A CASA de Anne Frank: um cenário de GUERRA

Faz muitos anos desde a primeira vez que eu li o Diário de Anne Frank pela primeira vez. Eu não me recordo como este livro veio parar em minhas mãos. Eu era muito menina, mas já era uma leitora voraz. Lia e relia tudo o que me caía em mãos. Àquela época eu jamais poderia imaginar que um dia eu visitaria o esconderijo da menina Frank, hoje um museu na capital holandesa: a Casa de Anne Frank.

A edição daquele livro que habita minha estante até hoje era antiga, publicada muito antes de meu nascimento. Um português arcaico, fotos em preto e branco do estreito edifício, que me intrigava por sua largura e de uma menina sorridente de cabelos escuros. Passei dias olhando aquelas imagens, imaginando a vida daquela menina que durante meses esteve confinada. Uma menina que tinha a mesma idade que eu e nome parecido com o meu.

Um dia, decidimos visitar Amsterdam

Quando decidimos visitar Amsterdam, eu li o Diário de Anne Frank novamente. Sua história é triste, emocionante, terrível, como a de todas as vítimas dos nazistas. Seu livro, entretanto é enfadonho, chato, entediante.

Imagino que não poderia ser diferente, uma vez que Anne era uma criança e os seus dias eram repletos de tédio. Ainda assim, com criatividade e mente agitada, ela contava em pormenores seus dias de encarceramento. Falava das pessoas, da dinâmica diária, dos seus sonhos, além dos detalhes da estrutura do esconderijo.

Maçante, mas indiscutivelmente um testemunho daqueles tempos de guerra. Aí está toda a virtude do Diário de Anne Frank.

O Diário de Anne Frank

Em seu aniversário de 13 anos Anne recebeu de presente um caderno de capa dura. Ela o usou como diário e com muitos detalhes, escreveu sobre sua vida cotidiana na capital holandesa. Era então 1942 e a menina era obrigada a andar com uma estrela amarela indicando ser judia.

O mundo já estava em guerra e Anne não podia andar nos bondes ou em bicicletas e muito menos ir aos cinemas. Um mês após seu aniversário, as medidas restritivas viraram perseguição e sua família foi obrigada a esconder-se.

O pai de Anne havia passado meses preparando um esconderijo, o Anexo Secreto localizado no canal Prinsengracht, nº 263, onde a família Frank, Anne, a irmã Margot e seus pais, a família Van Daan, pais e o filho e um dentista viveram juntos por mais ou menos dois anos, quando então o esconderijo foi descoberto.

Até hoje ninguém sabe como.

O Diário de Anne Frank fala sobre estes últimos dias de liberdade e os dias de confinamento num espaço pequeno, sem privacidade, passando os dias administrando o silêncio e as horas de ócio, além do medo constante da descoberta. A esperança do iminente fim da guerra aquecia seus corações e daí tiravam forças para viver cada dia, naquela situação.

A influência de Anne Frank

Oito pessoas aprisionadas (5 adultos, 2 adolescentes e uma criança), vivendo juntas, sem nunca poderem sair, com comida escassa, sem saber o que seria deles no dia seguinte ou se haveria um dia seguinte. Imaginemos isso para uma menina de 13 anos, sem total consciência do tamanho do horror que os nacional-socialistas estavam imprimindo ao mundo e às pessoas. Os sonhos de todos confinados, a vida roubada.

Foram estes os pensamentos que me invadiram quando visitei a Casa de Anne Frank em Amsterdam, o esconderijo que abrigou estas pessoas, mas que no final das contas  não conseguiram escapar das garras da Gestapo. Isso era o que mais me exasperava quando li o Diário de Anne Frank quando menina: eles foram fortes, sobreviveram ao cárcere para então serem descobertos!

Por causa de Anne passei a escrever diários, hábito que carrego até hoje. Por causa dela, eu nomeava meus diários com nomes femininos e os personificava. Hábito que já não tenho. Por causa da menina Frank, meu primeiro diário assim como o dela chamava-se Kitty e tinha capa dura.

Muitos anos e um oceano de sofrimento me afastam dessa menina, mas eu segui seus passos e estive ali, onde ela passou por uma provação inimaginável.

A visita à Casa de Anne Frank

A Casa de Anne Frank em Amsterdam (

A Casa de Anne Frank – o anexo secreto que abrigou a família Frank por quase 2 anos

A visita à Casa de Anne Frank não me emocionou. Eu não chorei e não sofri. Contudo, percorri cada um dos cômodos lentamente imaginando como não devem ter sido aqueles meses. Em cada ambiente eu rememorava as palavras de Anne sobre a vida ali, como ratos de laboratório, tentando manter a humanidade, a dignidade, ainda que nas coisas ordinárias da vida, sem sentido naquele contexto.

Como eles conseguiram?! Como foi possível aquela vida, sem enlouquecerem?! Impossível saber.

