Sweet COLD RUNNING CHICAGO – a meia maratona da primavera

Em fevereiro de 2018 eu recebi uma informação de que as passagens aéreas para Chicago estavam em promoção, o que foi prontamente confirmado. Daí eu pesquisei e encontrei a 10ª. Chicago Spring Half Marathon, a meia-maratona da primavera, a ser realizada em 20 de maio daquele ano. Uma rápida pesquisa mostrava elogios sobre a prova, além de fotos chamativas e empolgantes.

Então eu comprei nossas passagens e me inscrevi na corrida.

Mas, logo após, descobri que Analuiza não poderia ir no mesmo dia que eu…

Faz o que?

Bom, o menos pior era adiar a passagem de Analuiza por alguns dias e eu ir no dia programado, para não perder a prova. Lá fui eu então…

Em Chicago

Desembarquei em Chicago e fui para o hotel deixar a bagagem de mão: era o que permitia a passagem aérea em promoção. Parti para retirar o kit da corrida, na loja Fleet Feet da South Delano Court, distante 2 milhas do hotel. Aproveitei para ir caminhando, já que a corrida seria no dia seguinte e eu precisava me aclimatar…

Desde minha inscrição na prova, a organização mandou diversos e-mails promovendo a corrida e detalhando o percurso e as atrações do festival pós chegada, bem como pedindo para eu escolher onde retirar meu kit, com diversas opções. Escolhi essa loja.

Cheguei na loja e fui direcionado para o outro lado da rua, num salão onde conferiam a documentação pessoal e entregavam o kit, composto de número de peito com chip de cronometragem grudado no verso mais camiseta da prova. Também distribuíram pulseiras para os maiores de 21 anos poderem beber uma cervejinha grátis pós chegada…

Retornei na loja, pequena mas bem equipada, e acabei encomendando um tênis novo, que estava em promoção… caminhei então de volta para o hotel apreciando um pouco da Cidade dos Ventos… à noite, comi um espaguete no Portillo’s Hot Dogs, um restaurante popular famoso perto do hotel, no qual voltaria outras vezes. E fui dormir.

A temperatura na manhã da meia maratona

Na manhã da Chicago Spring Half Marathon (domingo), acordei e me preparei para ir caminhando para a largada, no Maggie Daley Park, distante 2,4km do hotel. Mas… a previsão do tempo, que sugeria 15º.C, não se confirmou. Acho que algum vento polar resolveu passear pelos Grandes Lagos e parar em Chicago para assistir a prova. Os termômetros marcavam 8º.C numa manhã nublada!

E aí???

Bom, como sempre faço, me “vesti” com meu saco de lixo protetor do frio para aguardar a largada, mas percebi que precisaria de algo mais para ficar no festival pós prova. Então, diferente do que sempre faço, vesti um agasalho para deixar no guarda volume durante a corrida e separei uma camiseta para vestir depois.

Mas, como a previsão sugeria 15º.C, não levei proteção para os braços, nem luvas! Ou seja, correria apenas com uma camiseta apropriada para as altas temperaturas brasileiras, iguais às fotos que encontrei na internet quando pesquisei sobre a prova da primavera de Chicago…

Aliás, a propaganda da prova era “celebrando o surgimento da cidade da hibernação no inverno”… Sei…

Saí então caminhando pelas desertas ruas de Chicago até o Parque e não me lembro de ter encontrado alma viva no caminho. Vi os primeiros corajosos já perto do Parque, bem no centro de Chicago. E todos agasalhados.

O Maggie Daley Park fica do lado do Millennium Park, o principal parque de Chicago, onde estão o Jay Pritzker Pavilion, a BP Bridge, a Crown Fountain e a Cloud Gate Sculpture (o famoso feijão), dentre outros pontos de interesse. Mas confesso que naquele momento eu só queria começar a correr para terminar logo a prova.

Guardei meu agasalho no local adequado e me dirigi para o sofrimento congelante do curral C da largada, cujo acesso seria fechado às 6:45h para largada 15min depois. Não é uma meia-maratona grande, então havia muito espaço no curral. Logo, espaço aberto significa muito frio! Eu não tinha noção de nada ao meu redor, exceto do frio! Tanto é que só depois percebi, analisando o mapa e conhecendo melhor a cidade, que estava atrás do prédio do Art Institute de Chicago (Assistiram “Curtindo a Vida Adoidado”?).

