FOTOGRAFIA em Chicago: movimento de uma ÉPOCA

Uma cidade espetacular. Um museu incrível. Uma mostra de fotografias fantástica. Histórias passadas contadas através de muitas imagens. Fotografia em Chicago: o movimento nos anos de 1960.

A exposição continha variadas fotos: fortes, impactantes, reveladoras, educativas, animadoras…

Vimos a excelente exposição num de nossos dias em Chicago, quando visitamos o Art Institute of Chicago. O museu é esplêndido, com um maravilhoso e bem diversificado acervo. Não à toa é considerado um dos melhores do mundo.

Um exposição de fotografia em preto e branco

Fotografia em Chicago

Exposição de fotos em preto e branco no Art Institute of Chicago

De tudo o que vimos no Instituto de Arte de Chicago, uma exposição de fotografias em preto e branco me marcou especialmente. Variados registros feitos por distintos profissionais, mostrando a cara de Chicago nos turbulentos anos de 1960, através de muitos ângulos e perspectivas,  a respeito de muitos fatos, sob diferentes olhares,

Um caldeirão!

Os artistas abordaram diversos temas: vida cotidiana, protestos, aspectos religiosos, lutas por direitos civis, construções de identidade da população marginalizada…

Exposição de fotografia em Chicago

Fotografia em Chicago

Fotografia em Chicago – exposição no Art Institute of Chicago

Através daquelas tantas e tão diversas imagens dispostas em muitas salas, amplas, eu viajei pelos variados caminhos da trajetória de Chicago, onde as pessoas lutavam por construir um novo modelo social, não sem grande resistência daqueles que não queriam mudanças.

Eu entrei no movimento pretérito desta apaixonante cidade e foi uma viagem sensacional, tocante em muitos momentos! Uma cidade de fatos marcantes, duros e inúmeras vezes, cruéis.

Instituto de Arte de Chicago

Iniciamos nossa visita ao Instituto de Arte de Chicago pela exposição de fotografias

A capital da América negra e seus movimentos sociais

Chicago é considerada a capital política e econômica da América negra. Nos anos 1960 o movimento das artes negras ganhou impulso quando fotógrafos de rua resolveram registrar através de imagens a vida cotidiana do sul e oeste de Chicago, onde vivia a comunidade negra.

A partir daí houve uma valorização e celebração da identidade negra, de sua beleza e estética, pela exploração de herança africana.

Gordon Parks e os muçulmanos em Chicago

Fotografia em Chicago

Fotografia em Chicago – imagem por Gordon Parks

Em 1963, um fotógrafo de nome Gordon Parks, negro, foi enviado para Chicago para registrar o cotidiano da comunidade negra muçulmana. Por conta de sua amizade com Malcolm X, que o apresentou ao líder do movimento islã, Elijah Muhammad, Parks teve acesso significativo às atividades radicais do grupo.

Foram semanas registrando treinamentos de autodefesa e serviços religiosos.

O trabalho teve impacto sobre o próprio fotógrafo que passou a refletir sobre sua situação no mundo. Disse ele, sobre sua posição então:

“I was a Black Man in White Man´s Clothing, sent by the very ‘devils’ (Elijah Muhammad) criticized so much… I wondered whether or not my achievements in the White world had cost me a certain objectivity. ”.

Lutas raciais – direitos civis

Fotografia em Chicago

Gage Park Protest (contra a inclusão racial) por Darryl Cowherd

Chicago, com inúmeras promessas de emprego na área industrial, terminou por tornar-se muito atrativa para a população negra que vivia nas áreas rurais, em recessão, do sul do país. Além disso, era uma chance de fugir da violência racial das quais eram vítimas nos estados sulistas, entre 1915 e 1970.

Durante a década de 1930, algumas políticas econômicas adotadas pelo governo – como em relação a empréstimos para compra de moradia e outros auxílios sociais – resultaram numa cidade extremante segregacionista, pois tais políticas foram aplicadas de maneira desigual, quase sempre favorecendo os americanos brancos, em detrimento aos americanos negros.

Isto, associado à constante representação da população negra sempre associada à pobreza, violência e criminalidade, tornou o lado sul de Chicago uma região rica, pulsante para as lutas pela libertação negra deste modelo sócio-econômico discriminatório e assim foram surgindo os movimentos pelos direitos civis.

Os confrontos em Chicago foram brutais e sangrentos. A violência racial, incluindo agressões contra mulheres de todas as idades e crianças eram frequentes.

Em 1964, os Estados Unidos aprovaram o Ato dos Direitos Civis, declarando a ilegalidade de qualquer ato discriminatório baseado na raça, sexo, religião ou cor, com objetivo da integração racial dentro das instituições públicas. Contudo, no norte do país, em cidades como Chicago, pouco mudou na vida cotidiana da população negra, que continuou vítima do racismo.

Em 1966, Dr. Martin Luther King Jr. liderou campanhas para a desagregação, o que resultou numa série de marchas na região sul de Chicago. Trabalhadores brancos, contrários a integração racial, protestaram violentamente.

OBAC: mural do respeito

Fotografia em Chicago

Mural do Respeito

Em 1967, um grupo de artistas e escritores criaram uma organização que denominaram de Organization of Black America Culture – OBAC – acrônimo para incluir a palavra OBA, que significa rei ou líder na língua Yorubá.

