Entramos em ANA KAI TANGATA

Mais um dia na misteriosa Ilha de Páscoa. Resolvemos neste dia explorar a ilha visitando alguns de seus marcos, entre eles Ana Kai Tangata. Para aproveitar bem o dia, acordamos cedo.

A noite foi de ventania intensa. O barulho era tão ensurdecedor que eu acordei na madrugada com a sensação de que o mundo estava se acabando.

Foi duro voltar a dormir com aquela sensação de estranheza diante daquela natureza desconhecida e nada cálida ou tranquila.

Acompanhe o fim do dia anterior em Rapa Nui:

Ahu Hanga Kioe

O dia amanhece chuvoso e com fortes ventos

ANA KAI TANGATA

Dia amanhece chuvoso e tarde na Ilha de Páscoa

ANA KAI TANGATA

Tênis sujo e molhado após o treino

O dia amanheceu chuvoso com nuvens bem carregadas adornando o céu. Mesmo assim, fizemos um treino de corrida pela ilha. Pelo menos tentamos bravamente.

O vento era tão absurdo que em alguns momentos eu quase não conseguia deslocar, me sentindo em um daqueles filmes em que os personagens andam em câmera lenta.

Pudemos já nesta primeira manhã sentir a força da natureza, que em Rapa Nui é bruta.

Além disso, eu gosto muito de ver o nascer do dia, o que acontece tarde no mês de abril na ilha.

Café da manhã

ANA KAI TANGATA

Café da manhã

De volta ao hotel, tomamos café da manhã, que era servido no quarto, e nos dirigimos para Ana (caverna) Kai Tangata, que fica a oeste da ilha.

Fomos furtados no hotel na Ilha de Páscoa:

Furtada no Tea Nui Hotel

Conseguimos um guia muito competente

ANA KAI TANGATA

A estradinha enlameada depois da chuva matinal

ANA KAI TANGATA

o caminho

A chuva havia parado e o dia clareado um pouco. Caminhamos para Ana Kai Tangata sem pressa, por uma estradinha de carros vazia, que estava bem enlameada por conta do aguaceiro da madrugada, mas que já estava secando.

Durante o caminho, nós tivemos um guia muito especial que nos acompanhou o tempo todo: um dos muitos cachorros que vivem nas ruas de Hanga Roa.

Ele chamou a nossa atenção para a placa que indicava a descida para a caverna. Não fosse por nosso cachorrinho guia teríamos passado direto pela placa, que não estava muito visível.

Ana Kai Tangata

ANA KAI TANGATA

Nosso guia, o cachorrinho que nos acompanhou por todo o caminho

ANA KAI TANGATA

estrada que nos levou a ANA KAI TANGATA – as placas te guiam, como a que está no canto direito da foto

ANA KAI TANGATA

Eu e nosso guia

Esta caverna está relacionada com a cerimônia do homem-pássaro, onde se acredita, por conta de desenhos de inúmeros pássaros encontrados nas paredes, que os atletas que disputariam o ritual anual para o deus Makemake se reuniam aqui.

A lenda conta que todo ano os chefes de cada tribo escolhiam seu competidor, que iria disputar em seu nome o título de homem-pássaro. Os concorrentes deveriam descer pelo vulcão Rano Kau e nadar cerca de dois quilômetros até uma ilhota e pegar os ovos da andorinha negra: a Manu Tara.

Quem pegasse o primeiro ovo daria o título ao chefe que seria o soberano da ilha pelo resto daquele ano. O ritual teria iniciado no século XVIII e durado até o século seguinte, quando os missionários católicos chegaram à Rapa Nui e proibiram os rituais pagãos.

Supõe-se ainda que os rapa nui utilizavam Ana Kai Tangata para construírem canoas ou em rituais de canibalismo.

Literatura relacionada:

+ O Elo de Rapa Nui

Seguindo as placas

ANA KAI TANGATA

Placa com instruções em ANA KAI TANGATA

ANA KAI TANGATA

ANA KAI TANGATA

O que nos ajudou muito na ilha foi sempre ler as placas porque elas não só guiaram o nosso caminho como também nos forneceram, além de informações sobre o local que estávamos visitando, orientações para nossa segurança. Estávamos em meio à natureza e ela é bruta em Rapa Nui, portanto, todo cuidado é pouco.

A descida para ANA KAI TANGATA

ANA KAI TANGATA

A descida para ANA KAI TANGATA

ANA KAI TANGATA

A caverna vista de cima

Ao chegarmos ao topo de Ana Kai Tangata, demos de cara mais uma vez com aquele mar de cor linda, de azul suave, diferente, com ondas violentas que batiam nas pedras com fúria. Havia uma escadinha precária, com um apoio de madeira que nos levava para o interior da caverna.