Antes da largada

Chicago Spring Half Marathon: abertura da primavera #corridaderua #esporte #quercorrercomigo #espiandopelomundo

E enquanto aguardava o começo da prova, me perguntando o que fazia ali, e um narrador falava do frio, dos patrocinadores, de não sei quem mais, duas situações me marcaram:

É normal os corredores levarem agasalhos velhos para a largada e descartarem antes do início da prova, os quais normalmente são direcionados para doação. Mas uma corredora com roupa de primavera (não era esse o nome da prova?) estava tremendo tanto, tanto, mas tanto, que não pestanejou: quando outro corredor tirou o agasalho e o descartou, pendurando na grade que delimitava o curral, ela imediatamente pegou o agasalho e vestiu!

A outra situação foi um corredor do meu lado, devidamente agasalhado, comentar sobre o frio com um cinegrafista que estava próximo. Respondeu o câmera man: esse não é o frio de maio, é o frio de março!

Percebi então que Spring (Primavera) do nome da prova era devido à época do ano e não necessariamente à temperatura da data da prova… Mas já era hora da largada, que pontualmente aconteceu às 7h da manhã com os mesmos 8º.C.

A largada da Chicago Spring Half Marathon

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Passei pelo pórtico 9min depois do início da prova – tempo que os corredores dos currais A e B levaram para vencer o portal – e segui para o sul pela Columbus Drive, uma das principais vias de Chicago, que separa o Millennium Park do Maggie Daley Park.

Uma tímida torcida apoiava os corredores. Acho que ali só estavam Pai ou Mãe dos corredores, por que só esse amor justifica estar ali naquela temperatura…

A Columbus Drive é bem larga e foi possível desenvolver velocidade – o que ajudava a aquecer minimamente. Entramos então no Grant Park, ainda seguindo pela Columbus Drive. Pouco antes da primeira milha, viramos à esquerda e entramos numa trilha pavimentada, da largura de dois carros. Passamos no jardim em frente ao Field Museum e fomos em direção ao Lago Michigan.

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Se já estava frio, imagine a sensação térmica na trilha em frente ao lago… veio um vento gelado de frente que me acertou no peito com força. E minha única proteção era o número da prova na frente da camiseta…

Estávamos na trilha dentro do Museum Campus, onde normalmente não passa carro. Contornamos o Shedd Aquarium à direita e seguimos pela mesma trilha pavimentada, descendo para o sul por longos e gelados 8km, passando pelo Burnham Park.

Hidratação

Os postos de hidratação eram completos e posicionados praticamente a cada 3km: banheiros, água, isotônico e música. Os voluntários entregavam as bebidas com gritos de incentivos e de forma eficiente. Também havia equipe médica a postos.

O caminho foi tranquilo, com ultrapassagens fáceis. Mas logo tivemos de dividir a pista com os corredores mais rápidos que vinham no sentido contrário, pois havia o retorno no quilômetro 10, perto da Rua 47.

O frio estava o oposto de escaldante e a única opção era manter o ritmo para terminar logo o sofrimento. Até abrir o sachê do gel de carboidrato era difícil! E se existem fotos minhas sorrindo, deve ser por que minha cara congelou e os músculos puxaram as bochechas para os lados.Chicago Spring Half Marathon: abertura da primavera #corridaderua #esporte #quercorrercomigo #espiandopelomundoFeito o retorno no quilômetro 10, voltamos pela mesma trilha, dividindo a pista com o pessoal mais devagar da meia-maratona, que ainda estava na primeira parte da prova e vinha no sentido contrário.

Já havia mais gente no parque, torcendo, caminhando ou se perguntando porque alguns desavisados corriam apenas de camiseta…

Logo todos os meio-maratonistas do sentido contrário passaram e a pista voltou a ficar em sentido único. Mas, lá pelo km 14, nos encontramos com o pessoal da prova de 10K, que havia largado às 7:45h e cujo retorno era, obviamente, antes do nosso.

Mas devido ao tempo de prova, todos já estavam correndo no mesmo sentido e não havia tanta gente assim para ultrapassar.

Subimos até o km 18, logo após o Shedd Aquarium. Desta vez, ao invés de voltarmos para a Columbus Drive, continuamos pela trilha na beira do Lago Michigan. Por ali, a trilha era da largura de um carro. A prova é praticamente uma reta subindo e outra descendo. Existem poucas curvas e é praticamente plana, com poucos aclives dentro dos parques.

Perto do km 20, quem sobreviveu ao frio enfim saiu da beira do Lago Michigan (ALELUIA) e entrou à esquerda da Rua Randolph. Mais 800m, nova curva à esquerda para voltar para a Columbus Drive e o pórtico de chegada, no mesmo Maggie Daley Park. UFA!

