A CASA museu do ESCRITOR russo Nikolai GOGOL: Moscou

Nossa primeira busca pela casa do escritor russo Gogol – um de meus preferidos – foi infrutífera, mas que nos rendeu uma tarde magnífica! No dia seguinte voltamos a procurar e finalmente encontramos a casa museu de Gogol.

Nikolai Gogol nasceu em um povoado chamado Velyki Sorochyntsi, que hoje pertence a Ucrânia, em 1809, mas que em sua época fazia parte do Império russo. Morreu em 1852 na cidade de Moscou, onde então morava.

Toda a sua obra foi escrita em russo.

Tinha uma alma nômade, de viajante. Morou em São Petersburgo, Itália e Alemanha, antes de passar os últimos anos de sua existência em Moscou.

Encontrando finalmente a casa museu de Gogol

Para reiniciar nossas buscas pela casa museu de Gogol nós retornamos para o endereço da tarde anterior, o Boulevard Nikitsky 7, um agradável jardim, florido naquele verão russo, com bancos, algumas poucas pessoas matando o tempo e uma escultura do escritor.

De novo nos sentimos perdidos, pois absolutamente nada indicava onde estava a casa do escritor.

Casa museu de Gogol

O agradável boulevard onde está situada a casa de Gogol e sua escultura

Entretanto, não estávamos dispostos a desistir.

Ficamos por ali pelo boulevard observando a movimentação. Então eu vi uma pessoa saindo de uma porta da casa que está localizada ao lado direito de quem entra pelo portão principal do boulevard.

Fui até lá, coloquei o rosto para dentro e imediatamente eu soube que havíamos finalmente encontrado a casa museu de Gogol. A felicidade me invadiu como um raio e fiquei em estado radiante por estar prestes a entrar novamente em seu mundo.

Casa museu de Gogol

A casa museu de Gogol está atrás daqueles arcos, após a entrada principal do boulevard, do lado direito.

Descobriríamos ao longo de nossos dias na Rússia que as entradas para os locais não são evidentes ou óbvias. Nem sempre há placas ou avisos indicativos. Usamos muitas vezes de intuição e quando víamos uma porta, entrávamos para descobrir se era o lugar que estávamos procurando.

Tentativa e erro. Funcionou!

A casa

A construção da casa data do século XVII quando esta ainda era uma região rural, campestre. Passou por inúmeras reformas e ampliações mudando de dono diversas vezes. O anexo em que Gogol morou muito tempo depois foi construída no início do século XIX, pouco tempo antes do fogo de Moscou de 1812 que danificou gravemente a casa.

Foi em 1848 que o escritor foi morar com seus amigos, o casal Tolstoy, donos da mansão do Boulevard Nikitsky 7, naquela época.

Após a Revolução Comunista em 1917 cerca de 31 famílias e 77 pessoas passaram a habitar a mansão. Apenas em 2009 foi inaugurada a Casa Museu de Gogol nos cômodos em que ele morou.

A casa de Nikolai Gogol

A casa museu de Gogol não me decepcionou. O escritor viveu aqui os últimos 4 anos de sua vida, dividido entre a fé e a literatura: isso consumiu sua alma. Na lareira, durante um momento de insanidade, ele teria queimado vários manuscritos originais, ainda não publicados.

Uma lástima!

Ele ocupava alguns cômodos no andar superior que acessamos por uma escada.

Decorada quase exatamente como na época em que Nikolai Gogol morou ali, a casa me permitiu entrar um tantinho assim em sua intimidade. Para mim, contextualizar um escritor me ajuda a entender sua obra, sua escrita, suas histórias.

A parte da casa que ele habitou é ampla, elegantemente decorada apesar do curioso colorido das paredes. Ela nos leva, não só pelos antigos domínios do escritor, como também para uma típica e rica morada moscovita do século XIX, pré-revolução comunista.

Estranhamente a casa de Gogol me lembrou um ambiente feminino e não um local habitado por um homem solteiro e atormentado.

Casa museu de Gogol

Moveis elegantes contrastando com o colorido das paredes

Na casa encontramos seu escritório, a sala onde ele recebia os amigos e fazia leitura de suas peças com atores, além de seu quarto, onde ele morreu. Dizem que, completamente desiludido, prostrou-se em sua cama, recusando-se a comer qualquer tipo de alimento, vindo a falecer 10 dias depois.

Os ambientes são aninhados, um ligado ao outro. Em cada um deles há informações disponíveis em papel que temos que devolver ao findar a leitura, em inglês e em russo apenas, onde podemos entender um pouco mais sobre a vida de Gogol e a casa.

À medida em que fui caminhando, de ambiente em ambiente, eu fui sentindo a atmosfera em que viveu o escritor russo. Fui imaginando ele escrevendo suas histórias divertidas, críticas, surreais. Lembrei-me do quanto ele me fez rir e do quanto ele me fez pensar.

Lembrei-me que ele foi um dos autores que ajudaram a criar minhas memórias primárias a respeito desse país e do quão intensa foi a minha surpresa ao perceber a imensa contradição entre a sisudez russa do meu imaginário e as histórias incrivelmente cômicas e fantásticas criadas por alguns destes sensacionais escritores.

