Em uma MANHÃ fria na TOSCANA

Era uma manhã fria na Toscana, mais precisamente na bela cidade de Siena. Uma nova semana estava se iniciando. Era cedo e as pessoas começavam a encher as ruas, subindo e descendo a caminho de seus afazeres diários, naquela segunda-feira de outono.

Em outro ritmo, estava um grupo de 4 senhores, parados em meio ao movimento de ir e vir. Estavam em outro plano, em outra energia. O mundo girava para eles em compasso próprio. Não necessariamente lento, veja bem, apenas distinto.

Vestidos de maneira informal, a vida neste momento mudava de sabor e de perspectiva. Algum caso interessante estava sendo contado: um deles falava e gesticulava, enquanto os outros escutavam e prestavam atenção.

Era como se a vida não comportasse mais enganos porque a esta altura aqueles quatro senhores já sabiam que os enganos eram permitidos, aceitáveis e absolutamente necessários. Condição inerente ao bem viver!

Contudo, Maria ainda não tinha esta noção. Estava apenas começando a vida. A ansiedade era sua companheira constante, latente, terminante, intensa.

Maria tinha acabado de concluir os estudos básicos. Estava entrando na fase adulta, sendo cobrada, exigida. Precisava tomar uma decisão. Rápido!

Como?! Ela perguntava-se todos os dias, havia mais de 1 mês! Como?! Como?! Como?!

Ele olhava seu horizonte e o que via eram múltiplas estradas e nenhuma, absolutamente nenhuma lhe apetecia, lhe interessava, lhe atraía. Maria não sabia o que queria ou o que gostava.

Queria tudo e não queria nada. Gostava de tudo e não gostava de nada.

Naquela manhã fria de segunda-feira, depois de mais uma noite mal dormida, ela saiu à rua, cedinho ainda. Sentou-se, sem nem se dar conta, em um batente de pedra na porta da casa de alguém.

Enrolou-se em seu casaco velho, azul, para se proteger do frio, cruzando os braços e puxando as mangas para cobrir as mãos. Ato instintivo, pois Maria estava perdida em pensamentos que seguiam em mil direções contrárias e confusas, como macaquinhos pulando de galho em galho, muitos deles, todos ao mesmo tempo.

Ela nem percebeu o movimento da bela Siena que começava a despertar: estava alheia a tudo e todos.

Ela finalmente levantou-se, esticou os braços, espreguiçou-se, passou pelo grupo de senhores e seguiu de volta para casa sem pressa alguma.

Conheça um pouco de Siena:

A bela Piazza del Campo

By | 2017-10-10T18:46:48+00:00 06/10/2017|Categories: Cenas das Cidades|Tags: |6 Comentários

6 Comentários

  1. Klécia Cassemiro 16/07/2017 em 17:36 - Responder

    um lance de futebol, uma anedota curiosa, uma nova façanha do netinho campeão de estripulias… O que será que conversavam?

    • Analuiza Carvalho 17/07/2017 em 12:23 - Responder

      Não sei… mas penso que era alguma coisa cotiana, interessante por seu caráter de intimidade corriqueira, de familiaridade de quem vive a vida com tranquilidade e envelhece com alegria, sem que os dissabores naturais da vida, perturbem o bem viver… 🙂 beijinhos

  2. Klécia Cassemiro 06/10/2017 em 19:44 - Responder

    Voltei pra falar de Maria: cedo ou tarde, ela vai aprender que a vida passará, ela passarinho (com licença poética).
    Belo texto, querida Ana!

    • Analuiza Carvalho 09/10/2017 em 16:15 - Responder

      Obrigada Klécia… Quem sabe que caminhos Maria irá trilhar?! Curiosa para saber! 🙂 beijocas

  3. maytescaravelli 09/10/2017 em 00:03 - Responder

    Me identifiquei com Maria, ás vezes (muitas vezes) não sei oq eu quero, gosto de tudo e não gosto de nada, a diferença é que não estou mais no começo da vida, e sim no meio dela. =x

    Mas de uma coisa eu nunca tive dúvidas, que a qualquer momento da minha vida, em uma manhã fria, sentada na em uma praça qualquer da Toscana, observando o movimento, seria uma boa pedida!!!

    • Analuiza Carvalho 10/10/2017 em 07:05 - Responder

      oi Maytê… verdade! O ar da Toscana é sempre uma boa ideia! Tomara que tenha ajudado a Maria! 🙂 beijinhos

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