A casa está vazia, nua, sem móveis…

Eu fiquei muito tempo ali, revivendo aquela história; as pessoas passavam, grupos entravam e saíam e nós ficávamos. Eu escutei o barulho de bombas, o silêncio imposto, as irritações cotidianas, a expectativa do fim da guerra…

Depoimentos comoventes, doídos…

Quando deixamos a casa caímos em um ambiente com vídeos com depoimentos de pessoas que conviveram com Anne. Paramos para ouvir e então, neste momento eu me comovi largamente e chorei. Muito!

O primeiro foi de seu pai contando a surpresa e tristeza que ele sentiu ao ler o diário de Anne. Aquela menina, ele disse que não conhecia. A imagem, o que ele supunha saber da filha não condizia com suas palavras no diário. Foi muito tocante, comovente ver seu olhar, ouvir sua voz… Ele já não podia conhecê-la. Ela estava morta!

O outro foi de uma vizinha de Anne cuja família conseguiu fugir de ser levada para o Campo de Concentração. Ao saber da prisão da amiga conseguiu levar comida para ela. Com dificuldade jogou por cima da cerca, mas outra pessoa no campo em desespero roubou.

Anne estava abatida e disse que como toda sua família havia morrido ela não tinha motivos para viver. A menina teria sucumbido dias depois sem saber que seu pai sobrevivera.

Anne morreu no campo Bergen-Belsen na Alemanha de tifo.

A Casa de Anne Frank: como visitar

A Casa de Anne Frank em Amsterdam

A fila imensa em um dia qualquer que passamos em frete a Casa de Anne Frank

Nós compramos os ingressos para visitar a Casa de Anne Frank pela internet assim que decidimos conhecer Amsterdam. Eu não queria pegar filas ou correr o risco de não conhecer o cenário dos últimos anos da vida de Anne Frank, cujo livro fez parte de minha infância. Escolhi o horário do fim da tarde porque não desejava visitar mais nada depois. Entramos por uma porta lateral e esperamos lá dentro nosso horário. A cidade já havia escurecido.

Isso aconteceu alguns anos atrás. Não sei como andam hoje as visitas, mas a Klécia que escreve para o Fui Ser Viajante esteve lá este ano, visitando a Casa de Anne Frank. Além de contar o que é preciso para conhecer o anexo secreto, ela faz um bonito relato de seus sentimentos ao percorrer o local. Clique no link logo aqui abaixo para ler!

Cais da Ilha de Genebra

Anne Frank e sua casa pelo olhar sensível e prático de Klécia

Quer conhecer outro lugar testemunha e cenário da Segunda Guerra Mundial?! Então, por favor, clica no link bem aqui abaixo!Cais da Ilha de Genebra

+ Corrie Ten Boom, uma heroína de guerra

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A Casa de Anne Frank: um cenário de guerra. O edifício que abrigou a família Frank e mais 4 pessoas por quase 2 anos em Amsterdam na Holanda, durante a segunda guerra mundial é um museu e uma visita necessária para quem ama ler e conhecer as história do mundo e seus personagens. #museu #viajar #casadeannefrank #viajantesempressa #espiandopelomundo #amsterdam #holanda #destinos               A Casa de Anne Frank: um cenário de guerra. O edifício que abrigou a família Frank e mais 4 pessoas por quase 2 anos em Amsterdam na Holanda, durante a segunda guerra mundial é um museu e uma visita necessária para quem ama ler e conhecer as história do mundo e seus personagens. #museu #viajar #casadeannefrank #viajantesempressa #espiandopelomundo #amsterdam #holanda #destinos

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A Casa de Anne Frank em Amsterdam, Holanda

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2018-06-30T19:45:42+00:0020/05/2018|Categories: Amsterdam, Europa, Holanda|Tags: |14 Comentários

14 Comments

  1. MARCIO VITAL VALENÇA 05/06/2018 em 10:46 - Responder

    Amsterdã é uma cidade incrível e na minha opinião o Museu de Anne Frank é a minha melhor atração. Parabéns pela matéria.

    • Analuiza Carvalho 05/06/2018 em 11:34 - Responder

      oi Marcio… Eu gostei muito de vistar a Casa de Anne Frank pelo que ela representa para o mundo e para minha infância, mas não foi, nem de longe, minha atração favorita na capital holandesa! 🙂 De qualquer modo acho que, especialmente para quem leu o livro, a casa é uma visita importante a se fazer por lá!

  2. Cynara Vianna 06/06/2018 em 11:04 - Responder

    Quando planejamos nossa viagem para Amsterdam, li o livro 1 mês antes para chegar ao museu com tudo bem fresquinho na memória. Compramos os ingressos com antecedência pela internet para não perdemos muito tempo nas filas e garantimos nossa entrada. Foi uma visita muito emocionante pra mim, meu marido ficou segurando meu braço o tempo todo, ele disse que me sentia trêmula. Passamos toda a visita calados e quando saímos nos sentamos na grama do canal em frente por alguns longos minutos e ainda em silêncio. Foi uma das experiência mais fortes que tive em viagens. O museu realmente é maravilhoso, mas aconselho para quem sabe sobre a história. Escrevi sobre ele também, não poderia deixar de registrar essa visita.

