CORRIDA de rua em tempos de PANDEMIA

Foram 3 meses e meio completamente isolada dentro de casa, sem sair para absolutamente nada! Mercado, trabalho, estudos, cursos… tudo feito de modo virtual.  Após esse tempo, decidi voltar a correr. A dúvida foi: como praticar corrida de rua nesses tempos de pandemia?!

Treinos intensos para maratona

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Muito suor nos treinos intensos para maratona antes da pandemia

Quando iniciamos o isolamento social por aqui, eu estava treinando para correr a minha primeira maratona. Tinha acabado de fazer minha maior rodagem dentro da Maratona de Sevilha, Espanha em fevereiro/2020. Em janeiro havia participado do duro Desafio Beto Carrero.

Fiz ainda um longão, muito forte, num percurso bem exigente, cheio de ladeiras, debaixo de bastante chuva, numa manhã abafada, poucos dias antes do início da quarentena na cidade.

Além disso, já estava inscrita em algumas provas desafiadoras, com temperaturas, distâncias e percursos variados como parte de todo o treinamento para enfim, virar maratonista. Estava bem animada, determinada e muito concentrada.

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Depois de rodar 26km dentro da Maratona de Sevilha, na Espanha

Enfim, o ritmo era intenso e consistente:  treinos (corrida, musculação, pedal in door) e alimentação. Isso sem contar as práticas regulares de hatha yoga como suporte psico-emocional, além de auxiliar no fluxo respiratório e aquietar a mente.

Aliás, práticas de hatha yoga sempre.

Aí, de repente, com a pandemia e o isolamento social, eu parei de vez, abruptamente. Ainda tentei fazer uns treinos mais curtos logo nos primeiros dias, mas acabei desistindo. A energia das ruas tinha mudado, a atmosfera estava mais triste, havia receio no olhar das pessoas. Precisei admitir: tempos estranhos.

Tentei também fazer treinos em casa, mas não deu! Não me adaptei e desisti.

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Musculação como suporte para os treinos de corrida, além de pedal in door na academia

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Práticas de hatha yoga sempre

Corrida de rua nesses tempos de pandemia: como voltar a treinar?

Quando completei 3 meses em casa, sem ver ninguém além de meu lindo e mui amado marido, comecei a desejar correr novamente. Sentir o movimento corporal.

Contudo, eu tinha dúvidas se devia mesmo ir porque estava sendo bombardeada pelas mais desencontradas informações a respeito do covid-19. Havia recomendação de atividades físicas ao ar livre, mas sem muito consenso sobre como, intensidade, ritmo…

Então, antes de tomar uma decisão sobre voltar ou não às ruas, eu comecei a observar as postagens de corredores, que eu já acompanhava nas redes sociais, que vivem e treinam nas mais diferentes cidades.

Ademais, conversei com meus amigos corredores para saber como eles estavam praticando a corrida de rua nesses tempos de pandemia. Que métodos estavam utilizando para correrem, onde e como estavam sendo os treinos.

Duas dessas amigas, cariocas, corredoras e lindas foram a Mari (Dia de Corrida) e a Carol (Viajar Correndo). Claro que troquei muita ideia também com Leo (Quer correr comigo?).

A volta às corridas

Então, pensei muito refleti, avaliei e por fim, decidi voltar a correr. Como eu ainda não tinha nenhuma máscara porque não estava saindo de casa para absolutamente nenhum lugar, eu usei nos primeiros treinos um buff que ganhamos na maratona de Floripa (prova que Leo correu 42 e eu os 10km).

Quem diria que os buffs que ganhamos nas provas, como Meia Maratona de Detroit (USA) e na ultra maratona Two Oceans (Cape Town, África do Sul) e que ficaram anos jogados no fundo do armário, seriam tão necessários e uteis.

Uma manhã, lá fui eu, determinada apenas a movimentar e sentir meu corpo, o vento, o ritmo. Não tinha objetivo de distância, tempo, tipo de treino. Tudo o que eu queria era voltar a correr, suar, olhar o mundo passando diante de meus olhos, deixar o coração bater…

Foi péssimo! Tudo péssimo! A conta de um corpo absolutamente sedentário dentro de casa, por mais de 3 meses variando apenas do modo sentado para o modo deitado, dia após dia, foi alta. Aceitei! Meu corpo havia amolecido! Estava fraca e cansada.

Foi bem duro! Meu corpo já não me pertencia, eu não o identificava, ele não reconhecia mais a mobilidade, tudo parecia desconectado, atrapalhado. Para complicar ainda mais o fato do corpo estar em péssimo estado, eu ainda tinha que me adaptar ao buff.

Muita coisa ao mesmo tempo para ajustar. Todas bem difíceis.

Me frustrei. Me armei de paciência.

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Usando um buff para voltar aos treinos de corrida de rua

Uns treinos depois…

Fui outro dia, mais um e outro também. Nada mudou muito depois de uma semana. Nem depois de duas. Para completar, apesar de ter outras pessoas fazendo atividade física na rua, a energia nas pistas ainda era muito triste, pesada. Sentia falta da antiga energia, sempre tão contagiante.

