[8 on 8] COPA do Mundo: HISTÓRIAS e momentos DIVERTIDOS e interessantes no PAÍS SEDE da Copa do Mundo, a RÚSSIA

Crônicas russas: histórias vividas por dois viajantes sem pressa, Leo e eu, na Rússia, o país anfitrião da Copa do Mundo 2018. Um destino de viagem definitivamente imperdível.

Copa do Mundo de Futebol rolando na Rússia. 32 países disputando a tão desejada taça do mundo! Há quem goste, há quem deteste, há ainda aqueles que passam imunes à alegria e bagunça do Mundial. Eu adoro! Não só o esporte como a disputa. Assisto, torço, vibro, palpito nos esquemas táticos.

Quando o Brasil está em campo, fico sem unhas, assisto a partida de pé se o jogo está tenso para nós, brigo com os jogadores, incentivo, pulo, danço e sambo diante da tv.

Infelizmente ontem o Brasil parou diante da Bélgica nas Oitavas de Final. Fiquei triste, mas a Copa do Mundo continua e estarei de olho nas partidas. Por mais algum tempo a Rússia continuará portanto, sendo o assunto da vez. As espetaculares imagens do país estão sendo mostradas a todo instante. Afirmo sem medo de estar equivocada: ele é lindo!

Eu visitei a Rússia alguns anos atrás e fiquei absolutamente encantada. Nas quatro cidades que visitamos – Moscou, São Petersburgo, Omsk e Tomsk – vivemos deliciosas e divertidas histórias.

Aproveitando o evento que mexe muito com os brasileiros (de variadas e distintas maneiras) o projeto [8 on 8] traz neste mês de Julho o tema Copa do Mundo. As imagens estão ligadas ao que vivemos por lá, no país sede da Copa do Mundo, nossas crônicas russas.

O projeto [8 on 8]

O [8 on 8] é um projeto coletivo que propõe uma viagem através de imagens que representam um determinado tema definido mês a mês. O recorte de um lugar está intimamente ligado à maneira como os indivíduos olham, sentem e interpretam o mundo a sua volta.

Olhar uma imagem causa um misto de emoções. Imagens são fontes de inspiração e permitem ao seu observador as mais variadas viagens.

[8 on 8] Copa do Mundo

1 – Uma loja de camisas de futebol no metrô de Moscou

Crônicas russas

A Estação de metrô Paveletskaia em Moscou – camisa de futebol

Uma biboquinha na estação de metrô Paveletskaia – nossa estação na capital da Rússia – vendendo camisas de futebol, objetos de coleção de Leo. Entramos. Ele queria a camisa de um time chamado Lokomotiv de Moscovo ou Локомотив Москва, em russo. Quando Leo começou a pedir informações em inglês, o moleque que estava atendendo ficou confuso e sua expressão de terror me divertiu. Acho que nenhum estrangeiro nunca tinha entrado em seu quiosque antes.

Ele correu para pegar um bloco e uma caneta. Leo anotava as perguntas em inglês, sem muito firula, tipo size, price e ele anotava as respostas. Falar ele não falava, mas se virou muito bem na escrita básica e assim se deu a comunicação: com sucesso.  Leo saiu de lá com a camisa desejada.

2 – Uma lanchonete e salgados em Moscou

Crônicas russas

Uma lanchonete e salgados com gentileza em Moscou

Uma lanchonete em Moscou. Leo e eu mortos de fome num fim de tarde. Uma vitrine de vidro com muitos salgados – eles são deliciosos – mas com todas as informações em cirílico. Eu, chatíssima, queria saber o que havia dentro. As atendentes não falavam inglês. Quando, algum tempo depois, mímicas para cá e para lá, elas entenderam o que nós queríamos.

As moças não contaram conversa. Pegaram os salgados e começaram a abrir para nos mostrar o que havia dentro. Tão inusitado e gentil que quase fiquei sem ação. Quase! Leo escolheu 2 e eu um. Quando ela fez menção de nos vender salgados fechados, pedimos veementemente que não, que por favor nos vendesse os já abertos. Elas relutaram, mas finalmente cederam e nos deliciamos com nossos lanches e seus sorrisos.