    • Analuiza Carvalho 12/07/2018 em 17:39 - Responder

      oi Cynara… é curioso como cada pessoa sente de um jeito as coisas do mundo. A Casa de Anne Frank não me emocionou, mas os depoimentos no final da visita sim. Nem de longe foi a experiência mais forte ou chocante que eu tive em viagens. Dachau – o primeiro campo de concentração Nazi, na Alemanha, o Museu da Repressão em Tomsk, Rússia e o Centro de Documentação em Nuremberg sim, me abalaram. A desumanidade em grau máximo!

      Concordo com você que a visita é mais interessante quando conhecemos a história de Anne. bjs

  3. Lulu Freitas 07/06/2018 em 18:00 - Responder

    É muito triste esse passeio. O vídeo no final, com a entrevista do pai é de cortar o coração. Difícil segurar as lágrimas. Acho que é um lugar que todo mundo deveria visitar para lembrar os erros do passado, ainda mais em uma época de tanta intolerância e falta de respeito ao próximo em que vivemos.

    • Analuiza Carvalho 08/06/2018 em 14:25 - Responder

      Eu concordo com suas palavras Lulu… Impressionante que ainda vivamos tempos de intolerância e para mim estes lugares que mostram atrocidades cometidas pela humanidade são lembretes para que sigamos outros rumos mais amorosos, tolerantes e respeitosos. bj

  4. Débora Resende 07/06/2018 em 18:04 - Responder

    Ainda não conheço Amsterdã, mas esse é o local que mais tenho curiosidade de conhecer na cidade. Eu li o livro e gostei bastante!

    • Analuiza Carvalho 08/06/2018 em 12:13 - Responder

      oi Débora… eu não adorei o livro, mas o contexto histórico dele, da vida daquelas pessoas me despertaram a curiosidade de ver a local onde eles conseguiram se esconder por tantos e tantos meses. Como não devem ter sido difíceis aqueles dias…

  5. Vanessa Orfao 03/07/2018 em 10:06 - Responder

    Sabe que eu fui para Amsterdã, acredito que esse seja um dos pontos turísticos mais famoso que existe na cidade, mas não consegui entrar. Não visitei a casa, porque todos os dias que estive lá, como você citou, a fila estava imensa. Mas….ainda quero retornar com um tempo, para fazer a visita. Adorei seu relato, me deixou com vontade de visitar.

    • Analuiza Carvalho 03/07/2018 em 10:19 - Responder

      oi Vanessa… Eu concordo com você; Acho que a Casa de Anne Frank é um dos locais mais famosos e procurados por turistas na Holanda. Faz sentido por conta da história da família né?! Duas sugestões para quando voltar à Amsterdam: leia o livro (caso não tenha lido) e compre os bilhetes pela internet para evitar as filas. bjs

  6. Marcia Picorallo 11/07/2018 em 11:24 - Responder

    Ana, também li esta edição (rsrs) e não sabe o alívio que senti ao ler que você achou o livro chato, porque eu, teimosa, li até o fim, mas minha filha, na mesma idade, mas em outros tempos, o largou pela metade. Também escrevia diários, mas não sei exatamente se fui influenciada pela leitura de Anne Frank.

    Quanto a visitar o museu, eu não quis ir e fiquei surpresa de você ter conseguido tamanha introspecção num lugar diminuto cheio de turistas, uma das razões de eu não ter me animado à visita.
    Abraços

    • Analuiza Carvalho 12/07/2018 em 17:50 - Responder

      Oi Marcia… a temática é triste naturalmente, mas o livro é chato… Estar na casa e ver aquele cenário real me fez pensar em muitas coisas.
      Um negócio que eu aprendi em minhas viagens: as pessoas passam e passam rapidamente. Se deixe ficar que encontrará diversas pausas entre os inúmeros turistas e então terá seu tempo! 🙂 bjus

  7. Gabriela Torrezani 04/08/2018 em 13:23 - Responder

    Tive uma experiência parecida com a sua, apesar de ser um lugar bem lotado também consegui atingir um nível importante de introspecção e reflexão, a energia da casa é muito forte…

    • Analuiza Carvalho 06/08/2018 em 07:25 - Responder

      oi Gabi… cada um sente de uma forma né?! A casa em si não me emocionou, mas com certeza a história sim. Como eles conseguiram passar quase 2 anos naquele lugar, naquelas circunstâncias?! Inimaginável! Os depoimentos ao sairmos da casa, contudo, me fez verter muitas lágrimas. bjs

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