As Madonas de LENINGRADO

Quando fui até minha estante de livros em busca de uma nova história, a capa de As Madonas de Leningrado me chamou a atenção com sua estranha tonalidade amarelada e letras do título vermelhas.

Este livro habita nossa estante há poucos meses apenas. Léo o trouxe para nós em uma de suas andanças pelo mundo dos livros. Desde que visitei a Rússia que as histórias escritas por russos ou ambientadas no país têm me atraído.

Inspirada pelo projeto Legendi Mundi, da Klécia, eu queria ler uma autora, depois de ter passado meses envolvida com autores de diversas nacionalidades. Assim, comecei meu passeio pela velha Leningrado, atual São Petersburgo, nesta história contada pela escritora americana Debra Dean.

Eu caminhei lentamente pela primeira metade do livro. Pela temática envolvendo a segunda guerra mundial e pelo cenário, o extraordinário museu Hermitage, eu esperei ser arrebatada já nos primeiros parágrafos.

Não aconteceu.

A história do livro

Essa história começa no ano de 1941 durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade soviética de Leningrado está cercada pelo exército alemão, no que ficou conhecido pela posteridade como o Cerco de Leningrado que durou 900 dias.

A cidade envergou, mas não sucumbiu.

Marina é a heroína desse romance. Uma sobrevivente. Com ela vemos a guerra pelo seu sombrio interior, observamos um mundo que não lhe pertence, pois ela não o escolheu, mas que foi obrigada a aceitar e a se adaptar.

Não sem forte dose de tristeza e frustração. Além da impotência diante da guerra, da morte e da destruição de tudo aquilo que lhe é caro: a arte e sua própria humanidade, que ela tenta manter a qualquer custo, Marina tem que lidar também com o desmantelamento do mundo ao qual ela conhecia.

O destino é um forte adversário!

Com Marina vivemos a guerra: as privações, a fome, o tédio, a falta de esperança.

A autora alterna a historia entre passado e presente onde encontramos Marina mais velha, com filhos e netos adultos.

Tanto na Marina jovem, quando na que vive agora em Seattle nos Estados Unidos, a memória é seu maior aliado e seu pior inimigo.

A construção de seu palácio da memória, um jogo mental criado por Ania, uma das mamuskas do Hermitage, a ajudou a sobreviver dia após dia o pior inverno russo em décadas, durante a guerra.

Na fase madura, sua memória tornou-se um refúgio, ainda que involuntário e ao mesmo tempo um profundo abismo.

                                                                                               “Ania está ajudando Marina a construir um palácio da memória no museu. “Alguém deve lembrar”, diz Ania, “ou tudo desaparecerá sem deixar vestígios e, depois, eles vão poder dizer que nunca existiu.” Então, toda manhã, elas se levantavam cedo e, juntas, perfazem lentamente o caminho através das salas. Elas acrescentam mais algumas salas todo dia, repovoando mentalmente o Hermitage, quadro por quadro, estátua por estátua.”.

As mamuskas do Museu Hermitage

Tenho as mais doces memórias não só das mamuskas do Museu Hermitage como de todas as mamuskas de todos os outros museus que visitei em meus dias turistando pela Rússia. Elas são as senhorinhas que tomam conta dos museus e casas-museus do país.

Elas me acolheram, me abraçaram, me sorriram, me orientaram. Fizeram com que me sentisse muito bem vinda no país delas.

O Museu Hermitage

Antigo Palácio de Inverno dos czares, o Museu Hermitage, localizado às margens do Rio Neva, é uma construção extraordinariamente linda. Eu o visitei e passei horas espetaculares perambulando por suas salas belíssimas, apreciando as inúmeras obras de arte ali expostas.

Um privilégio!

As Madonas de Leningrado

Uma das salas do Museu Hermitage

Para salvar as obras de arte dos bombardeios alemães, elas foram empacotadas e levadas para local desconhecido: um trabalho árduo e demorado.

É neste momento que encontramos Marina, que era guia do museu antes da guerra.

Marina nos pega pela mão e nos leva para passear pelo Hermitage através de suas lembranças dos Rafael, Caravaggio, Van der Goes, Velásquez e tantos e tantos outros que habitaram o museu Hermitage em tempos anteriores a segunda guerra mundial. Naqueles dias terríveis, em que Leningrado estava cercada, Marina teve que viver com as lembranças deles.

Ela vive muitos anos em poucos meses.

Os quadros do Hermitage ao mesmo tempo em que a mantém viva e ocupada, enquanto constrói seu palácio da memória, a fazem sentir vontade de chorar.

As paredes vazias do museu a lembram da guerra, as naturezas mortas que vai rememorando uma a uma intensificam sua fome, os personagens que habitam as telas misturam-se aos companheiros da vida real, vivendo todos em uma única dimensão.

As Madonas de Leningrado e eu

O livro me decepcionou. Eu esperava intensidade. Não houve.

