Cosimo de MEDICI de Luiz Felipe D´Avila

50! 50 dias de isolamento social! 50 dias sem treinos de corrida de rua, sem academia, sem ver a família, sem encontro com amigos. 50 dias dando aulas de Hatha Yoga online. 50 dias vendo filmes, séries e lendo muitos livros, dentre eles Cosimo de Medici – Memórias de um Líder Renascentista.

O projeto [8 on 8] deste mês de maio, tem como tema: “Adoraria visitar de novo”. Quando acabar o isolamento social, quando conseguirmos vencer a pandemia, quando as fronteiras do mundo forem abertas que lugar eu gostaria de revisitar?!

Pensei em alguns. Muitos para falar a verdade! Desejei uns, quis outros, mas resolvi que se pudesse ir para qualquer lugar que já tenha visitado alguma vez nesta vida, este destino seria Florença na Itália, uma das cidades mais sensacionais e apaixonantes que eu conheci.

Como não posso voltar à Florença por enquanto, revivi um pouco da cidade através do livro de Luiz Felipe D´Avila, revistando o intenso passado florentino, conhecendo e relembrando fatos que envolveram um dos mais importantes dos Medici: Cosimo, o velho.

O Projeto 8 on 8

O [8 on 8] é um projeto coletivo formado por mulheres incríveis que propõe uma viagem através de imagens que representam um determinado tema definido mês a mês. O recorte de um lugar está intimamente ligado à maneira como os indivíduos olham, sentem e interpretam o mundo a sua volta.

Olhar uma imagem causa um misto de emoções. Imagens são fontes de inspiração e permitem ao seu observador as mais variadas sensações e interpretações.

Cosimo de Medici de Luis Felipe D´Avila

Cosimo de Medici de Luiz Felipe D´Avila

Cosimo de Medici de Luis Felipe é um livro de ficção que conta a história de Cosimo, il vecchio, banqueiro, mecenas, religioso, homem público, amante dos livros, das artes e filosofia. Viveu em Florença entre os anos de 1389 e 1464, transformando-a numa das cidades mais poderosas, cultural e financeiramente, da Europa.

Em Florença está o berço da Renascença. Cosimo de Medici foi um dos principais responsáveis pelo florescimento e eferverscência artística da espetacular cidade italiana no século XV, entre outras tantas contribuições nas áreas política, econômica e religiosa.

Cosimo de Medici – o cidadão mais importante, rico e influente de Florença na segunda metade do século XV.

A história é contada em primeira pessoa: Cosimo, ele próprio vai narrando sua trajetória em Florença, suas reflexões, seus sentimentos a respeito dos acontecimentos mais importantes da cidade. Uma mistura, portanto de realidade e fantasia.

Já que em tempos de pandemia não está permitido perambular pelo mundo, deambulei por Florença, observando suas transformações no século XV, desejando um dia voltar a visitar esta belíssima e tão caprichada cidade italiana.

Batistério de São João e a Cúpula do Duomo

Cá estou mais uma vez em Florença, em companhia de Brunelleschi e Lorenzo Ghiberti, amigos de Cosimo, que disputam um concurso promovido pela cidade para esculpir as portas do Batistério. Terminaram empatados, mas Filippo se recusou a trabalhar em equipe e abandonou o projeto. Lorenzo assumiu e criou uma obra magnífica.

As Portas do Batistério de São João Batista são das coisas mais bonitas, dentre tantas que ornam Firenze, que eu já tive o prazer de ver ao vivo e em cores. As originais se encontram no Museu da Catedral de Florença. No Batistério, estão réplicas.

Anos mais tarde, Brunelleschi ganhou novo concurso e assim construiu, sozinho, o que é considerada sua maior obra-prima: a cúpula de Santa Maria del Fiori. Estupenda e moderna estrutura de engenharia e arquitetura.

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

As portas do Batistério de Ghiberti

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

A cúpula de Brunelleschi

Com os olhos da imaginação, me encontrei novamente, diante desses dois monumentos tão florentinos, tão espetaculares. Coisa magnífica conhecer a história por trás das pedras, das estruturas… Elas, além de beleza, ganham alma e significado!

