Uma região ALEMÃ: RENÂNIA do Norte-VESTFÁLIA para INICIANTES

Pela segunda vez no mesmo ano nós viajamos para conhecer mais algumas cidades da Alemanha. Eu acho que este é um desses países de múltiplos destinos, sabe, com muitas regiões e cidades distintas.

É como se a cada viagem conhecêssemos um novo país.

No primeiro semestre, no auge do verão, nós estivemos  na Bavária. Já no fim do mesmo verão, nós visitamos a Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, onde gastamos 15 dias perambulando pela região, nos deslocando de trem, tentando nos embrenhar nos costumes locais e aprender sobre a história, degustando de sua gastronomia e hospitalidade.

O ano era 2016.

Foi uma viagem interessante, não só por conta de tudo o que vimos e vivemos, mas principalmente porque desconstruiu inúmeros conceitos que eu tinha a respeito da Alemanha. A Renânia mostrou ser um conjunto de diversos e desiguais fragmentos culturais. O calor esteve sufocante e os dias esplêndidos.

As cidades que visitamos – Colônia, Aachen, Münster, Düsseldorf e Bonn, mostraram-se muito diferentes do que eu sempre pensei a respeito do país e muito distintas umas das outras, com personalidades e atmosferas exclusivas, eu ousaria afirmar.

Devo dizer ainda que são cidades intensas, mas curiosamente não senti em nenhuma delas um ar cosmopolita, ao contrario, mesmo a maior de todas (Colônia) e a mais moderna (Düsseldof) carregam clima de cidade pequena, provinciana. Acho que talvez esse seja o traço que as une. Foi dessa região que muitas pessoas migraram para o sul do Brasil.

Primeiros contatos com a Renânia do Norte-Vestfália

Algumas cidades da Alemanha

Colônia

Visitar esta região destruiu completamente a imagem e todos os estereótipos que eu tinha a respeito da Alemanha.

Nos primeiros dias eu fiquei absolutamente confusa com tudo o que via, uma vez que as cenas e imagens que se descortinavam para mim, em nada coincidiam com os clichês que habitaram o meu imaginário por toda a vida.

Essa região é uma união de províncias distintas, assim como suas trajetórias discordes, situada no Vale do Rio Reno. Há vestígios romanos por essas bandas, o que significa que essa é uma região bem antiga. É o estado mais populoso do país.

Primeiras e segundas impressões: dramática e marcante

Cidades da Alemanha

Colônia

Cidades da Alemanha

Colônia

O primeiro tranco veio logo quando descemos do metrô, em frente ao hotel em Colônia, onde eu me deparei com alguns bêbados e psicos largados nas ruas e bares. Era uma linda manhã do fim do verão e eu fiquei chocada por não encontrar a perfeição e disciplina tão comumente associadas ao povo germânico.

Ao longo dos dias, entretanto, fui destroçando o que eu pensava que sabia buscando assimilar a realidade do que via, tentando entender o entorno dos lugares por onde passava, vivendo o que aquela região me oferecia, provando da vida que se desnudava diante de meus olhos de turista.

Percebi que a Renânia é uma região intensa, múltipla, uma combinação vasta de muitos elementos, sem identidade ou fidelidade a uma única referência, sem uma alma predominante, ao contrário, a Renânia é uma mistura complexa de muitos ingredientes e por isso mesmo confusa, dramática, marcante.

O velho e o novo

Cidades da Alemanha

Dülsseldorf

A Renânia faz fronteira com a Holanda e Bélgica e sua capital é Düsseldorf. Colônia é a cidade mais populosa e Bonn a segunda sede do Governo Alemão, sendo que durante a Guerra Fria foi a capital da Alemanha Ocidental.

Eu já havia estado na Alemanha, alguns meses antes. Contudo, o clima, a atmosfera a energia… Tudo na Renânia era muito distinto do que havia vivenciado na Baviera.

Essa região carrega consigo modernidade: têm os dois pés no presente, no futuro, embora, claro, eu também tenha encontrado o passado ali, vibrando em outro compasso, cravado, agarrado, resistente ao passar dos anos, caracterizado principalmente na gastronomia que atravessou os séculos e nos prédios históricos que sobreviveram a guerras.

É mais fácil visualizar esse passado nas cidades menores, mas mesmo nelas, não pude fazer uma imersão total, pois a fenda pretérita sempre sofria interferência do atual, muitas vezes em atos de sufocamento.

O velho e o novo até convivem, mas não em total harmonia, formando em vez disso um cenário estranho, mal acabado, que não me agradou em muitos momentos.

Mistureba distante, mas pacífica: aparentemente

Cidades da Alemanha

Colônia

Fiquei extremamente surpresa ao constatar que a Renânia tem cidades desprovidas de beleza, ruas feias, edifícios sem graça. Eu gosto de cidades caóticas, confusas, mescladas, mas não podia imaginar encontrar isso na Alemanha e custei a me acostumar.

Tudo isso, talvez, deva-se à quantidade de imigrantes habitando as cidades dessa região: são muitos e variados. A Renânia do Norte-Vestfália é acolhedora. Contudo, os povos não me pareceram unidos. Pelo contrário, não percebi etnias distintas convivendo.

Para ser justa, também não presenciei ou senti qualquer tipo de preconceito ou repúdio por parte dos alemães, talvez apenas em relação aos japoneses, com os quais demonstraram muita impaciência. As pessoas com quem conversei tampouco nos deram testemunho de qualquer coisa nesse sentido.

Conversando com um brasileiro em Colônia (há muitos conterrâneos nossos vivendo por lá), ele me disse que sua maior dificuldade ao mudar-se para a cidade foi lidar com a formalidade alemã.

