A PRAÇA de Gomes TEIXEIRA

O que acontecia era que o Porto, tão rico em detalhes, nos prendia, atrasava nosso caminhar, retinha, empresava, seduzia nosso olhar, nossa atenção. Não era um tormento, entretanto, e sim momentos de muito deleite e prazer. Assim que, nos vimos enredados pela feitiçaria desta cidade uma vez mais. A Praça de Gomes Teixeira nos segurou e encantou.

Nosso lento caminhar

Desde que saímos do Ibis, muito cedo naquela manhã, tínhamos como objetivo tomar café da manhã no centro da cidade. Deixamos a Vida Portuguesa para trás e voltamos a andar.

Entretanto, os ponteiros do relógio aproximavam-se das 11 horas e ainda não tínhamos conseguido alcançar nosso ponto final para desfrutarmos do pequeno-almoço, porque tudo naquela cidade nos distraía, nos atraía e nos detinha.

Em nosso trajeto até a Leitaria da Quinta do Paço, onde planejamos usufruir das delícias portuguesas, nos vimos parados novamente, estancados e envolvidos pela Praça de Gomes Teixeira, vulgo Praça dos Leões, por conta de uma fonte no centro da praça com esculturas de leões.

Paramos outra vez! Agora para olharmos o entorno dessa praça que data do século XVII. Em meados do século XIX ficou popularmente conhecida como Praça do Pão ou Largo da Feira da Farinha, por causa de um mercado que aí funcionava.

Em fins deste mesmo século, o XIX, a Praça de Gomes Teixeira começou a ser remodelada e elitizada por conta de uma burguesia cada vez mais crescente na cidade do Porto. Foi nesse século que o prédio da Academia Real de Marinha e Comércio foi erigido.

Armazéns Cunha

A PRAÇA de Gomes TEIXEIRA

Armazéns Cunha; o passado nos espreita

Foi também nesta época que importantes empresas passaram a habitar essa praça, entre elas o Armazéns Cunha, que está em funcionamento até hoje. E com a mesma aparência! Sensacional!

Fiquei deliciada diante daquele edifício de mais de um século como se o futuro não tivesse chegado, ou se, os Armazéns Cunha não ligassem a mínima para as modernidades.

Um contraste delicioso com a Universidade do Porto, onde atualmente funciona a reitoria, abrigada no prédio da antiga Academia Real de Marinha e Comércio, e a efervescência jovem dos estudantes que toma conta da região.

O supracitado edifício pegou fogo em 1974, danificando parte de sua estrutura, só voltando a funcionar em 2006.

Histórias da Praça de Gomes Teixeira

A PRAÇA de Gomes TEIXEIRA

Praça de Gomes Teixeira , com a Universidade do Porto à esquerda e a Igreja do Carmo ao fundo à direita. Ali perto está o Café O Piolho

Não à toa ali perto está o Café Âncora d’Ouro, ou O Piolho (Praça de Parada Leitão, n.º 45) para os íntimos, outra preciosidade do século XX, em funcionamento até hoje, frequentado por turistas e jovens estudantes da Universidade do Porto.

Eu não posso afirmar nada porque não experimentei (infelizmente), mas uma amiga querida, gourmet e viajante do mundo, falou que aí ela comeu a melhor francesinha da vida.

O Piolho abriu em Junho de 1909 e há duas versões para o seu curioso apelido.

A primeira dá conta da aglomeração de jovens, em um espaço diminuto como o disponível no Piolho, lembrando a todos, piolhos. A outra foi alardeada por antigo funcionário do estabelecimento que dizia ter relação com as leiteiras e padeiras que apareciam todos os dias pela manhã, com suas canecas de alumínio para tomar café com leite.

Os estudantes então teriam apelidado o lugar de piolheira.

Da Praça de Gomes Teixeira podemos ainda avistar a Igreja do Carmo construída na metade do século XVIII. O que mais se destaca nela é a fachada lateral: um painel de azulejos fazendo referência à fundação da Ordem Carmelita e ao Monte Carmelo.

Depois desse giro de 360 graus pela Praça de Gomes Teixeira, olhando sua história, respirando sua atmosfera, finalmente chegamos à Leitaria da Quinta do Paço para o nosso sonhado café da manhã.

By |2018-03-07T00:56:39+00:0005/03/2017|Categories: Porto|Tags: |0 Comentários

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