O objetivo da organização era “prover a comunidade negra de imagens positivas deles mesmos, falando de sua história, realizações e conquistas, além de suas possibilidades criativas. O reflexo da rica e profunda e variada Cultura da História Negra“.

Foi então concebido o Wall of Respect – um mural formado por heróis e heroínas negros agrupados em 7 sessões e criado por 14 artistas, numa busca para resgatar a identidade e construir a autoestima de uma população segregada e maltratada por tantas e tantas décadas.

Chicago

Eu me apaixonei perdidamente pela cidade de Chicago, que se mostrou para mim tão impressionante e incongruente, desde o primeiro instante que a vi. Em nossos dias por lá, caminhamos muito pela cidade, percorrendo as mais variadas áreas, buscando conhecer sua multiplicidade, sentir sua atmosfera.

Contudo, eu nunca aprendi tanto sobre a cidade dos ventos, quanto nas horas em que ficamos no Art Institute of Chicago, lendo e vendo os registros desta sensacional exposição de fotografia em Chicago.

Quer conhecer outras mostras de arte em Chicago?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

A arte de rua de Chicago: tão única quanto a própria cidade

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Fotografia em Chicago

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2020-04-10T15:14:40+00:0020/03/2020|Categories: Américas, Chicago, Estados Unidos|Tags: , |16 Comentários

16 Comments

  1. Juliana 22/04/2020 em 12:17 - Responder

    Que museu importante! Amo fotografia e como ela consegue divertir, informar, chocar, responsabilizar ou ser apenas apreciada pelo receptor. Quero muito visitar Chicago e com certeza irei visitar esse museu.

    • Analuiza Carvalho 22/04/2020 em 17:54 - Responder

      oi Juliana… O Art Institute of Chicago é tão sensacional quanto a cidade! Esta mostra de fotografias foi incrível para nos mostrar um pouco da história da cidade! 🙂

  2. Maria c 24/04/2020 em 19:05 - Responder

    É impressionante (é apaixonante) como imagens estáticas contam tanto e nos emocionam! Já quero conhecer o Art Institute of Chicago! Belo texto!

    • Analuiza Carvalho 25/04/2020 em 09:37 - Responder

      Concordo Maria… as imagens estáticas contam muitas histórias! Essa Fotografia em Movimento, exposição que encontramos no Art Institute of Chicago me contou mais histórias do que eu poderia supor e com isso aprendi um pouco sobre aqueles turbulentos anos de Chicago. Fico feliz em saber que gostou do texto! 🙂 bj

  3. Angela C S Anna 27/04/2020 em 14:57 - Responder

    essa exposição deve ter sodp muito especial, essas fotos em preto e branco tem muito poder em transmitir uma mensagem. interessante ver essa parte de Chicago

    • Analuiza Carvalho 27/04/2020 em 15:02 - Responder

      Eu gostei muito! Além da força das imagens em P&B, são registros históricos que me ajudaram a conhecer um pouco mais sobre Chicago, fatos que até então eu desconhecia.

  4. Carla Mota 27/04/2020 em 15:20 - Responder

    Adorei essa exposição! Fiquei com tanta vontade de ver a FOTOGRAFIA em Chicago. Que lindo! Adoro fotografia, especialmente a preto e branco. Ainda não tive tempo para me dedicar a ela tanto como devia mas quando encontro estas exposições vem logo uma grande vontade.

    • Analuiza Carvalho 30/04/2020 em 14:33 - Responder

      Oi Carla… fotografia em preto e branco tem impacto né?! Ela passam uma emoção muito intensa! Se tivesse talento para fotografia, me dedicaria às P&B. 🙂

  5. Ruthia Portelinha 27/04/2020 em 15:37 - Responder

    As fotografias a preto e branco encerram um dramatismo e uma carga difícil de igualar nas imagens a cores. Percebo porque gostou desta exposição sobre o passado de Chicago. Até porque a década de 1960 foi rica em transformações. A mostra é uma linda homenagem à história da cidade. É permanente ou temporária? Beijinhos

    • Analuiza Carvalho 01/05/2020 em 11:16 - Responder

      oi Ruthia… concordo com você em relação às fotos P&B, elas transmitem uma intensidade difícil de alcançar nas imagens coloridas. Infelizmente, uma mostra temporária… um achado, mas o Art Institute of Chicago sempre apresenta boas mostras. Além do acervo permanente espetacular, vale muito à pena checar o que eles estão exibindo temporariamente. 🙂 bjokas

  6. Diego Cabraitz Arena 27/04/2020 em 20:37 - Responder

    Adoro ver exposições quando viajo, ver essa exposição de fotografia em Chicago:movimento de uma época deve ter sido bem interessante. Gostaria de ter visto de perto.

    • Analuiza Carvalho 27/04/2020 em 20:45 - Responder

      oi Diego… eu também gosto muito de ver as exposições quando viajo e quando não viajo. Tenho visto mostras bem interessantes como esta de fotografia em Chicago. Um achado!

  7. Victoria 28/04/2020 em 17:49 - Responder

    Amei saber mais sobre fotografia em Chicago e que o Art Istitute ir Chicago tem exposições tão interessantes. Vou colocar na minha lista quando for planejar a viagem para os Estados Unidos.

  8. Suriàn 28/04/2020 em 18:18 - Responder

    Nossa que museu incrível. Sou amante da fotografia e adorei este lugar é como ele conta a história. Quando for a Chicago com certeza quero visitar este local. Obrigada pela dica!

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