Há mais de 15 anos eu corro sozinha. Só me lesionei uma vez, corria bem e forte, me tornei meia maratonista, me divertia nas pistas. Nunca me interessei por treinadores e assessorias, por planos bem marcados. Só quando resolvi correr uma maratona foi que busquei apoio de um treinador.

Com essa situação diferente e estranha que estamos vivendo, recorri de novo a Chokito, que estava me treinando para a maratona, antes da pandemia tomar conta de tudo.

Eu precisava refazer minha base, com todo cuidado, para não me lesionar: estava muito sedentária (coisa que nunca tinha acontecido antes), não tinha o apoio da musculação com as academias fechadas e não sou mais jovem.

Para piorar havia uma máscara no meio do caminho, me sufocando. Para voltar a correr na rua, comprei ainda duas máscaras “adequadas às corridas de rua”.

Tentativas de adaptação…

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Adaptação: máscara indicada para corrida de rua

Com meu plano elaborado por Chokito, lá fui eu para mais um treino, agora com pequenos objetivos a serem cumpridos, com intuito puro e simples de movimento e equilíbrio para manter a saúde em dia.

A máscara nova se mostrou ainda mais difícil para mim do que o buff, que já não estava fácil. Sufoquei durante o treino. Puxava o ar, vinha a máscara entrando em minha boca, meu nariz. Trote. Controlei a respiração. Nada. Dor de cabeça. Enjoo. Abandonei o treino.

Máscara nova reprovada. Mas, sou teimosa. Tentei de novo. Com ela, com outras. Fiquei pensando: quem sabe não é só questão de adaptação?! Preciso apenas de calma e de mais treinos. Cada vez que me adapto, me sinto mais forte. O mundo está em transição e quero ser digna dele, decidi.

Mais treinos de máscara

Tentando com nova focinheira

Dois dias depois eu voltei para mais um treino de corrida de rua nesses tempos de pandemia. Dessa vez usei uma nova focinheira. Havia lido no ig de um outro corredor (@brunofragapim) que correr (aqui em Salvador) era sinônimo de interação social e que atualmente é de estratégia de não contágio.

Tristemente real.

Mais uma vez me aventurei em poucos kms, procurando cumprir o proposto por Chokito, com pace alto, quase um trote, procurando manter uma zona de conforto, controlando a respiração (as práticas de hatha yoga com os pranayamas ajudam muito nesse quesito).

Corpo ainda pesado e sem mobilidade, reaprendendo a se movimentar

A máscara continuou sendo um obstáculo importante. De novo não foi normal ou natural. Fico pensando se um dia será. Lembrei que pessoas que treinam no frio usam proteção no rosto. Tem time de futebol e grupo de corredoras que são obrigadas a jogar/correr com todo o rosto coberto.

Se elas conseguem, um dia eu também conseguirei. Acreditei muito nisso. Desejei muito isso!

Segui achando mesmo que conseguiria me adaptar, mas não aconteceu. Ainda que somente trotando, mantendo a quilometragem abaixo dos 5 kms, tentando buffs e máscaras variadas, não deu. Infelizmente, eu não fui capaz de me ajustar ao uso de proteção para o rosto.

No dia que minha frequência cardíaca subiu muito, que eu mal conseguia respirar, passei mal na rua, eu fiquei com medo e decidi reavaliar meus treinos de corrida de rua nesses tempos de pandemia.

Novas estratégias

Voltei a conversar com amigos que seguiam treinando firmemente e também segui observando as redes sociais, o que os outros corredores estavam fazendo para se manter em atividade, como eles estavam se adaptando à corrida de rua nesses tempos de pandemia.

Baseado nisso adotei as seguintes estratégias que sigo atualmente:

  • Sair mais cedo.

Tenho acordado de madrugada, com tudo escuro, muitas vezes com tempo meio chuvoso. Não tem sido fácil, estamos no inverno, mas assim eu consigo treinar com menos pessoas fazendo atividades físicas na rua, mantendo assim o aconselhável distanciamento.

  • Buscar por lugares mais vazios.

Tenho procurado treinar em locais com pistas de ida e volta, circuitos mais ou menos curtos, o que me permite ver outros corredores, mas que, com ritmos distintos, a gente raramente se cruza. Isso é bom porque nos protege do corona vírus e da violência urbana.

Além disso, assim é possível ocupar um espaço menor da cidade, deixando outras zonas livres para que mais pessoas possam se exercitar também;

  • Manter a quilometragem baixa.

Não só por uma questão de adaptação física, mas também para proteger meu sistema imunológico e ficar menos tempo exposta na rua.

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Buscando lugares vazios para correr

Essas três mudanças foram fundamentais e têm me permitido correr na rua sem máscara/buff. Assim, utilizo esses equipamentos apenas para chegar nos locais de corrida e sair deles, me proporcionando liberdade e a possibilidade de cuidar da saúde nesses tempos em que precisamos tomar conta de nós mesmos e uns dos outros.

