A alegre festa do Dia dos MORTOS no México

O Dia dos Mortos no México é uma festa colorida e cheia de fortes elementos que dizem muito sobre a cultura mexicana. Altares, doces, Catrinas e muitas flores se espalham por diversas cidades no país, personagens cheios de simbolismo. Foi justamente esta celebração popular que nos levou ao país de Frida Kahlo, José Posada e de tantos geniais muralistas.

Numa de nossas noites em Guadalajara, cidade que fica na região mexicana de Jalisco, tivemos um encontro, digamos assim, bem inusitado, curioso, e indecentemente engraçado, com a Morte. Isso aconteceu de fato. Acreditem no que lhes conto, pois juro de pés juntos e muitos beijinhos nos dedinhos.

Tá, explico melhor! Uma amiga tapatia (denominação para quem nasce na região de Jalisco) – obrigada Laura, querida – nos levou para assistir a um monólogo, onde a Morte era personagem de seu próprio drama. Por sorte, sobrevivemos todos – à Morte e aos risos frouxos – e por isso cá estou eu, ainda vivinha da silva, para narrar para você como e onde aconteceu toda esta história.

A Morte queria morrer

A Morte queria morrer! Falo sério com vocês! A Morte queria morrer, desencarnar, empacotar, partir deste mundo… Ela estava cansada, farta de ver tanta gente morrendo e ela ficando, ficando, ficando, o planeta mudando de cara e ela ficando, ficando… Para ser bem honesta com vocês, a D. Morte estava mesmo era entediada com aquele trabalho.

Passar todo o tempo recolhendo almas pra lá e pra cá a estava deixando descontente, fastiada mesmo. Neste mundo atual então, o trabalho estava dobrado com o povo tudo se matando por aí. D. Morte não tinha um único momento de sossego, de respiro, de um dolce far niente como dizem os italianos. Nada, nadica… Só incessante e aborrecido trabalho.

Pois então ela decidiu que também queria morrer!

O Dia dos Mortos é uma festa colorida e cheia de fortes elementos que dizem muito sobre a cultura mexicana. Altares, doces, Catrinas e muitas flores se espalham por diversas cidades no país, personagens cheios de simbolismo. #mexico #guadalajara #diadosmortos #viagem #espiandopelomundo #viajantesempressa

A Morte nos conta que quer morrer! Entediada, ela em meio à escuridão do crematório em Guadalajara, desfia suas tentativas para nós

Esta história nos foi contada pela própria D.Morte, numa noite fria na cidade de Guadalajara no México. Estávamos todos reunidos no cemitério da cidade que naquele Dia dos Mortos estava todo enfeitado com as tradicionais e características flores de forte cor alaranjada que atendem pelo nome de difícil pronúncia Cempasuchil.

Para ser ainda mais precisa, estávamos no crematório que no dito cemitério ficava ao ar livre. O vento cortava nossa pele com seu hálito gélido que nem o brilho do céu estrelado conseguia conter e nos aquecer um pouco. Para que ficássemos bem confortáveis, diversas cadeiras de plástico foram distribuídas pelo espaço do crematório.

Todos se conchegaram; não sei se por conta do frio ou do medo de D. Morte resolver recolher algumas das almas presentes.

Fato é que, tentou de tudo a pobre. Lançou-se com determinação e sem descanso nesta empreitada de morrer, crente do sucesso. Afinal, tanta gente morria o tempo todo que não deveria ser difícil, né?! A Morte tentou veneno, forca, tiro, nadou longe no oceano para tentar se afogar, se amarrou a uma pedra dento de uma piscina funda…

Sinto informar caro leitor, que D. Morte não encontrou uma plateia compreensiva com seu sofrimento. A cada relato detalhado de suas tentativas de deixar este mundo, ríamos todos, com gosto e com vontade, sem pudores ou empatia pela criatura e suas desventuras.

O final desta história eu não conto não. Vai que você, caríssimo leitor, se depara com D. Morte em pessoa e capa preta – se bem que neste festivo Dia dos Mortos, ela estava bem enfeitada. Até saia florida e rodada ela usava, imaginem só! Bom, vai que vocês dois se colocam cara a cara e ela resolve te contar em muitos detalhes e pormenores sobre sua desdita?! Vai que né?! Garanto que ela é melhor contadora de histórias do que eu!

La Catrina

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La Catrina de Jose Posadas

Visitamos o México – um dos destinos mais interessantes que já estive – em plena festa do Dia dos Mortos, uma celebração diferente de tudo o que já tinha visto até então. Isso faz tempo, muito tempo. As cidades estavam coloridas, repletas de altares e muitas flores, com Catrinas, a caveira de Jose Posada, por todo canto, em muitas versões, incluindo da artista local Frida Kahlo.

