Comigo?|Tags: , |0 Comentários

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