Cosimo de Medici de Luiz Felipe nos oferece fatos e a tentativa de descobrir acerca dos pensamentos e reflexões de Cosimo, o velho. Ao se apoderar de sua mente, ainda que de maneira fictícia, apenas supondo o que o estadista queria e desejava, o escritor nos proporcionou um personagem apaixonante.

Santa Maria del Fiori, um papa, um imperador

Através da narrativa de D´Ávila me vi novamente dentro da bonita Santa Maria del Fiori, a Catedral de Florença. Ali, aconteceu o encontro entre o Papa Eugênio IV e o imperador bizantino João Paleologus durante o concilio eclesiástico de 1439, para discutir as divergências entre as duas igrejas: Católica e Ortodoxa e a política relacionada a Constantinopla.

Muitos doutores da Igreja, diplomatas e cortesãos, filósofos e artistas, além de comerciantes e membros do clero, aportaram naquelas terras. Que sensacional estar no palco de grandes acontecimentos históricos. Se eu gostaria de ter presenciados tantos debates?! Sem nenhuma dúvida!

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

No interior de Santa Maria del Fiori, a Catedral de Florença

O concílio aconteceria inicialmente em Ferrara, mas por conta da falta de dinheiro do Papa, que tinha por obrigação manter os convidados ortodoxos por todo o concílio (cerca de 700 pessoas), além da ameaça de surto da peste, Cosimo de Medici, estrategicamente sugeriu levar o evento para sua cidade, com o Banco Medici bancando as despesas da corte bizantina, liberando o papa de tais despesas.

Desse modo, promoveu em Florença, intensa troca cultural, de ideias e de mercadorias, durante os dias em que a conferência ocorreu – quanto devem ter sido extraordinários aqueles dias! – Como resultado posterior, anos mais tarde quando Constantinopla caiu diante dos turcos, vários filósofos e artistas buscaram asilo em Florença.

(…) da invasão turca provocou o êxodo em massa dos acadêmicos, artistas e cortesãos, para a Europa. A maioria retornou para Florença, munida de manuscritos, erudição e conhecimento, que foram rapidamente absorvidos por artistas, intelectuais e estudantes (…)

A bela cidade, então, tornou-se ainda mais interessante, culta, artística, apaixonante. Explica, com total certeza, parte do seu fascínio, com este intenso intercâmbio cultural, de conhecimentos antigos e da construção de outros tantos novos.

Piazza della Sigoria, uma prisão

Uma passagem no livro narra a prisão de Cosimo, o velho. Vítima de intrigas e traições tão comuns na história da humanidade, foi jogado numa cela na torre do Palazzo della Signoria, antiga sede do governo do ducado da Toscana, hoje chamado Palazzo Vecchio, localizado na Piazza della Signoria.

Com inteligência, tática e diplomacia, virou o jogo.

Enquanto ainda estava preso, teria olhado pela janela, observando a Piazza della Signoria vazia… Licença poética do autor, suponho, mas que dá suporte aos acontecimentos de então. Fato é que me remeteu às minhas próprias lembranças e vivências nesta praça onde bate o coração de Florença.

Tantas e tantas vezes passei por ela, permaneci nela, enamorada.

A primeira vez que a visitei, foi em minha primeira noite na cidade. Estava gelada, o inverno se aproximava, os ventos cortaram, congelaram minha alma… Havia certo movimento, a Loggia dei Lanzi estava iluminada (estrutura do século XIV, que já desempenhou diversos papeis e hoje abriga extraordinárias esculturas) e o Palazzo Vecchio, reinava absoluto.

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

Piazza della Signoria – onde bate o coração de Florença

Galleria degli Uffizi e Igreja de San Lorenzo – arte e amizade

Cosimo foi contemporâneo de grandes estudiosos e pensadores que tinham como fonte os filósofos da antiguidade: Marsilio Ficino, Carlo Marsuppini, Leonardo Bruni… O Medici promoveu a tradução de inúmeros manuscritos gregos, criando inclusive um centro de estudos gregos na Universidade de Florença.

Quando o conhecimento é compartilhado, a ignorância diminui, o progresso floresce e o espirito cívico se fortalece.