Em tempo: ao chegar em casa, coloco toda a roupa na máquina de lavar, higienizo Garmin, viseira, chave de casa e entro direto no banho.

Tudo é transitório

Como tudo é transitório e a realidade está sempre mudando, por enquanto, é assim que as coisas estão nesse quesito. Amanha?! Tudo pode mudar novamente. Para melhor ou para pior. Então, reavalio as atuais estratégias.

Por ora, sigo como posso, agradecendo a possibilidade e o privilégio de sentir o vento, o sol, o sal, de fazer meus velhos músculos chorarem, de meu sangue circular, meu coração bater mais forte e meus pulmões se mexerem. De me sentir VIVA! ❤

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Soltando as pernas depois de, finalmente, um bom treino, num lugar vazio

Corrida de rua nesses tempos de pandemia

Agradecendo MUITO a possibilidade de correr sentindo e escutando a natureza, num local vazio

Quer saber de um treino duro e frustrante, de superação, em Chicago, nos Estados Unidos?! Então clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

Treino de corrida em Chicago

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Corrida de rua nesses tempos de pandemia              

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Treinos de corrida de rua nesses tempos de pandemia

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2020-07-22T20:58:18+00:0022/07/2020|Categories: Quer Correr Comigo?|Tags: , , , |6 Comentários

6 Comments

  1. Ah, querida! Quanta mudança, né? Eu continuei correndo desde o início, quando Brasília parecia literalmente uma cidade fantasma. Não encontrava praticamente ninguém na rua. Depois chegou a necessidade de uso de máscaras, também usei várias até achar uma a qual me adaptei. Corro mais de 10km com ela e não sinto taaaaaanta diferença. Mas tudo passa. Se Deus quiser vamos voltar às nossas amadas provas de rua…

    • Analuiza Carvalho 03/08/2020 em 15:02 - Responder

      oi Adriana… muitas mudanças, muitas adaptações repentinas né?! A corrida de rua em tempos de pandemia mudou muito! Que privilégio você ter conseguido não parar de correr! Eu parei. Não consegui ficar na rua nos primeiros meses.

      Que feliz que você se adaptou bem a uma máscara. Confesso ter enorme dificuldade com qualquer coisa me cobrindo o rosto. Me conta que marca você está usando!

      Com certeza! A realidade está sempre girando, mudando! Já, já tudo estará diferente novamente e estaremos correndo livres por aí, participando de nossas amadas provas de corrida de rua! Quem sabe a gente não se esbarra em algum canto do mundo?! Por muito pouco não foi em Berlim! rsrs bjus

  2. Angela Cristina Sant Anna 06/08/2020 em 12:11 - Responder

    olhá só tá de cabelo curtinho! eu tambem fiquei bem sedentaria nesses ultimos meses (ma eu n corria antes não) e agora to sofrendo para voltar ao normal, sinto que até tive encurtamento 🙁 tem q correr atras do prejuizo, no seu caso literalmente hehe

    • Analuiza Carvalho 06/08/2020 em 12:46 - Responder

      oi Angie… pois então! Curtíssimo! O mais divertido?! Eu mesma cortei… pensei num bonzai e fui cortando. Cada dia um bocadinho!! Estou muito eu com esse cabelo assim, amando! rsrsrs

      Eu bem tentei ficar ativa em casa, mas não rolou! Fiquei muito sedentária e meu corpo sofreu com isso. Voltar a me movimentar não está sendo fácil, mas é tão bom! rsrsr Suar é bom! Deve ter tido encurtamento sim e até perda de mobilidade, pq em casa, nos movimentamos menos, né?! Mas corre atrás do prejuízo (literalmente ou não rsrsr), mas vai, que temos que cuidar da saúde! 🙂 bjus

  3. Marcia M Picorallo 07/08/2020 em 20:39 - Responder

    Ana, muito bom você ter feito este relato, um momento histórico que estamos vivendo. Você tinha falado que não estava saindo de casa, mas lendo teu post senti o quanto é frustrante ter que reiniciar todo um treinamento pra colocar o corpo de volta à forma. Eu uso muito pouco máscara, pois quase não saio, e talvez por isso ela incomode muito, imagino como deve ser correr com ela!
    Agora, que benção ter um lugar com esta mata pra correr!

    • Analuiza Carvalho 09/08/2020 em 16:28 - Responder

      oi Marcia… relatos para a posteridade! rsrsrs Momentos incomuns estes que vivemos agora. De fato, não estou saindo para canto nenhum: mercado, trabalho e tudo o mais de modo virtual. Por isso, para mim também é MUITO incômodo usar máscara. Desse modo, quando resolvi voltar a correr, depois de muitas pesquisas e conversas, adotei as estratégias que mencionei aqui.

      Me sinto grata por lugares assim, que me permitem correr em segurança: minha e dos outros. 🙂 bj

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