Cobras e PIERCINGS de Hitomi KANEHARA

Três jovens japoneses vivendo em Tóquio. Duas relações totalmente diversas. Um elo entre todos. Cobras e Piercings de Hitomi Kanehara é um livro interessante e angustiante. Objetivo, reto, prático! Ainda assim, é sim, um romance, que sob alguns aspectos hipnotiza e perturba.

Ama, Liu e Shiba

Senti um arrepio ao imaginar a cena de uma língua ensanguentada…” – pensa Liu

Já nas primeiras páginas temos contato com os três principais personagens de Cobras e Piercings: Liu, Ama e Shiba. De imediato, suas relações se estabelecem. Ao iniciar a leitura do livro escrito pela jovem japonesa Hitomi Kanehara tive a sensação de que estava prestes a entrar no submundo de Tóquio, mas Liu, a personagem principal, me levou por outro caminho.

Um inesperado caminho!

A história

Em Tóquio, Liu conhece o jovem Ama num clube noturno. Ele tem uma aparência estranha, muito diferente, que  rapidamente chama a sua atenção: seu corpo é repleto de piercings e tatuagens.

Liu fica especialmente fascinada por sua split tongue – a língua partida como a de uma cobra – e resolve que quer uma também. A partir deste desejo Liu e Ama ficam juntos. Simples assim, sem perguntas, sem expectativas, sem futuro e sem passado.

Através de Ama, Liu conhece Shiba, dono de um estúdio de tatuagem, com uma aparência também muito pouco convencional. Aí, a menina coloca seu piercing lingual.

De imediato, surge uma atração entre os dois: Liu e Shiba. Uma energia masoquista, forte, irresistível flui entre eles. Os dois acabam virando amantes ocasionais. Com Ama, Liu tem uma relação tranquila e pacata e com Shiba uma relação mais intensa.

Cobras e Piercings: três jovens, uma relação cruas e diretas. #literatura #omundonoslivros

A narrativa

“Já ouviu falar em split tongue?” – exatamente assim começa Cobras e Piercings, de maneira direta e objetiva.

Aliás, a narrativa de Hitomi Kanehara em Cobras e Piercings é toda caracterizada por esta natureza crua e prática, sem muitos rodeios ou floreios. Um dos atrativos da história, que nos deixa em constante suspense e certo estado de agonia.

O fio condutor e narrativo desse triângulo é Liu. Enxergamos todo esse desenrolar através de seus olhos, percepções e sentimentos. É ela quem conta esta história marcante, cheia de suspense e mistério.

Nadar em narrativas japonesas não é tarefa fácil, pois geralmente são águas turbulentas, turvas, excêntricas e muitas vezes bizarras. As histórias japonesas têm um componente estranho para uma pessoa como eu, tão ocidentalizada.

No Japão

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Pelas ruas de Yokohama no Japão

Passamos 15 dias no Japão, percorrendo diversas cidades entre elas Kioto, Yokohama e Tóquio. Foram semanas diferentes e estranhas em que saímos de nossa zona de conforto e nos reinventamos vezes sem conta. Tentei encontrar, especialmente pelas ruas da capital japonesa, Liu, Ama e Shiba, mas meus olhos não cruzaram os seus.

Se no Japão, ficção e realidade se confirmam, a segunda não esteve disponível para meus olhos de visitante comum, que nada viram além do cotidiano e das adoráveis trivialidades que estão à vista, mesmo numa cultura tão diferente da minha.

A autora

Hitomi Kanehara nasceu em Tóquio em 1983. Seu interesse pela literatura nasceu em São Francisco quando morou ali com a família.

Parou de estudar aos 12 anos e aos 15 saiu de casa. Mandava seus escritos ao pai, professor de literatura e tradutor. Cobras e Piercings foi publicado quando ela tinha 19 anos.

Cobras e Piercings

Autor: Hitomi Kanehara (Japão)

Editora: Geração Editorial

Números de Páginas: 128

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Cobras e Piercings de Hitomi Kanehara

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Cais da Ilha de Genebra

By |2020-01-05T16:25:31+00:0005/01/2020|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , |8 Comentários

8 Comments

  1. Ruthia Portelinha 24/03/2020 em 05:52 - Responder

    Nunca estive no Japão, sobretudo porque é uma viagem bem cara, que exige preparação financeira a longo prazo. Mas sou fã de vários aspectos da sua cultura, a começar pelo seu minimalismo quotidiano. Acho que uma casa com tão pouco “barulho” deve exercer um efeito calmante nos espíritos contemporâneos sempre em ebulição e correria. Sou fã da ordem e do respeito pelo outro que se manifestam em pequenos gestos daquela sociedade, também.

    Mas quando chega à literatura, confesso que a maioria do que conheço me deixa esse travo de sobressalto que vc também relata. Por exemplo, a obra de Haruki Murakami começa de uma forma bem leve e depois começa a “destrambelhar” para caminhos inesperados e inverosímeis que me desconcertam.

    Posto isto, acho que ficaria com a mesma sensação de desconforto cultural perante esse livro “Cobras e Piercings”… menina, sei que os gostos no que toca a beleza são muito pessoais, e até entendo algum fascínio com as tatuagens (eu não tenho nenhuma pela simples razão de que me fartaria) mas essa coisa de split tongue não entra na minha cabeça. Para quê??

    Abraço querida

    • Analuiza Carvalho 07/04/2020 em 11:56 - Responder

      Ruthia, querida… sabe que a viagem que fiz ao Japão, foi das mais baratas?! Europa para nós é mais cara. Quando você for, entrará num outro mundo! Foi nesta viagem que aprendi a desacelerar, porque são tantas as informações de uma cultura tão distinta da nossa. A ordem em que tudo acontece nos surpreende e sobressalta a todo instante! Adoraria ver o Japão através de seus olhos! 🙂

      Sobre a literatura, concordo com você: ela nos causa sentimentos de alerta e desconforto constantes. Temos até receio de seguirmos em frente, o que virá na página seguinte?! O que me levou a pensar inúmeras vezes sobre as camadas mais profundas daquela sociedade em que via apenas a superfície, nas duas semanas que viajei pelo país.

      A respeito do split tongue , buscando respeitar todos os gostos e tribos, repito aqui a sua pergunta: para quê?! beijo enorme

  2. Patricia 24/03/2020 em 11:19 - Responder

    Achei muito interessante e fiquei com vontade de ler esse livro!
    Um roteiro um tanto quanto não comum ao se tratar de Japão.

    • Analuiza Carvalho 24/03/2020 em 13:05 - Responder

      Os livros japoneses são um tanto quanto perturbadores, mas nos contam muito sobre esta cultura tão diferente da nossa.

  3. Luciane 24/03/2020 em 12:07 - Responder

    Uma amiga me falou do Cobras e PIERCINGS semana passada, foi muita coincidência ver você também falando dele, vou procurar nas lojas online. Valeu a dica

  4. Angela C S Anna 28/03/2020 em 07:31 - Responder

    que interessante essa sugestão de livro, vou procurar a versão online. pretendia ir ao japão ainda esse ano, vamos ver como se resolve essa treta toda ai do coronga

    • Analuiza Carvalho 30/03/2020 em 20:58 - Responder

      Japão é incrível e sua literatura, bem, muito peculiar e de muitos modos, angustiante. Pelo menos os que eu já li! 🙂

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