Amante das artes, atuou como mecenas. Se tornou amigo e encomendou obras a grandes artistas como Fra Angelico “que soube dar forma e luz à fé (…) antes de começar a trabalhar, ele rezava (…). ” e a Filippo Lippi “famoso pelo talento artístico e pelas histórias escandalosas.“. Ambos frades, ambos extraordinários.

A espetacular Galleria degli Uffizi abriga obras dos dois artistas. De Filippo Lipi na Uffizi, “A Coroação da Virgem” (1439-1447) é meu preferido pela cena repleta de expressões e detalhes. De Fra Angelico há uma única obra de mesmo nome “Coroação da Virgem” (1455).

Duas representações de mesmo tema, mas abordagens completamente distintas, que diz muito sobre a personalidade de cada um deles.

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

A Galleria degli Uffizi que abriga obras de grandes artistas

Cosimo foi grande amigo ainda de um dos maiores artistas renascentistas: Donatello, cuja estátua está na entrada da Uffizi. “Com a voz embargada e emocionada, Donatello pediu-lhe (ao filho de Cosimo, Piero) que fosse sepultado ao lado de Cosimo na Igreja de San Lorenzo“. A Igreja de San Lorenzo é obra de Filippo Brunelleschi.

Seu pedido foi atendido.

No Museu da Catedral de Florença (Museo dell´Opera del Duomo) há algumas obras de Donatello, como a impressionante escultura de São João Batista sentado e a minha preferida, Maria Madalena arrependida, representação diferente de tudo que já tinha visto até então.

Cosimo encomendou a Donatello, um Davi, símbolo da República Florentina e defensor da liberdade. Mesmo com estes atributos, o famoso escultor criou uma imagem delicada, juvenil, quase efeminada. Foi esculpido em bronze, nu, parecendo estar em repouso.

Está exposto no excelente no Il Bargello.

A Igreja de San Lorenzo onde estão enterrados Cosimo, il vecchio e Donatello

Conclusão

O livro de Luiz Felippe é bom! A narrativa em primeira pessoa é agradável e nos aproxima de Cosimo de Medici, apesar de ser uma obra de ficção. Seus pensamentos e sentimentos surgem da imaginação e suposição do autor, mas os fatos são reais.

Quanto ele se aproximou da verdade, jamais saberemos.

Fato é que Cosimo, il vecchio, foi um dos grandes Medici e um dos nomes fortes e queridos de Florença. Influenciou os rumos políticos, econômicos e culturais dessa extraordinária cidade. Voltar ao berço do Renascimento, relembrando os acontecimentos daquela época foi uma viagem, sem sair de casa em tempos de pandemia, maravilhosa.

Cosimo de Medici de Luiz Felipe

Toda a beleza de Florença, cidade que certamente eu gostaria de voltar um dia

Cosimo de Medici

Autor: Luiz Felipe D´Avila (Brasil)

Editora: Ediouro

Números de Páginas: 157

FIM

Leia também os outros textos do projeto 8 on 8, 8 com o tema “Adoraria revisitar”:

Travel Tips Brasil Serra da Estrela Portugal – uma visita imperdívelViajante Econômica – Hamburgo: uma cidade alemã para voltar sempreChicas Lokas – 8 lugares gratuitos para visitar de novo no Rio de JaneiroO Berço do Mundo – Cabo Verde: razões para voltarLet’s Fly Away – Jardins de Monet em Giverny: inesquecível bate-volta de Paris [8on8]

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Cosimo de Medici de Luiz Felipe D´Avila              Cosimo de Medici de Luiz Felipe D´Avila

Cosimo de Medici de Luiz Felipe D´Avila              Cosimo de Medici de Luiz Felipe D´Avila

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Cosimo de Medici – Memórias de um Líder Renascentista de Luis Felipe D´Avila

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2020-07-20T14:24:08+00:0008/05/2020|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , , |10 Comentários

10 Comments

  1. Lulu Freitas 09/05/2020 em 22:51 - Responder

    Amei o post!!!! Como sempre um texto cheio de criatividade, informação e delicadeza no olhar. Demais o seu recorte de unir um livro e uma cidade. Ainda mais a linda Florença. Um lugar que também tenho recordações lindas em dois momentos da minha vida. Na primeira viagem, solteira com amiga (livre, leve e solta rsrs) e na segunda, comemorando 1 ano de casamento.