Segundo o brasuca, já vivendo lá há mais de dois anos, eles não conseguem assimilar a coisa do “vamos ali tomar uma cerveja” sem antes agendar, marcar, validar, confirmar. Isso não deve ser fácil mesmo para um latino, informal, despachado, descontraído e relaxado entender e conviver.

O nazismo para as cidades e pessoas nos dias de hoje

Cidades da Alemanha

Münster

Foi igualmente inesperado para mim, notar, depois de algumas conversas, que embora o Nazismo tenha nascido e crescido na Baviera, as feridas por esses lados parecem estar muito mais inflamadas.

Há um debate forte na sociedade sobre como encarar o passado. Uma parcela da população quer enterrá-lo de uma vez, deixar os mortos em suas covas e tumbas e seguir em frente.

Outra fração, entretanto, quer resgatar toda essa história, documentá-la e enfrenta-la argumentando que ela existiu, faz parte da realidade deles, de sua trajetória, ainda que orquestrada por outra geração.

O que parece ser um consenso, é que os mais jovens, onde estão os principais integrantes dessas querelas é que a Segunda Guerra não foi feita por eles então não se deve atribuir aos descendentes alemães qualquer tipo de incumbência ou encargo por ela.

Outra questão que está nas ruas e que causa divergências, questionamentos, incertezas e posturas diversas é a questão do recebimento por parte do país dos refugiados de guerra, que tem chegado em grande quantidade à esta região, mas por enquanto esse assunto corre em silêncio entre a população.

Simpatia para todo lado

Cidades da Alemanha

Aachen

Causou-me espanto ainda, perceber o quanto os alemães da Renânia são gentis, simpáticos e conversadores. Inúmeras vezes fomos abordados e presenteados com maravilhosas conversas, que poderiam durar horas e horas se não tivéssemos muito a explorar nas cidades.

Assim foi com a bela senhora na recepção de um dos museus que visitamos, onde conversamos longamente sobre arte, com o jovem na prefeitura de uma das cidades que nos contou sobre seus sentimentos e de seus amigos a respeito da Segunda Grande Guerra. Contou-nos sobre sua namorada e os planos para o futuro com ela.

O que dizer do moço no restaurante que diante de minha indecisão sobre o pedido, atrapalhando a fila, foi paciente em me explicar as diferenças entre todos os pratos e foi muito feliz em sua sugestão.

Não posso deixar de comentar sobre um dos garçons em uma loja de doces que me presenteou com uma sobremesa ao saber que eu era brasileira. Tá certo, o moço era português e não alemão.

Posso, entretanto, atestar a extrema gentileza alemã na figura de um senhor que me interpelou em uma igreja perguntando se eu queria ajuda. Ficou muito tempo a conversar comigo sobre muitas coisas e se surpreendeu quando falei que estava sendo muito bem acolhida no país. Ele não considerava seu povo simpático.

Em outro museu, outra cidade, um moço aproximou-se e me deu dicas sobre o que fazer por lá e lugares que ele considerava imperdíveis para um visitante.

O alemão da Renânia fala alto, ri alto. Ele se diverte, bebe, reúne os amigos, viaja de trem, ajuda os turistas. O alemão da Renânia me encantou e me ensinou a não me prender a estereótipos.

Beleza há também

Cidades da Alemanha

Bonn

Cidades da Alemanha

Bonn

Encontrei beleza também na região, bem como caras mais sisudas, pessoas mais fechadas. Cada cidade visitada mostrou-me uma face, uma aparência completamente diferente uma da outra, enriquecendo a minha viagem e meu aprendizado. A cada novo desembarque encontrava uma cidade totalmente nova.

Aliás, a carga de informações diversas que eu recebia constantemente me deixava ao mesmo tempo enlevada e exausta. Frequentemente eu finalizava o dia exaurida, tentando absorver e assimilar tudo o que havia visto e aprendido. Afirmo, com muita convicção que a Renânia vale uma visita sem combinações, apenas ela e mais nada.

Vida ao ar livre

Cidades da Alemanha

Münster

Cidades da Alemanha

Münster

Apesar do vigor e energia das cidades por onde passamos, encontramos também rasgos de silêncio, tranquilidade, onde a cadência girava em ritmo mais lento.

Há muita vida ao ar livre nessa região: as pessoas lotam bancos de praça, parques e jardins. Às vezes em grupos, outras sozinhos. Casais, famílias, amigos, idades diversas, barulhos distintos, risos, páginas de um livro passando, piquenique rolando…

Na gastronomia encontrei os icônicos salsichões, chucrute e salada de batatas, mas encontrei também outros pratos, maravilhosos, que sequer sabia da existência. Já as cervejas que tanto me agradaram na Baviera, não foram tão apreciadas por mim aqui na Renânia. Ainda assim, foram um alívio para o calor.

Uma visão geral da Renânia do Norte-Vestfália: conclusão

Cidades da Alemanha

Bonn

Aprendi nessa viagem, que não é preciso amar um lugar para considerar a visita a ele significativa ou memorável. Uma cidade pode nos marcar de muitas maneiras distintas e foi isso que aconteceu entre a Renânia e eu.

Estivemos por lá no finzinho do verão e os dias ainda estavam fervendo. A temperatura me maltratou muito e foi duro sobreviver ao calor, mas em compensação, tivemos acesso a belíssimos dias, onde o céu azul compunha lindamente o cenário da Renânia.

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Veja como foi nosso planejamento para esta viagem:

+ Planejando a Renânia do Norte-Vestfália


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Uma visão geral sobre a Renânia do Norte-Vestfália, esta região tão interessante da Alemanha, formada por várias e distintas cidades como Colônia, Bonn e Düsseldorf.

By |2018-03-07T00:56:44+00:0025/02/2017|Categories: Preliminares Alemãs|Tags: , |1 Comentário

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