Casa museu de Gogol

Lendo as informações disponíveis sobre a casa e a vida de Gogol

Para mim, a sala mais interessante foi aquela onde recriaram as histórias de alguns dos livros de Gogol ao longo das paredes. Não tenho noção da quantidade de tempo que fiquei bem aí, completamente absorta pelas representações dos personagens do escritor.

Quando descobri aquela sala eu me senti uma criança em um parque de diversões. Foi maravilhoso ver os desenhos de meus livros favoritos. Foi como se a qualquer momento eu pudesse ser catapultada para uma daquelas histórias. Eu quase desejei isso.

Ficamos por ali, Leo e eu, identificando os cenários, conversando com a senhorinha – a mamuska –  que cuidava deste ambiente. Bom, conversando é apenas um modo de dizer, claro, já que ela não falava inglês e nós não falamos nadica de nada de russo.

Casa museu de Gogol

Múltiplas representações do fantástico mundo de Gogol

As mamuskas são as senhorinhas que tomam conta dos museus na Rússia, cuidando dos ambientes e orientando os visitantes. Elas são onipresentes e muito simpáticas.  Aqui, na casa museu de Gogol, não foi diferente, onde estas velhas damas também me acolheram com muita gemtileza.

Nos museus em que visitei na Rússia elas me ajudaram mesmo quando nem eu sabia que precisava de ajuda. Me pegavam pelo braço, me indicavam que caminho seguir, me entregavam os papeis com as informações quando eu não os pegava.

Quando eu passava direto por algum objeto que elas consideravam importante, me puxavam, me colocavam diante dele e apontavam para algum parágrafo do papel.

Já falei delas em outros textos e com certeza ainda escreverei mais sobre estas encantadoras mulheres.

Nossas mamuskas na casa museu de Gogol

Estávamos na sala de ensaios de Gogol, entretidos com as fotos quando de repente, quem aparece toda feliz nos cumprimentando com muitos gestos e risos? A nossa guia da “falsa” casa Gogol. Falou conosco alegremente e seguiu seu caminho.

Nós a encontramos novamente na sala das representações dos livros do autor conversando com a mamuska responsável por este ambiente, enquanto sorria para nós o tempo todo.

A nossa senhorinha-guia deste recinto também foi imensamente acolhedora. Quando a amiga foi embora, ela se juntou a nós e nos guiou: olhava o texto de nosso papel em inglês, buscava o equivalente no texto em russo e nos apontava os quadros e pinturas.

Nossa mamuska nos arrastava para lá e para cá pela sala e ria. Eu estava numa felicidade incalculável. A visita ao mundo de Gogol foi um desses momentos que entraram em minha memória afetiva.

Casa museu de Gogol

Representação de O Capote

Fiquei a pensar se ele, Nikolai Gogol, não estava por ali, me recepcionando, sabendo o quão encantada eu sou com suas histórias. Não sei, mas com certeza as mamuskas me receberam com muita honra e simpatia, não há dúvida.

Deixei até recadinho no livro de visitas!

Saí de lá saltitante de alegria e fomos caminhar pela cidade em direção à Igreja do Cristo Salvador, outra pérola desta magnífica cidade.

Casa museu de Gogol

Deixando um recadinho e minha energia no mundo de Gogol. Ao fundo uma de minhas queridas mamuskas

Informações adicionais

A única coisa que vale a pena é fixar o olhar com mais atenção no presente, o futuro chegará sozinho, inesperadamente. É tolo quem pensa no futuro antes de pensar no presente.” – Nikolai Gogol

Endereço:  Nikitsky 7 (Никитский бул., 7А)

Bilhetes: 120 rublos.

Como chegar: metrô sentido estação Arbatskaya.

Horários de funcionamento: Terça a Sábado das 10:00 às 22:00//Domingos das 10:00 às 20:00// fechado às segundas-feiras.

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Quer saber como foi nossa primeira busca pela casa de Gogol que se transformou em uma tarde memorável?! Então clica no link bem aqui abaixo: 

Cais da Ilha de Genebra

+ Em busca de Gogol pelas ruas de Moscou

A casa museu de #Gogol em #Moscou nos leva, não só pela intimidade do escritor russo, como para um passeio por suas fantásticas histórias e pelo passado moscovita. #Rússia #Europa #viajantesempressa #viajar #pelomundo

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A casa museu de Gogol em Moscou

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2018-04-22T14:31:57+00:0024/11/2014|Categories: Europa, Moscou, Rússia|Tags: |2 Comentários

2 Comments

  1. Juliana Moreti 23/01/2018 em 18:33 - Responder

    Este post realmente fala muito sobre você. Se fadas e duendes te acompanharam nos palácios da Suiça, porque Nikolai Gogol não iria estar te recepcionando ali?

    Nunca li nada dele e fiquei muito curiosa e intrigada e, se fosse fã, certamente iria me deliciar na sala das representações.

    • Analuiza Carvalho 24/01/2018 em 15:57 - Responder

      Leia, leia Gogol! De todos os russos, é o meu preferido. Seus contos são irônicos e divertidos. Como uma alma tão atormentada, dividida pode criar aquelas maravilhosas histórias?! 🙂 bjus

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