    • Analuiza Carvalho 11/05/2020 em 10:46 - Responder

      Fico muito feliz que tenha gostado do texto Lulu… foi um prazer imenso voltar a Florença através de minhas lembranças e do livro Cosimo de Medici! Impressionante a Florença do século XV… Que duas visitas mais distintas não devem ter sido hein?! bjokas

  2. Ruthia Portelinha 14/05/2020 em 11:47 - Responder

    Gostei do seu recorte, a partir de um livro, ainda por cima um romance histórico (que é o meu estilo literário favorito). Essa é uma forma muito prazerosa de voltarmos a um lugar onde já fomos fellizes. Sim, porque eu acredito que devemos voltar (muitas vezes) aos lugares amados. Eu já estive em Itália umas quatro vezes e espero que muitas mais ainda me esperem. Acho que é a mistura de história, arte e comilança que tanto me atraem no país da bota.

    Por acaso ainda não estive em Florença, mas tenho lido tanto sobre a cidade, que já me é querida. Em Verona existe também uma igreja com uma porta esculpida em relevo magnífica, mas não é doirada.

    Acho que viajei com vc, protanto só tenho que agradecer a sua boleia.
    Beijinhos

    • Analuiza Carvalho 19/05/2020 em 09:37 - Responder

      oi Ruthia… menina, também tenho muito apreço por romances históricos. Conhecer a história do mundo através de personagens fictícios me enche de encanto. Revistar lugares já vistos nos diz muito sobre nós mesmos, não?!

      Vá a Florença. Você certamente irá se apaixonar! Só te dou um conselho: reserve muitos dias! Imagine a cidade como um país! Muitos dias não serão suficientes, mas ainda assim, você conseguirá desfrutar da cidade! Vamos sempre andar juntas em nossas boleias! 🙂 bjinhos

  3. Cecilia 14/05/2020 em 17:37 - Responder

    Incrível como você nos faz viajar pela história real e a contada no livro de Luiz Felipe. Ainda não conheço Florença, mas fico imaginando como foi a época de Cosimo de Medici pelo seu olhar apurado de leitora viajante. Amei! Beijos, querida.

    • Analuiza Carvalho 15/05/2020 em 11:51 - Responder

      oi Cecília… adoro essa coisa de leitora viajante! Os livros nos levam além da vida, nos levam pelo mundo e quando estou no mundo, o vejo de maneira diferente quando antes viajei pelas páginas de um livro. Para mim, são dois lados de uma mesma moeda: ver o mundo! 🙂

  4. Denise Barreto 19/05/2020 em 12:31 - Responder

    Ainda não conheço Florença, mas foi uma delícia ler seu texto e assim visitar a cidade! O fato de ter ido à cidade e ler a obra neste momento deve ter trazido lembranças lindas! Achei seu post muito criativo! Beijos!

    • Analuiza Carvalho 19/05/2020 em 14:14 - Responder

      oi Denise, me deixa feliz saber que gostou desse texto. Voltar à Florença através de Cosimo de Medici foi sem dúvida uma viagem deliciosa! 🙂

  5. Mariana Menezes 28/05/2020 em 09:25 - Responder

    Oi Ana,
    bela ideia a sua de unir uma leitura a uma lembrança de viagem e assim passear por Florença junto da história de Cosimo de Medici. Eu acho bacana quando leio algum livro que se passa em algum lugar que já visitei, acho que a gente entra mais na história né, por ser um lugar que nos é familiar!
    Florença é mesmo uma belíssima cidade que eu morro de vontade de voltar… fui há décadas!
    Adorei o post. Ficou lindo! Parabéns.

    Bjs,
    Mari

    • Analuiza Carvalho 29/05/2020 em 10:20 - Responder

      Ler Cosimo de Medici não só me levou de volta a Florença, o que foi realmente sensacional, como me fez entender um pouco mais essa cidade fascinante, que eu também morro de vontade de voltar!!! 🙂 Fico feliz em saber que você gostou do post, Mari. bjokas

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