Um CASAL soteropolitano sentado ao LADO da JANELA

Naquela tarde, eles estavam sentados lado a lado: ele mais próximo à janela, ela na ponta oposta. Pela janela, a Baía de Todos os Santos com suas águas azuis e calmas.

O mundo se resumia aos dois.

Ele estava de frente para a mesa, algo escorregado na cadeira de plástico amarela, pança proeminente, daquelas que se acomodam firmemente na parte baixa do abdômen, mãos pousadas sobre ela, cabeça jogada para trás em riso farto.

Foi algo que ela lhe disse.

Filomena tinha o corpo voltado para ele, levemente inclinado em sua direção. Não totalmente, meio corpo apenas. Ela sorria brandamente.

Algo condescendente, talvez.

Da baía de Todos os Santos vinha uma brisa, suave, quase imperceptível. Havia chovido muito nas últimas semanas, mas o calor estava sempre presente. Assim como a umidade forte, incômoda, que acentuava o calor.

Eles nem notavam.

Eles já estavam acostumados e gostavam do clima da cidade.

A mesa diante deles estava repleta de comida de toda sorte: pititinga frita, casquinha de siri com farofa de dendê, caldo de sururu, bolinho de peixe, amendoim cozido…

As cores da típica culinária baiana vibrando, inebriando o ambiente com seus deliciosos olores.

Naquela tarde, eles declinaram da moqueca e ficaram só nos petiscos.

Sobre a mesa podíamos avistar ainda a boa e ardida pimenta, uma cachacinha branca e uma garrafa de cerveja geladíssima, quase vazia já, abrigada pela camisinha de cervejaria famosa.

O copo de ambos estava pela metade.

Enquanto ele ria, Filomena bebeu um gole de sua cerveja. Ainda estava fria.

Ele a adorava. Era um desses amores de romance com final feliz, que sobrevive à vida, ao cotidiano, ao egoísmo humano, às ansiedades da existência e se renova a cada nascer do sol.

Se bem que eles estavam apenas nas páginas quase iniciais de sua história de amor.

Ela também o amava, embora não da mesma maneira porque as pessoas não amam da mesma maneira.

Enquanto ele ria, desses risos que parecem não ter fim, Filomena sorria, sorriso mais largo agora, se deixando contagiar por sua alegria de menino.

Despretensiosa.

Seu riso foi pouco a pouco cessando, ficando apenas um riso oco, vago… Algumas lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.

Ele estendeu a mão, sem perceber, e fez um carinho em seu braço. Ela não se mexeu, continuou ali olhando para ele.

A pele de Filomena era escura como uma noite sem lua.

Sempre que ele a olhava era uma surpresa: como podia existir tamanha beleza, ele constantemente pensava.

Quando Filomena sorria seu mundo inteiro se iluminava!

Ela era alta, muito magra, braços longos e finos. Ela andava como se numa passarela estivesse. Ato inconsciente.

Naquela tarde, eles comiam. Eles bebiam. Eles riam.

A brisa que vinha da Baía de Todos os Santos continuava a soprar.

O sol ia baixando cada vez mais mudando a temperatura e a tonalidade das águas.

O salão ia esvaziando.

Eles iam ficando, perdidos um no outro.

O mundo se resumia aos dois.

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Cais da Ilha de Genebra

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Cais da Ilha de Genebra

 

By |2018-08-14T11:20:43+00:0031/12/2017|Categories: Cenas das Cidades|Tags: |8 Comentários

8 Comments

  1. Klecia 08/01/2018 em 21:18 - Responder

    Eu não sei vocês, mas um amor assim desse jeito, ou é pra sempre, ou é de fazer um só chorar pra se acabar. Filomena amava, mas chorava por que? Meu coração lá no fundo me diz que Filomena vai embora dia desses qualquer, junto com essa brisa do mar. Será?

    • Analuiza Carvalho 10/01/2018 em 18:21 - Responder

      Será?! Acho que Filomena o ama também… de outro jeito: mais sereno, sensato, maduro. Será que ela um dia vai embora?! Não sei… esperemos! 🙂

  2. Gabriela Torrezani 14/08/2018 em 06:39 - Responder

    Adorei esse conto! De uma sensibilidade incrível, real, trazendo os elementos do local e me dando muita vontade de ser uma mosquinha e poder espiar essa vista e essa vida do casal… E é isso eu diria para a Filomena “realmente querida, ninguém ama da mesma maneira!”

    • Analuiza Carvalho 04/09/2018 em 19:39 - Responder

      oi Gabi… fico feliz que tenha gostado deste conto. Este casal é muito querido! Diria que sua fala para Filomena é perfeita! 🙂 bj

  3. Luciana Rodrigues 14/08/2018 em 10:25 - Responder

    Me veio em mente a canção de um baiano famoso e o verso: Um amor assim delicado…

    • Analuiza Carvalho 14/08/2018 em 11:14 - Responder

      “(…) Dessa coisa que mete medo
      Pela sua grandeza (…)” muito boa esta memória! Gostei! 🙂 Contudo, me arrisco a dizer que Filomena não é serpente que envenena. Não, ela não despreza este amor, porque ela também ama! 🙂

  4. Patti 14/08/2018 em 13:20 - Responder

    Amei o post! Que saudade de Salvador! A parte da casquinha de siri com farofa de dendê foi cruel ha ha (babando aqui) …

    • Analuiza Carvalho 14/08/2018 em 14:36 - Responder

      Uma casquinha de siri com farofa de dendê é mesmo para lamber os beiços né?! rsrs bj

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