O antigo CEMITÉRIO AFRICANO em Nova York

Em pleno centro cívico de Nova York, constituído por muitos prédios emblemáticos e importantes para a cidade, encontramos um antigo cemitério africano. Um pequeno pedaço de terra, um monumento todo em negro, modesto, marco histórico nacional, considerado um lugar de recordação e reflexão.

Inserido em meio ao intenso movimento da região, ele pode passar despercebido. Quando lá estivemos estava em reforma, mas perecia meio abandonado, triste… Entretanto, apesar de ser uma estrutura muito simples, não careceu de sentimento. Alguma coisa ali, mexe com a gente.

A história da escravidão em Nova York

Entre 1690 e 1794 cerca de 15.000 africanos escravizados e livres foram enterrados neste local. Em 1991, durante a construção de um edifício o cemitério africano – African Burial Ground – foi descoberto e 419 restos de esqueletos foram exumados.

A história da escravidão africana começou muitos séculos atrás, quase ao mesmo tempo que o nascimento da cidade de Nova York. Os africanos foram levados a New Amsterdam, como então se chamava a cidade colônia dos holandeses, a partir de variadas regiões do continente africano, com culturas, idiomas e religiões diversas e distintas.

Até a Revolução Americana, Nova York (1664 os ingleses tomaram posse da cidade, batizando-a com o nome atual) tinha como sua mercadoria mais valiosa os negros escravos que em números superavam qualquer outra cidade do norte que aprisionava africanos.

Havia alguns desses negros que eram livres.

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O antigo cemitério africano em pleno centro cívico de Nova York

O duro trabalho escravo

O trabalho era muito duro e a taxa de mortalidade muito alta, bastante superior à dos brancos. Os homens limpavam a terra para as plantações, preenchiam pântanos, construíam estruturas e estradas como Broadway e o muro que limitava e protegia a cidade, hoje a tão conhecida e famosa Wall Street.

Já as mulheres negras escravizadas, eram responsáveis por tarefas como costurar, cozinhar, colher e cuidar das crianças: tanto as de seus donos quanto as suas, estas últimas desprovidas de infância, pois desde cedo eram obrigadas a carregar lenha e água.

O antigo cemitério africano

As leis coloniais de Nova York proibiam reunião de grande número de negros. Além disso, foi decretado que eles não podiam ser enterrados em cemitérios consagrados e os funerais só poderiam acontecer durante o dia. Assim que, os escravos acabavam enterrando seus mortos fora da muralha da cidade, perto de um barranco.

Só que a cidade foi crescendo, saiu dos limites do muro e em 1774 o cemitério africano foi definitivamente fechado, o terreno loteado, vendido. Com as construções de inúmeros edifícios, o lugar foi soterrado e esquecido por quase dois séculos.

Com a descoberta do cemitério africano no fim do século passado, conhecemos um pouco mais sobre os rituais fúnebres daqueles tempos entre os negros africanos e seus descendentes americanos. Dos 419 restos mortais encontrados, mais de 90% estava envolto em mortalhas e enterrado em caixões de tamanho normal.

Foram achados com os mortos, objetos variados como moedas nos olhos para mantê-los fechados, além de pequenos artefatos como miçangas e abotoaduras. Tudo para felicidade do ente querido em sua despedida da terra.

Rasgos do passado nova yorkino

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O monumento que marca o local onde os antigos negros eram enterrados

Visitar o cemitério africano foi um momento interessante de nossa viagem por Nova York, apesar de ter durado apenas poucos minutos. Fiquei imaginando que com a alta taxa de mortalidade entre os escravos, os funerais ali deviam ser contantes.  Os sussurros que chegaram até mim vindos daquele tão distante passado, eram silenciosos e melancólicos.

Este foi apenas mais um marco dentre tantos que encontramos na cidade de Nova York, mais um pedaço da costura de retalhos envelhecidos, desgastados pela ação do presente, rasgos de história sobrevivente, que me seduziram e fizeram com que me apaixonasse por ela.

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O antigo cemitério africano em Nova York

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Cais da Ilha de Genebra

By |2019-05-03T10:37:16+00:0003/05/2019|Categories: Américas, Estados Unidos, Nova York|Tags: , |8 Comentários

8 Comments

  1. Ruthia Portelinha 08/05/2019 em 04:39 - Responder

    Nunca tinha lido nada sobre o cemitério africano de Nova York. Uma vez mais, você sai do óbvio e me inspira com a sua sensibilidade. É um passado triste, mas que é preciso relembrar e refletir sobre.
    Parabéns
    Mil beijos

    • Analuiza Carvalho 08/05/2019 em 07:04 - Responder

      oi Ruthia, querida… ele fica um pouco perdido em meio a balburdia do Centro Cívico da cidade, pode até passar despercebido, para a maioria das pessoas. Acredito que poderiam investir um pouco mais em contar esta história do passado escravocrata nova yorkino; aprendemos muito olhando para trás em nossas histórias, não?! Fico feliz que eu possa te inspirar, pois a recíproca é absolutamente verdadeira! muitos beijos

  2. Angela C S Anna 09/05/2019 em 07:34 - Responder

    soterraram o cemiterio e venderam! q coisa mais bizarra, realmente o ser humano funciona pelo dinheiro

    • Analuiza Carvalho 10/05/2019 em 07:58 - Responder

      Num é mesmo?! Ainda mais naquela época em que pessoas escravizadas nem eram nem consideradas humanas! 🙁

  3. Diego Cabraitz Arena 09/05/2019 em 07:49 - Responder

    Nossa, nunca ouvi falar sobre esse cemitério em NY, e estou lendo bastante sobre a cidade ultimamente, irei mês que vem. Um local importante para saber mais sobre a história.

    • Analuiza Carvalho 09/05/2019 em 15:14 - Responder

      oi Diego, aproveite bastante NYC, uma cidade para muitos gostos! Pois, o cemitério é modesto, perdido em meio à cidade, mas para mim que gosto de passado, foi interessante passar por ali. 🙂

  4. Gisele Prosdocimi 10/05/2019 em 00:03 - Responder

    Uauuuu, que interessante, nunca tinha ouvido falar deste cemitério, ainda mais em Nova York, um local de compras e tantas atrações.
    Ás vezes a história está em locais que não imaginamos e a cidade fica ainda mais incrivel e interessante.

    • Analuiza Carvalho 10/05/2019 em 08:01 - Responder

      Oi Gisele… por ser um lugar de compras e agito e eu achei que não fosse gostar de NYC. Por isso, me propus a buscar o passado da cidade para então tentar me entender com ela. Assim, que descobri fragmentos de sua história e então fui seduzida! 🙂 Entender um pouco de sua trajetória fez diferença para mim!

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