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Frida Kahlo a la Catrina

Posada (1852-1913) gravurista e cartunista, criou La Catrina, que hoje é reproduzida das mais diversas maneiras, mas em sua composição original ela não tinha roupas e usava apenas um sombrero. Quem a vestiu e lhe conferiu um ar mais aristocrático foi o famoso (e sensacional) muralista Diego Rivera ao representá-la em seu mural “Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central”, uma de minhas obras preferidas do autor.

La Catrina é atraente, de olhar penetrante, ainda que seja apenas um esqueleto. Perdida em charme, muita pompa e elegância, sua criação foi uma crítica e ironia de Posada aos mexicanos pobres que negavam sua ascendência indígena, querendo ser europeus. Ele afirmava que a morte é democrática, pois chega para todos independente de cor, raça, religião. Hoje La Catrina tem a cara do México, conferindo ainda mais identidade a um país que já é tão culturalmente rico.

O Dia dos Mortos no México

Apesar de termos visto manifestações do Dia dos Mortos em algumas das cidades que nós passamos, como em México DF, onde havia bonitos altares de variados estilos no Palácio de Bellas Artes e no Palácio do Governo, foi na interessante Guadalajara que presenciamos as mais fortes e mais tocantes manifestações deste festejo local. Observamos tradicionais altares levantados em homenagem aos mortos, cheios de significados, além de testemunharmos doces e pães gostosos sendo vendidos em forma de caveiras e esqueletos nas praças e feiras da cidade.

Esta é uma data de celebração no país, onde os vivos esperam a visita dos mortos numa demonstração de sincretismo religioso que mistura o culto dos antigos nativos com os rituais católicos.

El Día de los Muertos é celebrado entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro. Entre estas datas as almas de pessoas que já morreram chegam para ver os parentes, por isso, são dias de festa e alegria que marcam o reencontro. Para recebê-los, os vivos oferecem aquilo que mais gostavam em vida, por isso é comum encontrarmos altares com charutos e todo tipo de comida.

Visitamos o cemitério de Guadalajara em dois momentos: durante o dia 31 de outubro onde presenciamos as pessoas limpando os túmulos, preparando-os para a chegada de seus entes queridos, colocando muitos arranjos de cempasuchi. Elas florescem apenas nesta época do ano e eram também as flores de luto do povo Maia. Num segundo momento, durante a noite deste mesmo 31, voltamos para o divertido encontro com D. Morte.

Havia duas sessões para assistirmos ao seu monólogo narrando suas aventuras na tentativa de dizer adiós a este mundo: nós compram as nossas entradas, na hora mesmo, para a primeira. Chegamos cedo e ficamos bastante tempo na fila. Estava lotado.

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As flores típicas das celebrações do Dia dos Mortos: cempasuchi

Os altares celebram a visita das pessoas amadas

Os altares durante as celebrações do Dia dos Mortos podem ser encontrados facilmente em muitos locais públicos de diversas cidades mexicanas. Eles carregam muitos elementos simbólicos como o sal que representa a purificação e as velas que orientam os mortos que vem visitar seus parentes. O pão do morto, que, segundo a tradição, deve ser feito por familiares, pois é uma homenagem, consagração ao defunto e as comidas preferidas para mimar àquele que veio vê-los também aparecem nos altares.

Os rituais começam no dia 30 de outubro quando todas as almas são celebradas. No dia seguinte as almas das crianças chegam. Em seguida, vêm os espíritos das pessoas adultas.

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Altar em celebração ao Dia dos Mortos

Os altares mexicanos são mesmo cheios de significados e tradições. Uma delas se relaciona com os níveis destes altares. Embora atualmente haja muitos deles com dois níveis simbolizando apenas o céu e a terra ou com três níveis que inclui o purgatório, pela tradição os mesmos devem conter sete níveis:

  1. Neste nível se coloca a foto do santo do qual o morto era devoto;
  2. Já este é para as almas que estão no purgatório permitindo que elas possam sair para visitar os parentes;
  3. Aqui se põe o sal que simboliza a purificação para as crianças que estão no purgatório;
  4. No nível quatro se coloca o pão de morto;
  5. No quinto nível estão as comidas preferidas do morto;
  6. No sexto, a foto do defunto a quem o altar se destina;
  7. Por fim, aqui entra uma cruz.
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Altar no correio de Guadalajara

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Um altar em detalhes: pão do morto, comida preferida do homenageado, velas…

O Dia dos Mortos neste país cuja cultura é marcante, a morte é festejada como parte da vida! Recentemente o cinema registrou esta maravilhosa festa mexicana na lindíssima animação Coco, onde rapidamente nos apaixonamos por Miguelito e mergulhamos nas crenças e rituais do país sobre este tema tão certo da vida que é a morte.

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O Dia dos Mortos no México

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2019-02-01T17:38:11+00:0031/01/2019|Categories: A Arte de Viajar|Tags: , , |0 Comentários

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