O CEMITÉRIO da Recoleta em BUENOS AIRES – artes e algumas curiosas HISTÓRIAS

Localizado no bairro de mesmo nome, na cidade de Buenos Aires, o Cemitério da Recoleta é um dos cemitérios mais visitados do mundo. Deixando de lado a singularidade deste tipo de passeio, a necrópole argentina alberga linda arte funerária que representa o esplendor burguês tão característico do século XIX, além de curiosas histórias de seus habitantes.

Esta pode ser uma visita muito interessante para quem não é sensível às almas penadas.

Cemitérios e o romantismo

Diante da fachada do cemitério, com suas clássicas colunas, já conseguimos vislumbrar o que encontraremos ao cruzar o seu portão principal: muita pompa na cidade porteña dos mortos.

Cemitério da Recoleta

Entrada principal do Cemitério da Recoleta

O Cemitério da Recoleta foi construído na primeira metade do século XIX, o século do romantismo, da poesia, da sensualidade e da melancolia, onde morrer de amor era a prova derradeira do sentimento mais puro devotado ao ser amado. Os amores eram quase sempre apaixonados e arrebatadores.

A maioria dos túmulos que encontramos no Cemitério da Recoleta data desta época.

O Movimento Romântico era forte no século XIX e não era nada incomum os jovens visitarem os cemitérios para beber, jogar conversa fora e declamar poesias. Nestes tempos a morte não assustava e era lindo morrer de tanto amor. Havia uma intensidade e cemitérios eram o cenário perfeito!

Embora eu não seja uma dama do século XIX, eu fui à cemitérios em minha juventude, conversar, filosofar sobre a vida com amigos enquanto apreciávamos belos visuais.

Elisa Brown e seu amor eterno

Uma moradora eterna do Cemitério da Recoleta, que reflete muitíssimo bem este sentimento de romantismo elevado é Elisa Brown que perdeu seu noivo, o comandante Francis Drummond, na Guerra Cisplatina.

Incapaz de viver sem o seu amor, colocou seu vestido de noiva e atirou-se no Rio da Prata, morrendo afogada.

Seu noivo, demostrando estar a altura do sentimento exacerbado nutrido por Elisa, antes de morrer voltou seus últimos pensamentos para sua amada e pediu ao sogro, o Almirante Brown, que entregasse seu relógio a ela.

Para completar esta história de amor eterno, intenso e devocional, a urna que guarda os restos mortais de Elisa foi feita com bronze fundido de um dos canhões que fazia parte da embarcação de Francis.

Será que os amantes hoje bailam, caminham e se beijam por entre as alamedas do Cemitério da Recoleta, sorrindo para nós e espalhando sua felicidade sem que percebamos?!

Eva Duarte Perón

Cemitério da Recoleta

Túmulo de Eva Duarte Perón

Muitas figuras notórias do cenário argentino estão enterradas aqui, a exemplo de Eva Duarte Perón, ex-primeira dama da Argentina, conhecida na história como defensora dos trabalhadores e dos humildes, esposa do ex-presidente Juan Perón.

Seu túmulo, escuro e austero, é um dos mais procurados pelos visitantes. É um dos mais floridos também. Sempre que passei por lá, o colorido variado das flores quebrava um pouco a sobriedade de última morada de Evita, como era conhecida pelos argentinos.

Ela morreu aos 33 anos de câncer, em 1952. Os festejos funerários duraram 2 semanas. Seu corpo foi embalsamado. Em 1955 foi sequestrado por revolucionários que derrubaram Perón e ficou desaparecido por mais ou menos 16 anos.

Chegou a ser enterrado na Itália, sob pseudônimo, em associação com a Igreja.

No ano de 1971 seu corpo foi então entregue a seu marido, em Madri e somente 2 anos depois, quando Perón foi novamente eleito Presidente da Argentina, Evita foi colocada no Cemitério da Recoleta, onde está até hoje.

Além de Eva Perón, presidentes, boxeadores, governadores, empresários, militares e outros notáveis têm um endereço no Cemitério da Recoleta.

Alguns moradores do Cemitério da Recoleta e suas curiosas histórias de vida e, claro, de morte

Tiburcia e Salvador Maria del Carril e seu amor nada eterno, mas intenso e devocional

Cemitério da Recoleta

Tiburcia e Salvador Maria del Carril

Há outros habitantes curiosíssimos morando no Cemitério da Recoleta, como o casal Tiburcia e Salvador Maria del Carril que quando eram vivos e casados ficaram sem se falar por cerca de 30 anos.

