A Corrida SAGRADA na Lavagem do BONFIM: tradições BAIANAS

A Corrida do Bonfim é uma das corridas de rua mais famosas, animadas e estimadas de Salvador: cheia de tradição, ela carrega indescritível emoção! Ela percorre as ruas de uma Salvador antiga, caótica, peculiar, maravilhosa!

É o evento que abre o calendário de corridas de rua da cidade.

A Corrida do Bonfim acontece no mesmo dia da Lavagem do Bonfim, daí o nome. A Lavagem é uma das festas populares mais importantes da capital baiana, acontece todos os anos no mês de janeiro, arrasta uma multidão… é linda de ver e de viver.

Na Lavagem do Bonfim, o sagrado e o profano se misturam e caminham juntos. Na Corrida Sagrada suor, energia, alegria e determinação se mesclam e se combinam.

A corrida do Bonfim

Os corredores se reúnem em frente à belíssima Igreja da Conceição da Praia, a igreja mais bonita de Salvador em minha opinião, antes de o cortejo das baianas sair em procissão. O caminho trilhado por devotos e atletas é o mesmo: cerca de 6,5 km saindo da Conceição e chegando à Igreja do Bonfim.

A corrida larga às 07:30 da manhã e o cortejo sai às 10:00. Claro que o horário é só uma formalidade, pois ano após ano, os eventos atrasam. É um negócio deliciosamente bagunçado, uma corrida por pura diversão.

A corrida do Bonfim já virou tradição soteropolitana.

Eu já corri algumas vezes. Léo corre todos os anos. Ele não abre mão de estar lá, desde que virou corredor de rua em Salvador, cidade que ganhou seu coração.

As inscrições costumam esgotar rapidamente, mas muita gente corre na pipoca (termo usado em Salvador para quem corre sem estar inscrito). Normalmente esta prática não é muito bem vinda, mas na Corrida do Bonfim, as ruas não são fechadas para o evento e sim para a Lavagem. Desse modo, dividimos a pista com caminhantes, devotos, ambulantes…

Animação na concentração

Corrida do Bonfim em Salvador: #corridaderua

Leo, eu e Ernesto na concentração em frente à Igreja da Conceição da Praia, num ano qualquer

Encontramos muitos amigos e conhecidos na concentração da Corrida do Bonfim, em frente a Igreja da Conceição da Praia: é sempre uma grande festa, claro. Risos e cumprimentos. Votos de boa corrida e ótimo novo ano! Sim, porque com a Corrida do Bonfim, o ano de fato começa!

Durante o percurso, passamos por alguns símbolos da Salvador antiga. Tudo começa em frente à belíssima Igreja da Conceição da Praia, construída no século XVII, em estilo gótico, por determinação de Tomé de Souza, onde acontece a largada da corrida e inicia a caminhada sagrada.

A animação é contagiante: as pessoas se alongam, aquecem, confraternizam, rezam, se benzem, pedem proteção ao Senhor do Bonfim/Oxalá. Nós encontramos os amigos, porque correr em casa tem destas coisas, destes encontros.

Da Igreja da Conceição da Praia até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim: símbolos eternos da cidade de São Salvador

Corrida do Bonfim

A Igreja da Conceição da Praia do lado direito e o Elevador Lacerda do lado esquerdo da foto
Foto: Carlos Galassi

Corrida do Bonfim

Elevador Lacerda – Foto: Carlos Galassi

Começa a corrida e logo passamos pelo Elevador Lacerda (o elevador liga a Cidade Baixa à Cidade Alta) que carrega este nome em homenagem ao engenheiro que o construiu: Augusto Frederico de Lacerda, no século XIX.

Em seguida, o Mercado Modelo aparece bem em nossa frente, inaugurado no início do século XX. Hoje abriga cerca de 260 lojas que vendem artesanato e lembranças locais: dois cartões postais da cidade.

Entramos na avenida Miguel Calmon. O dia costuma ser quente e ensolarado nesta época do ano, mas o percurso é arborizado, o que alivia um pouco, o calorão. Mas não muito! À medida que vamos deixando os quilômetros para trás observamos o lado profano da festa sendo montado: barraquinhas de bebida e comida, feijoada nas casas comerciais, música para todo gosto, um vai e vem de gente.

O povo grita incentivando os corredores, muitos deles já com sua cervejinha gelada na mão.

Chegamos então na avenida Jequitaia e vemos o Mercado do Ouro, construído no fim do século XIX, antigo local de venda de verduras, temperos e frutas entre outros produtos e onde hoje funciona o Museu du Ritmo de Carlinhos Brown e dos timbaleiros.

Ainda na Jequitaia (que só foi aberta em 1940) está o Trapiche Barnabé, construído lá pelo século XVIII: já foi soterrado, sofreu com incêndios e leva o nome de seu fundador, o Capitão Barnabé, além do plano inclinado (inaugurado em 1932) que liga a Cidade Baixa ao Santo Antônio Além do Carmo.

Mais quilômetros vão sendo vencidos e chegamos ao bairro da Calçada, primeiro bairro entre a Cidade Baixa e o subúrbio ferroviário de Salvador.

Vislumbro à esquerda a Feira de São Joaquim (em um espaço de cerca de 60 mil metros quadrados) onde produtos ligados à cultura popular são vendidos.

À minha direita está a belíssima Igreja dos Órfãos de São Joaquim (construída no início do século XVIII e onde hoje acontecem bonitos casamentos). No Largo de Roma encontramos as Obras Sociais de Irmã Dulce.