A narrativa carece de ritmo. Ela se arrasta e se perde em mil lacunas não preenchidas. Ao longo do caminho perguntas sem respostas vão se acumulando. Isso me incomoda muito, pois quero saber os detalhes dessas trajetórias, as razões, os sentimentos, as decisões.

As Madonas de Leningrado

O fim é abrupto, embora o desfecho não seja.

No final das contas, Helena, filha de Marina, com suas angústias, torna-se, em poucas páginas um personagem mais interessante, contudo, pouco explorado.

O romance de Debra Dean, entretanto, tem seus momentos de poesia. Além disso, nos coloca dentro de uma cidade em guerra e principalmente porque grande parte desta história se passa no Hermitage, tem algum mérito. Marina encanta com seu amor pela arte.

Para mim foi um prazer sem tamanho voltar ao museu tendo a jovem como guia descrevendo apaixonadamente quadros fabulosos.

Foi um exercício interessante tentar imaginar aqueles quadros que eu não me recordava, através da descrição de Marina, mas a curiosidade falou mais forte e busquei alguns deles na internet.

Quando eu leio sobre as guerras do mundo, ou vejo quadros, são apenas fatos. Inquietantes e assustadores, mas apenas fatos que não vivi. Ao ler livros em que os personagens se tornam reais para mim, estes fatos se transformam em realidade e de alguma maneira é como se eu os tivesse vivido.

Assim, os sentimentos mudam e os fatos deixam de ser apenas fatos.

Que tristeza foi viver com Marina esta guerra. Que tristeza ver o Hermitage derreter após o rigoroso inverno, suas riquezas se enchendo de mofo.

Com tantos elementos atraentes em As Madonas de Leningrado, eu esperava que este fosse um livro marcante! Não foi.

As escritoras

Um dos aspectos que fazem com que eu goste muito das escritoras é que elas exploram e se aprofundam nos sentimentos de seus personagens. Desnudam suas almas e seus pensamentos mais íntimos.

Debra em As Madonas de Leningrado faz isso de maneira mais sutil, pálida, gentil, mas eu prefiro invadir despudoradamente os recônditos mais escuros dos atores destas histórias, assim, eu vivo com eles.

Para não ser totalmente injusta com As Madonas de Leningrado, duas das últimas cenas envolvendo Marina, com os soldados pelo Hermitage no passado e em frente a lareira na casa abandonada no presente, interligadas, sensíveis, me arrebataram e me encantaram. Fizeram-me verter algumas lágrimas.

Ainda assim, a maneira inesperada com que a escritora encerra esta história me desagradou profundamente.

Fechei o livro e fiquei parada uns instantes. Só isso?! Nada Mais?!

Não é um livro ruim, tampouco bom. Recomendo a leitura pelo cenário e momento histórico, mas não recomendo nenhuma expectativa.

As Madonas de Leningrado

Autor: Debra Dean (Estados Unidos)

Editora: Record

Números de Páginas: 265

Quer conhecer um pouco mais sobre a Rússia?! Então clica no link bem aqui abaixo!

Cais da Ilha de Genebra

+ Um país chamado Rússia

Venha espiar este mundão lindo comigo pelas redes sociais. 

Siga o Espiando pelo Mundo nas redes sociais: FacebookInstagramTwitter e Google+

Uma história de sobrevivência a um dos muitos momentos dramáticos da segunda guerra mundial. Uma história de dor e superação. #asmadonasdeleningrado #literatura #leiamulheres #livros #omundonoslivros

Clicando na imagem ao lado As Madonas de Leningrado ficarão guardadas em seu perfil no  Pinterest. 🙂

Para mais inspirações e histórias de viagem siga o perfil do Espiando pelo Mundo no Pinterest.

Se você, meu caro viajante, gostou de conhecer as Madonas de Leningrado , compartilhe em suas redes sociais para que os amigos leiam e se deliciem também! 🙂 

Os botões de compartilhamento estão aqui abaixo.

Cais da Ilha de Genebra

 

By |2018-10-29T12:04:26+00:0011/01/2018|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , , , |2 Comentários

2 Comments

  1. Klecia 19/01/2018 em 07:54 - Responder

    A promessa do livro talvez tenha sido bem grande, né? Se eu lesse uma sinopse da temática, também me jogaria nas paginas ansiosa por muita aventura e suspense. Acho que é o mau de nós, leitores, que teimamos em colocar demasiada expectativa em cada uma das obras, sem tirar nem por. Acho que poucas vezes comecei um livro ‘sem dar nada por ele’. A gente sempre espera que apesar da capa, apesar do nome, apesar do enredo, o autor vai se superar.
    Daí quando a gente já espera muito, o baque é bem maior rs

    De toda forma, fiquei curiosa com a visita a esse museu em tempos de guerra!

    • Analuiza Carvalho 21/01/2018 em 19:37 - Responder

      Sim, foi… pelo título, pelo cenário, pela temática… Comecei essa viagem com alta expectativa, mas a viagem esteve longe do que imaginei, desejei, mas ainda assim, ela teve seus momentos agradáveis… Afinal, estávamos no Hermitage! 🙂 bjus

Deixar Um Comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.