Até que ele morreu.

Mais ou menos 15 anos depois ela foi encontrar-se com ele no além. Estão enterrados juntinhos. No mausoléu de ambos, vemos seus bustos: um de costas para o outro.

Davi Alleno e seu sonho de morte

Outra história divertida e curiosa é a de Davi Alleno, empregado do cemitério que acalentava o sonho de ser enterrado nesta necrópole, onde gostaria de passar a eternidade, passeando pelas suas elegantes alamedas.

Encomendou então uma bela escultura e quanto a tumba ficou pronta não aguentou esperar pelo curso natural da vida e matou-se com um tiro. Seu sonho então foi realizado. Ou não! Quem sabe o que acontece do outro lado!

Liliana Crociati: amor eterno com seu cachorro

Cemitério da Recoleta

Liliana Crociati e seu cachorro

Não posso esquecer-me da pobre Liliana Crociati que morreu em plena lua de mel por causa de uma avalanche na Áustria. No mesmo dia seu cachorro que estava na Argentina faleceu e foi encontrar-se com sua dona. Se fecharmos os olhos e aguçarmos os ouvidos, podemos ouvir seus latidos feliz da vida brincando com sua dona amada.

A pobre Rufina Cambaceres

Cemitério da Recoleta

Rufina Cambaceres

Nenhuma história, contudo, é mais tétrica que a de Rufina Cambaceres. No dia de seu aniversário de 19 anos ela foi encontrada morta.

Dias depois de ser enterrada, os empregados do cemitério encontraram seu caixão aberto, com muitos arranhões em seu interior. A teoria espalhada é que ela teve um ataque de catalepsia, o que significa que foi enterrada viva! Tomara que agora Rufina esteja saltitando alegre entre as árvores do cemitério, esquecida de seus momentos de terror.

A cidade dos mortos

Cemitério da Recoleta

O Cemitério da Recoleta e suas alamedas

Cemitério da Recoleta

O Cemitério da Recoleta: ruas e alamedas

O Cemitério da Recoleta e suas magníficas esculturas

Cemitério da Recoleta

Cemitério da Recoleta: como nas cidades dos vivos, há os locais dos pobres e dos ricos

Eu gosto de visitar o Cemitério da Recoleta, apreciar suas belas e imponentes esculturas que dão o tom acinzentado do lugar. É uma galeria de arte e eu me perco completamente caminhando pelas alamedas da cidade dos mortos.

Como em toda cidade, há os pobres e os ricos. Os lugares bem cuidados e aqueles que estão absolutamente abandonados, mas no contexto geral, o Cemitério da Recoleta é um lugar atraente e fascinante.

Informações adicionais

Cemitério da Recoleta

Cemitério da Recoleta

A entrada é gratuita. Está aberto todos os dias das 08:00 às 18:00. O Cemitério da Recoleta oferece visitas guiadas, também gratuitas, mas apenas em espanhol de Terça a Sexta às 11:00 e Sábados, Domingos e feriados às 11:00 e às 15:00. A duração média é de 1 hora.

Endereço: Junín 1760.

Por você, com você e para você

Cemitério da Recoleta

Amor eterno, eterno amor

Por você, eu seria capaz de morrer de amor. Meu amor idealizado é real. Por você e com você eu vivo a vida e um dia continuaremos a viver este amor lá, no além, pois nem a morte irá nos separar.

Se gostou de viajar comigo pelo Cemitério da Recoleta e suas pitorescas histórias, compartilhe em suas redes sociais para que os amigos leiam e se deliciem também! 🙂 

Quer conhecer outro lugar que faz parte da história argentina?! Então clica nos links bem aqui abaixo!

Cais da Ilha de Genebra

+ ESMA – uma história de terror na Argentina

Venha espiar este mundão lindo comigo pelas redes sociais:

Siga o Espiando pelo Mundo nas redes sociais: FacebookInstagramTwitter e Google+

O Cemitério da Recoleta é um lugar muito interessante para se visitar em Buenos Aires na #Argentina, para quem não teme fantasmas. É uma galeria de arte que reflete não só o espírito romântico de uma época como abriga muitos moradores cujas histórias são curiosas. #viajar #viajantesempressa

 

Clicando na imagem ao lado o Cemitério da Recoleta ficará guardado em seu perfil no  Pinterest. 🙂

Para mais inspirações e histórias de viagem siga o perfil do Espiando pelo Mundo no Pinterest.