A Colina Sagrada

Corrida do Bonfim

Chegando à Colina Sagrada 6,5 quilômetros depois

Estamos muito perto agora.

Chegar aos pés da Colina Sagrada é uma emoção que não se descreve! Mexe com alma, arrebata os corações, nos faz verter lágrimas: de alegria, de esperança, de força! A Corrida Sagrada é uma corrida com uma  energia diferente, forte, intensa. Independente de quem tem ou não religião.

Os últimos 100 metros são duros, o calor já está intenso, as pernas começam a falhar… Aí colocamos o coração no comando e seguimos em frente! Chegar à Igreja do Bonfim emociona e a gente tira forças que nem sabe de onde e sobe, a comoção empurrando!

Quem tem fé vai a pé… ou correndo

Corrida do Bonfim

Léo, sua medalha e a Igreja do Bonfim ao fundo

Fieis, corredores e não corredores, já ocupam a praça da Igreja do Bonfim: eles tomam banho de folhas de arruda e de pipoca para afastar o mau olhado e abrir os caminhos e amarram fitinhas do Bonfim no pulso e nas grades da igreja pedindo proteção.

O sincretismo dessa terra de muitos santos e um bocado de axé.

É! Como diz o ditado: quem tem fé vai a pé. Ou então correndo. E 6,5 Km depois, bênçãos recebidas, é hora de voltar.

Corrida do Bonfim - tradições da Bahia #corridaderua

Feliz da vida com minha medalha, em frente à Igreja do Bonfim, 2019

Corrida do Bonfim - tradições da Bahia #corridaderua

Em frente à Igreja do Bonfim

O jeito é caminhar (ou é melhor correr?) de volta. Leo e eu sempre voltamos caminhando, no sentido inverso. O sol já está alto, e a festa, uma das mais tradicionais de Salvador, já começou. Andando no sentido contrário, nos deparamos com o cortejo: as baianas, grupos de músicos, de políticos, de fieis e de festeiros. Todos indo para o mesmo local. É uma festa democrática, afinal.

“… desta sagrada colina, mansão da misericórdia…”.

Esse texto faz parte do Projeto Vivendo Salvador

Quer saber sobre uma história divertida e quente na Lavagem do Bonfim?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

Passeio de veleiro pela Baía de Todos os Santos na Lavagem do Bonfim

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Corrida do Bonfim - tradições da Bahia #corridaderua              Corrida do Bonfim - tradições da Bahia #corridaderua

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Corrida do Bonfim, Salvador, Bahia, Brasil

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Cais da Ilha de Genebra

 

12 Comments

  1. Klecia 22/11/2017 em 12:07 - Responder

    Ahhhh quero participar dessa corrida! Desde pequena eu via a festa do Bonfim pela TV e achava lindo! Mas não sabia que toda a festa começava com uma corrida! Que bacana! Achei a igreja bem bonita, cheia de axé, e imaginei como deve ser bacana subir aquela colina até la em cima misturando a energia da fé com a dos outros corredores. Uma experiência que quero viver!

  2. Carina 13/01/2020 em 16:57 - Responder

    Como tudo na Bahia, esta corrida deve ser uma deliciosa festa! Apesar de já ter ouvido falar inúmeras vezes da lavagem da escadaria do Bonfim, eu nunca tinha ouvido falar da corrida, é achei super bacana a ideia. 😀

    • Analuiza Carvalho 14/01/2020 em 08:30 - Responder

      Oi Carina… emoção é o que define, tanto a Lavagem quanto a corrida do Bonfim! Independente de fé, é uma corrida linda de se viver e uma festa maravilhosa de se participar! 🙂

  3. Ana 14/01/2020 em 06:47 - Responder

    Não sabia que tinha uma corrida antes! Que maximo! Vou tentar me programar para estar em Salvador nessa epoca!

    • Analuiza Carvalho 14/01/2020 em 09:31 - Responder

      Oi Ana… se programe e não irá se arrepender de viver o sagrado e o profano desta boa terra!

  4. Luciane 14/01/2020 em 10:39 - Responder

    Tenho muita vontade de fazer essa corrida, mais pelo contexto do que pela corrida em si. Certamente eu também voltaria caminhando assim como vocês fizeram.

    • Analuiza Carvalho 14/01/2020 em 10:56 - Responder

      oi Luciane! Exato! Você alcançou o espírito da Corrida do Bonfim… não é a corrida que importa realmente, mas todo o contexto desta festa popular! 🙂 bjus

  5. Mariana Menezes 14/01/2020 em 20:54 - Responder

    Que festa gostosa a Corrida do Bonfim! Ter um evento com essa cara na nossa cidade é mesmo uma delícia. Mesmo com a bagunça, encontrar os amigos para se divertir é sempre muito bom, né? Eu adoraria participar um dia. Deve ser demais! Beijo, Mari

    • Analuiza Carvalho 17/01/2020 em 08:24 - Responder

      Venha Mari, venha! Garanto que você vai adorar! Sagrado e profano! Independente de religião, é energia. Rola uma gratidão em massa, então movimenta uma energia forte! 🙂

  6. ana paula 17/01/2020 em 22:25 - Responder

    A Corrida do Bonfim parece ser bem interessante, nunca participei de nenhuma, mas deve ser bem legal.

    • Analuiza Carvalho 18/01/2020 em 12:49 - Responder

      A Lavagem do Bonfim e Corrida Sagrada são raízes baianas. Para quem ama manifestações populares, esta é uma festa que deveria ver de perto!

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