3 – Uma mamuska muito gentil no Museu Hermitage em São Petersburgo

Crônicas russas

O Museu Hermitage em São Petersburgo

Quando entramos no Museu Hermitage – meu maior objeto de desejo em São Petersburgo – Leo e eu nos separamos. Raramente seguimos os mesmos caminhos dentro de um museu. Em determinado momento eu estava absolutamente perdida, sem conseguir achar a sala que eu queria visitar. Fui pedir ajuda a uma das mamuskas do Hermitage. Desorientada do jeito que eu sou, não conseguia entender suas mímicas que, em teoria, me direcionavam para o local pretendido.

Ela então, percebendo que não estávamos chegando em canto algum, me pegou pelos braço com um imenso sorriso – fui muito agarrada pelas mamuskas em todas as cidades visitadas e eu adorei isso – e me levou através de várias salas até onde eu queria ir. Estava fechada e era isso que ela o tempo todo tentava me dizer!

Literatura relacionada: As Madonas de Leningrado

4 – Um motorista doido em Peterhof

Crônicas russas

Um ônibus e um motorista doido

Fomos visitar Peterhof um dia – um lugar lindo -, de barco na ida (um tédio) e de micro ônibus na volta (uma loucura!). O micro estava lotado e ficamos em pé tipo sardinha em lata. O motorista era insano: saiu costurando todo mundo no trânsito, imprimia velocidade quando podia e quando não podia e parava nos pontos com freadas bruscas. Eu tive certeza que iríamos morrer em algum lugar entre Paterhof e Petersburgo.

Eu já tinha notado que o trânsito na Rússia era uma doideira, com motoristas absolutamente loucos, mas foi bem diferente estar enfiada num pequeno ônibus que seguia loucamente pelas vias russas. Quando chegamos, eu suspirei mil vezes de alívio e mal conseguia andar.

5 – Leo e eu fomos VIP em Omsk na Sibéria

Crônicas russas

VIP em Omsk na Sibéria

Já que estávamos na Rússia Léo resolveu correr a Maratona de Omsk na Sibéria. Uma cidade lindinha e gelada. Havia cerca de 800 inscritos na corrida de 42 quilômetros e uns quebrados. Estrangeiros?! Apenas 6! Leo do Brasil, uma canadense, um inglês, dois finlandeses e um italiano que nunca apareceu. A organização da prova então designou uma guia para nós: ela nos pegou no aeroporto, ficou responsável pelos kits da corrida, organizou almoço e jantar e acompanhou os corredores até a largada.

Para os acompanhantes como eu, ela providenciou crachá que dava acesso à área de imprensa e dos corredores de elite, onde observei os feras da maratona e seus rituais antes da largada. Pude ver ainda Leo chegar de uma área reservada e foi bem emocionante! Até hoje quando vejo o vídeo que fiz dele chegando, de um ângulo inédito para mim, eu choro.

Percebi que adoro ser mimada.

6 – Uma mesa retangular num restaurante lindo em Omsk com pessoas de várias nacionalidades debatendo o mundo

Crônicas russas

Aconchego em torno de uma mesa, com boa conversa e deliciosa comida

Um almoço em Omsk, já que éramos VIPs. Na mesa um inglês, dois brasucas, dois canadenses e uma russa. A conversa?! Nossos países! Cada um falou um pouco sobre sua cultura, o que sabia e achava do país dos outros, piadas foram contadas. Estávamos absolutamente à vontade, aquecidos, com boa comida, enquanto o clima do lado de fora estava abaixo de zero. Era verão na Sibéria!

Contudo, a curiosidade geral era mesmo sobre a Rússia. Alessandra, a guia, não se absteve de responder a nenhuma das perguntas colocadas. Mostrou forte admiração por Putin (presidente russo), protetor de seu povo, como afirmou ela com convicção e orgulho. Era um momento politicamente tenso entre Rússia e outros países europeus.

Por isso foi muito interessante observar o outro lado da moeda, o ponto de vista de uma russa que contrariava a opinião geral de outros países ocidentais. Entretanto, o que me marcou naquele almoço foi a frase dita pelo inglês: o que mais me surpreendeu na Rússia, disse ele, é que vocês são normais, muito ocidentais. Não é uma cultura diferente das nossas, concluiu ele.