Confesso que hesitei em me lançar escada abaixo, mas já estava ali mesmo, resolvi arriscar. Valeu a pena. O interior da caverna é interessante e nos dá uma ideia do que era trabalhar naquele lugar. De dentro sentimos ainda mais a força das ondas e o barulho que elas fazem ao bater nas pedras.

Entramos em Ana Kai Tangata

ANA KAI TANGATA

Dentro de Ana Kai Tangata

ANA KAI TANGATA

A caverna

ANA KAI TANGATA

O mar que entra na caverna: a cor do mar é impressionante aqui. Pena que a máquina não captou

ANA KAI TANGATA

As pessoas na caverna

O seu interior não é muito grande e havia outras pessoas ali, como nós, explorando e sentindo, imaginando os antigos habitantes daquela ilha, isolada do resto mundo, construindo canoas ou comendo outras pessoas.

De Ana Kai Tangata seguimos então para conhecer o Ranu Kau. Assim, fomos caminhando, aproveitando os intensos momentos de estar inseridos em meio a essa natureza tão primitiva e diferente do que estávamos acostumados.

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Explorando a Ilha de Páscoa: Ana Kai Tangata, caverna ligada a lendas da ilha

By |2018-03-07T00:58:07+00:0015/08/2014|Categories: Ilha de Páscoa|Tags: |11 Comentários

11 Comments

  1. Mapa na Mão 11/07/2017 em 10:20 - Responder

    Mas como vocês são corajosos! Correr cedo e com chuva! Que passeio lindo. Natureza exuberante. E adorei o guia de vocês, hehehe, fofinho. Beijos.

    • Analuiza Carvalho 11/07/2017 em 10:27 - Responder

      oi Michela… foi uma corrida difícil mesmo, mas valeu pela experiência! rsrsrs A natureza na Ilha de Páscoa é mesmo diferente de tudo o que eu já tinha visitado por aí… Não é fofo esse guia?! Durante toda a nossa estada eles se revesaram e nos acompanharam e foi sério isso: se não fosse por eles, várias vezes teríamos errado o caminho! 🙂 bjs

  2. Francisco Piazenski 11/07/2017 em 12:01 - Responder

    Caramba, adorei o relato! Essa caverna me deixou um pouco assustado, pelo fato de ficar bem perto do mar. Que coragem de vocês correr nesse tempo! rsrs.. Parabéns, adorei a dica!

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:57 - Responder

      oi Francisco… dá medinho sim porque a natureza é imprevisível né?! Se entrasse ali uma tromba d´água viraríamos oferenda para os deuses Rapa Nui. rsrsrsr
      Mas deu tudo certo e foi uma experiência ótima entrar em Ana Kai Tangata.

      O correr foi muito duro porque natureza lá é bruta!!!! Vento não é brincadeira não!!!! rsrsr bj

  3. Di XavierDilma 11/07/2017 em 16:23 - Responder

    Que passeio lindo Ana! Adorei o nome “ANA KAI TANGATA”. Você pode dizer que é um lugar para se chamar de seu 🙂

    • Analuiza Carvalho 12/07/2017 em 08:22 - Responder

      oi Di… Os nomes dos lugares são mesmo interessantes e diferentes para nós! rsrsrsr Vou sim, chamar Ana Kai Tangata de meu! rsrsrs bjus

  4. angiesantanna 13/07/2017 em 06:00 - Responder

    é muito bom quando o lugar se preocupa em colocar placas com as informações, normalmente a galera fica muito perdida e acaba passando reto, sem saber da historias ou curiosidades! ate agora nao consegui falar o nome aheuaheu

    • Analuiza Carvalho 13/07/2017 em 07:44 - Responder

      oi Angie… é verdade! Placas são boas amigas dos viajantes né?! Na Ilha de Páscoa elas foram fundamentais, além claro de nossos cães guia. rsrsrsrs
      bj

  5. Edson Jr 21/07/2017 em 05:11 - Responder

    Que trilha linda, você vai andando na lama e de repente toda essa vista. Muito legal seu guia tambem… rs

    • Analuiza Carvalho 21/07/2017 em 16:29 - Responder

      Ilha de Páscoa é bem isso: surpreende-nos a todo instante! 🙂 nosso guia foi bem eficiente! rsrsrs

  6. […] de Ana Kai Tangata, seguimos para o Rano Kau, o vulcão. Confesso que não estava preparada para aquela grandiosidade. […]

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