AMOR à primeira vista por HAVANA

Eu nem lembro direito porque resolvemos visitar Cuba. Recordo apenas que foi um longo caminho até chegarmos lá. Desembarcamos em Havana em um fim da tarde, por volta das 16 horas, alguns anos atrás. O que me recordo com muita nitidez, foi ter sentido um amor à primeira vista por Havana.

Chegando em Havana

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No aeroporto do Panamá, esperando o voo para Havana

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No aeroporto do Panamá, esperando o voo para Havana

Deixamos Salvador em um dia à tarde e depois de algumas conexões e longas horas de voos, chegamos finalmente à Havana.

O aeroporto José Martí era pequeno, estava meio confuso, com muitas pessoas para lá e para cá, parecendo desnorteadas. Os funcionários estavam todos de máscara (era época da gripe suína) o que deu um ar meio assustador ao local.

Um funcionário nos encaminhou para uma fila, para o controle de passaporte onde Léo e eu tivemos que ir separados.

Era uma cabine fechada dos dois lados e lembro-me de ter pensando naqueles filmes em que as pessoas ficam anos presas em cadeias medonhas. Foi meio tenso estar ali, afinal estava entrando em país cuja ditadura já durava anos.

A menina que estava realizando os procedimentos no guichê para o qual eu fui encaminhada era séria e nem se deu ao trabalho de responder ao meu boa tarde. Ela tirou uma foto minha, checou o meu passaporte e me dispensou.

Estava em Cuba! Abri a porta que me dava acesso ao país com ansiedade. Do outro lado estavam o raio x e a esteira para a restituição de bagagens.

Cadê minha mala?!

Só havia uma esteira e era inclinada, meio esquisita. As bagagens foram chegando e as pessoas indo embora e nada de minha mala aparecer. Será que ela havia sido extraviada, pensei cada vez mais apreensiva. A esteira então parou de girar e minha mala não apareceu.

Busquei uma funcionária que foi muito simpática e prática e contei o que estava acontecendo: isto não é possível, me disse ela. Sua mala chegou com certeza!

Descrevi a dita cuja e lá fomos nós procurá-la. E não é que a senhora estava certa e a achamos?! Ela estava solitária em um canto próximo a esteira.

O que acontece, segundo explicou minha gentil salvadora, é que eles não deixam as bagagens circulando pela esteira, retirando-as antes de girarem mais uma vez.  Que alívio!

Deixando o aeroporto

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Saindo do aeroporto José Martí em Havana

Na porta do aeroporto algumas pessoas praticamente arrancaram a bagagem de minhas mãos, esperando ganhar um trocado com isso. É preciso se posicionar com dureza, caso não queiramos o serviço. Foi minha primeira lição em Havana.

Um transfer nos esperava para levar-nos ao hotel. Apesar de já passar das 18 horas, o dia ainda estava claro. Era Junho.

Entrando em Suite Habana…

AMOR à primeira vista por HAVANA

Viva a Revolução: o slogan ainda permanece nos muros de Havana

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Carros e edifícios antigos: entrando em um filme

A cidade me causou impacto logo que a vi. Era como entrar em um dos muitos filmes que havia assistido: Morango e Chocolate, Suíte Havana, Habana Blues, Guantanamera…

Os carros antigos, a atmosfera dos anos 50, os muros cheios de inscrições e outdoors sobre a Revolução, o pouco trânsito nas ruas, jardins bem cuidados, ruas arborizadas. Tudo tinha um tom misterioso para mim, diferente. Eu estava curiosa demais por Havana.

Eu tinha consciência, claro, que estávamos entrando em uma ditadura e que muitas pessoas morreram por ela e por causa dela, mas não consegui evitar o sentimento de romantismo que estava me invadindo naquele momento.

Era, para mim, como ver a história, estudada tantas e tantas vezes na escola, sob pontos de vista variados, in loco, ao vivo e em cores! Não era passado, era o presente.

Eu não tinha ideia de como nossos dias iriam se desenrolar naquele país, mas ali, dentro do ônibus, olhando Cuba pela primeira vez, eu fui possuída por uma única certeza: estava apaixonada!

Amor à primeira vista por Havana

AMOR à primeira vista por HAVANA

Havana

Havia no transfer uma guia, que foi falando um pouco sobre a cidade: não havia violência e podíamos caminhar tranquilamente pelas ruas.

Nós, turistas, tínhamos um dinheiro específico: o CUC (peso convertible). Ela recomendou que ao receber troco em qualquer lugar, checássemos se era CUC e não peso cubano, pois não poderíamos utilizá-lo, uma vez que seu uso era permitido apenas à população local.

Nós levamos euros para Cuba, pois o dólar era sobretaxado na ilha. Cartão? Não foi aceito em quase lugar nenhum.

À medida que o ônibus deslizava pelas ruas sem buracos de Havana, eu colei meu nariz no vidro, isolei as vozes dos inúmeros turistas que ali estavam, falando diversas línguas e pensei: estou pronta para desbravar Havana. Foi mesmo um amor à primeira vista o que eu senti por aquela cidade.

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Chegar em Havana foi emocionante. Afinal, esta cidade vive o passado como se presente fosse!

By |2018-03-07T00:58:09+00:0001/08/2014|Categories: Américas, Cuba, Havana|Tags: |5 Comentários

5 Comments

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  4. cwrgutierrez 04/08/2017 em 08:23 - Responder

    Conhecer Cuba e Havana deve ser uma experiência de voltar aos anos 60 e conhecer um pouco mais do socialismo.

    • Analuiza Carvalho 17/08/2017 em 11:54 - Responder

      Eu não sei como o país está hoje, tantos e tantos anos após a minha visita e depois de alguns mudanças por lá, mas quando eu fui foi mesmo curioso ver o passado como presente, encontrar aquela cidade congelada no tempo… Foram sensações curiosas as que vivi em Cuba. 🙂

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