Parece preconceito, e talvez seja, mas ele sintetizou o pensamento de todos. Fechada por tanto tempo, a gente não sabia exatamente como era a cultura russa, o que encontraríamos no país, especialmente na Sibéria. Foi de fato espantoso perceber que no geral a Rússia é muito similar à maioria dos países ocidentais.

7 – Uma senhora numa pequena igreja em Tomsk

Crônicas russas

Uma pequena igreja em Tomks, Leo e uma senhora

Chovia muito em Tomsk e Leo e eu caminhávamos meio sem rumo, observando a movimentação da pequena cidade. Avistamos então na rotatória de Lenin uma igrejinha. Fomos conhecê-la. Eu não lembro bem porque entrei e saí rapidamente, enquanto ele se deixou ficar. Uma senhorinha entrou logo depois de minha saída, puxou assunto com Leo e através de muitas mímicas e umas palavras arranhadas em inglês ela foi contando sobre a igreja ortodoxa russa, seus símbolos e tal.

Por incrível que possa parecer, devido às dificuldades de comunicação, foi uma conversa longa. Em determinado momento ela perguntou a Leo se eu não era religiosa. Ela chegou a esta conclusão por minha presença do lado de fora da linda igrejinha.

8 – Uma moça simpática na loja de chá em Tomsk

Crônicas russas

Numa noite em Tomsk, eu e meus chás com experiência

Adoro chás. Encontrei em Tomsk uma loja com uma variedade imensa deles de várias partes do mundo. Todas as informações em russo. A jovem atendente não falava nada, absolutamente nada em inglês. Quando eu já estava desanimando ela me chamou e apontou para o computador – quando viajamos para a Rússia a conectividade não era tão ampla como atualmente. Notei que a tela estava aberta no tradutor. Então eu apontava para um chá, ela me deixava sentir o aroma e depois explicava do que era.

Em seguida, mudava o teclado do cirílico para os nossos caracteres para que eu pudesse digitar em inglês,convertia o teclado novamente e então me respondia. Toda a nossa comunicação foi feita assim, pacientemente. Comprei vários deliciosos chás e à época achei aquilo de uma criatividade sensacional.

Crônicas russas

Eu fui mesmo absurdamente bem tratada na Rússia. Eu amei conhecer seus monumentos, a maioria deles absurdamente estonteantes, cheios de superlativos, mas o que mais me marcou no país foi mesmo a simpatia, a gentileza e delicadeza com que fui tratada. Esperava encontrar se não rispidez, no mínimo frieza. Foi com muita deliciada surpresa que descobri toda a afabilidade russa comigo e com Leo.

Estas foram apenas algumas das muitas crônicas russas, estas maravilhosas histórias que vivemos pelo país. Há ainda muitas, muitas outras por contar.

Se você gostou do tema Copa do Mundo do Projeto [8 on 8] e deste texto sobre nossas crônicas russas, eu te convido, meu querido viajante, a conhecer os outros blogs participantes e descobrir seus olhares sobre o tema.

Let’s Fly Away, por Lulu: [8 on 8] Viaje pelos 8 países campeões da Copa do Mundo  

Quarto de viagem, por Flávia: [8 ON 8] – 8 países que realizaram a Copa do Mundo 

Quer conhecer outro tema bacana do Projeto [8 on 8]?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

+ [8 on 8] Cenários de filmes: um encontro entre ficção e realidade

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O Projeto [8 on 8] de Julho traz como tema a Copa do Mundo. O Espiando pelo Mundo conta então as histórias interessantes e divertidas vividas por Leo e Ana no país sede da Copa do Mundo, a Rússia, um destino de viagem incrível. Algumas cidades, oito crônicas russas. #viajar #Russia #Moscou #Petersburgo #Omsk #Tomsk #espiandopelomundo #viajantesempressa #pelomundo              O Projeto [8 on 8] de Julho traz como tema a Copa do Mundo. O Espiando pelo Mundo conta então as histórias interessantes e divertidas vividas por Leo e Ana no país sede da Copa do Mundo, a Rússia, um destino de viagem incrível. Algumas cidades, oito crônicas russas. #viajar #Russia #Moscou #Petersburgo #Omsk #Tomsk #espiandopelomundo #viajantesempressa #pelomundo

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Crédito: tanto a foto de capa quanto dos pins que ilustram o Crônicas russas são do site Unsplash de autoria, em ordem de aparição de: Rawpixel, Kelly Sikkema e Aaron Burden.