Apesar do sofrimento causado pelo frio, fiz o melhor tempo de 2018 até então e meu segundo melhor tempo da vida: 1:52:39h. Eu havia vencido o frio com tempo excelente! Recebi a linda medalha, com uma roda gigante (que gira!) e fui logo resgatar meu agasalho, vestir uma camiseta seca e buscar o tal festival pós prova. A temperatura continuava em gélidos 8º.C e o dia nublado.

Chicago Spring Half Marathon: abertura da primavera #corridaderua #esporte #quercorrercomigo #espiandopelomundoChicago Spring Half Marathon: abertura da primavera #corridaderua #esporte #quercorrercomigo #espiandopelomundo

Pós prova: café da manhã e cerveja

De fato, o Parque estava cheio de gente (agasalhada) e diversas tendas povoavam a área. Um estande distribuía flores de primavera e uma grande tenda servia farto café da manhã tipicamente americano para os corredores sobreviventes: torta, bacon, ovos, pães, café. Fiz meu pratão e quase derrubei tudo por causa da tremedeira de frio, mas a fome foi mais forte.

Barriga cheia, fui atrás da minha cerveja grátis. Obs.: a gente sofre com o frio, mas não dispensa uma cerveja grátis…

Passei por um estande do banco patrocinador da prova, que dava um porta-café térmico, de alumínio, para quem acertasse uma argola num pino. Decidi me arriscar, mesmo sem coordenação motora por causa do frio. Mirei bem, calculei distância x velocidade x altura x tamanho do pino x diâmetro da argola, ginguei como bom bahiano que sou e joguei a argola… que encaixou de primeira no pino! A mulher do estande vibrou mais do que eu e me deu o porta-café. Confesso que foi a limitação de movimentos que me fez acertar, por que obviamente meus cálculos estavam todos errados…

Passei pelo estande da maratona de Miami, do mesmo organizador da Meia de Chicago, que estava oferecendo uma camisa da prova da Flórida para quem preenchesse um cadastro. Como é? Basta preencher o cadastro para ganhar uma camisa? Coisa de quem respeita o consumidor…

Havia ainda outros estandes oferecendo vouchers de descontos, mas voltados aos residentes.

Achei enfim o furgão da cerveja grátis! A Lagunitas, cerveja local e uma das patrocinadoras da prova, estava oferecendo um copo de cerveja aos corredores!

Nessas horas, passa a dor, o sofrimento, o frio, a tremedeira, o jet lag, etc… até perceber que o copo de cerveja era grátis MEDIANTE “doação” de US$5 para uma ONG…

Aí você olha para um lado, olha para o outro, olha para seus tênis, suas pernas, suas mãos tremendo, olha para a multidão, olha para o céu nublado, olha para sua medalha… e decide “ajudar” a tal ONG…

Nada contra, tudo a favor de ajudar ONGs, eu acho extremamente necessário, mas aquilo me pareceu uma grande pegadinha.. Enfim…

“Doei” (ou doeu?) US$5, recebi minha Lagunitas IPA e encostei num tambor ao lado para curtir a conquista e o ambiente, que realmente era de muita festa, com uma banda tocando ao vivo, além de famílias e amigos confraternizando pelo Parque, curtindo o domingo ao ar livre.

Mas meu copo de cerveja foi terminando, o frio foi aumentando e percebi que pelos mesmos US$5 eu poderia beber uma cerveja num ambiente aquecido… decidi então encerrar minha participação na 10ª. Chicago Spring Half Marathon, tomando o destino do hotel.

Correr ou não correr a Chicago Spring Half Marathon?

Recomendo bastante a Chicago Spring Half Marathon: muito bom custo x benefício, retirada sem burocracia do kit, trajeto rápido e todo asfaltado, excelente organização, fácil acesso largada/chegada, hidratação suficiente, fotos grátis, medalha linda e camiseta ótima, pós prova festivo (SE AGASALHADO). 4.902 concluíram a prova em 2018.

Caminhando pelas ruas para o hotel, me peguei pensando se um dia voltaria a correr em Chicago, já que uma das “Marathon Majors”, o desejo de quase todo Maratonista, é lá, mas depende de sorteio de vaga ou de cara inscrição via agência de viagem… Mas logo percebi que deveria curtir a prova que tinha acabado de conquistar e deixar reflexões sobre probabilidades para depois…

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Cais da Ilha de Genebra

 Roteiro por Chicago – o que fazer na Cidade dos Ventos

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 Meia maratona de Munique

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By |2019-09-28T21:44:23+00:0028/09/2019|Categories: Quer Correr Comigo?|Tags: , , |0 Comentários

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