 

By |2018-03-07T01:05:21+00:0012/12/2017|Categories: Argentina|Tags: |6 Comentários

6 Comments

  1. Aurélio Simões 20/12/2017 em 12:53 - Responder

    Olá Ana Luiza.
    Quando visitei Buenos Aires gostei de visitar este cemitério (que visitei antes de visitar o Cemitério dos Prazeres, que lamento), apenas pensei que o túmulo da Eva Perón fosse mais imponente.

    Aurélio

    • Analuiza Carvalho 20/12/2017 em 19:18 - Responder

      oi Aurelio… Eu também gostei de visitar o Cemitério da Recoleta, tanto que já fui mais de uma vez. O túmulo de Eva Perón é sem dúvida um dos mais importantes de lá, por seu significado para o povo argentino, mas há muitos outros ilustres habitando aquela cidade dos mortos, uma vez que é um cemitério burguês. O Cemitério dos Prazeres está em minha lista para visitar tão logo volte a Portugal! 🙂 bj

  2. Juliana Moreti 21/12/2017 em 08:04 - Responder

    Aninha
    Sò voce mesmo para ouvir os latidos do cachorro da Liliana!
    hahahahahaha

    Eu acho que Tiburcia e Salvador estão brigando silenciosamente até hoje por serem obrigados a descansar eternamente um ao lado do outro!
    hahahahaha

    Adorei ler todas essas curiosidades. Nao sou tao fofa quanto você e muito menos romântica! Se a Elisa fosse minha filha, ela apanharia muito quando eu passasse para o outro lado, mas muito mesmo! Mas de todas as històrias, a que eu mais temo é a da Rufina! Me dà pavor sò de pensar!

    • Analuiza Carvalho 23/12/2017 em 19:50 - Responder

      oi Ju… rsrsrsr sua mensagem me fez rir horrores!! ehehehe Coitada da Elisa se fosse sua filha!!! A bichinha só queria viver feliz para sempre com o amor dela. Olhe só: cuidado quando passear pela Recoleta porque ela pode puxar seus cabelos viu?! rsrsrs Também acho que a história da Rufina é a pior… Tremo só de imaginar a situação!!! Coitada!!!!!!! bjuuussss

  3. Klecia 30/01/2018 em 15:52 - Responder

    Oi Aninha, eu sempre quis contar a história do Cemitério da Recoleta, mas agora depois de ler seu texto até desempolguei hahah. Impossível contar tão bem quanto você!
    Vou linkar esse lindo post nas minhas histórias de BsAs.
    Eu fui na Recoleta, atraída pelo túmulo de Evita (depois de ir ao museu, impossível não ter curiosidade de conhecer o túmulo), e pela história de Liliana Crociati. Eu claramente fiquei admirada pela opulência do lugar, aprendi algumas historias, e lembro de outros tantos túmulos que a historia aprendi aqui, com você.
    Mas só fui lá uma vez. Nunca mais voltei. Eu tenho uma, digamos, sensibilidade exacerbada para coisas de outro mundo. E toda minha visita na Recoleta foi meio ‘Assombrada’. Incluindo um túmulo que cismava em me atrair, embora não tivesse nada demais, e um momento que fui fotografar, e minha câmera simplesmente parou de funcionar, com a tela de led vibrando em várias cores. Tenho que dizer que sou facilmente impressionável. Quero voltar um dia, mas espero que seja um dia menos sombrio, com menos folhas soltas ao vento, e que o cemitério esteja mais cheio hahaha
    Lembranças de um fim de tarde em BsAs, hihihi
    Beijinho

    • Analuiza Carvalho 31/01/2018 em 20:48 - Responder

      Volte, volte sim… assim como nós, os fantasmas estão sempre a se movimentar. Pode ser que o que bagunçou sua tela já nem esteja mais por lá. 🙂

      É um lugar interessante, este cemitério. Nem toda energia me afeta: muitos elementos são necessários para me abalar. Tenho isso mais com igrejas do que com cemitérios. Vai entender!!

      Deixe de história que se você escrever sobre o Cemitério da Recoleta o fará lindamente como sempre. Mas obrigada por linkar o EPM no FSV. rsrrs bjus

Deixar Um Comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.