[8 on 8] Copa do Mundo: Crônicas russas

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Cais da Ilha de Genebra

 

By | 2018-07-08T11:17:50+00:00 08/07/2018|Categories: A Arte de Viajar|Tags: |10 Comentários

10 Comentários

  1. Ruthia Portelinha 08/07/2018 em 15:11 - Responder

    Que linda participação, Analuiza. Como você diz, fala de qualquer tema, desde que com liberdade poética. E quanta poesia reside nestes pequenos momentos, em que a paciência e a delicadeza permitem ultrapassar as dificuldades de comunicação.
    Beijinho querida

    • Analuiza Carvalho 09/07/2018 em 09:51 - Responder

      oi Ruthia querida… fico tão feliz que tenha apreciado minhas crônicas russas! Elas fizeram toda a diferença em minha viagem à Rússia, toda a delicadeza, gentileza e paciência das pessoas diante de nossa ignorância a respeito de seu difícil idioma. Sempre vou guardar em meu coração estas lembranças e a boa receptividade do povo para conosco. Sem dúvida alguma os pequenos momentos carregam a poesia da vida! beijos grandes

  2. Flávia Donohoe 10/07/2018 em 13:30 - Responder

    Não tem como não se apaixonar pela cidade e pelos seus textos. Sempre tão poéticos e cheios de história. Não conheci outras cidades da Rússia, mas a cada lida dá muita vontade de voltar. Obrigada pelos seus textos tão poéticos. Beijos

    • Analuiza Carvalho 10/07/2018 em 17:15 - Responder

      Fico feliz que tenha gostado de nossas histórias, eu as adoro, em solo russo! Fomos tão bem tratados por lá! 🙂 Volte, volte… conheça mais cidades! Eu quero voltar para ver mais com certeza! 🙂 bj

  3. Gabi Torrezani 11/07/2018 em 05:30 - Responder

    Que delícia ler esses causos, sao sempre as melhores coisas da viagem, né? Fiquei surpresa com a atitude das moças da lanchonete abrirem os salgados para vocês saberem o que tem dentro… que gentileza, imagina se fosse assim no mundo todo quando alguém nao te entende, ao invés de dificultar mais tentar facilitar a comunicaçao? adorei!

    • Analuiza Carvalho 13/07/2018 em 15:32 - Responder

      Oi Gabi… acho que estas gentilezas foram o que me fizeram gostar tanto da Rússia. Algumas coisas como esta história dos salgados me impressionaram bastante! Nunca tinha passado por nada semelhante. De um modo geral o que senti por lá foi que mesmo com toda a dificuldade de comunicação, as pessoas queriam ajudar e para tanto não mediam esforços! 🙂 bjs

  4. Paula Abud 11/07/2018 em 16:12 - Responder

    Que texto incrivel, Analuiza! Acho a Rússia fascinante e fiquei ainda mais encantada e curiosa para conhecê-la, agora que vi momentos tão afáveis e encantadores num país que realmente parece-me mais fechado, mais intimista com sua cultura. Mas fico feliz em saber que apesar de toda a aparência retraída, a Rússia é um país aconchegante.
    Queria muito estar na Copa do Mundo, quem sabe no Catar! Também sou como você: apaixonada por futebol, só nos diferenciamos no clube, sou São Paulina rs! Mas em Copa todos somos Brasil!
    Beijos.

    • Analuiza Carvalho 14/07/2018 em 13:13 - Responder

      Olá são paulina! rsrs Eu também fiquei muito surpresa com a afabilidade do povo russo comigo e com Leo; foram muitas as histórias como essas de receptividade. Eu também pensei que os russos fossem fechados, enfezados, mas minha experiência foi cheia de alegria, amor e criatividade. 🙂 bjs

  5. angela sant anna 12/07/2018 em 10:40 - Responder

    ahhh q bonitinhas abriram os salgados e queriam vender os fechados!! gostei tb do rapaz q abriu o pc pra traduzir!

    • Analuiza Carvalho 12/07/2018 em 15:14 - Responder

      Fofos, não?! Eu também achei e por essas pessoas me encantei tanto com a Rússia! bjinhos

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