A Maratona do PORTO em Portugal

A Maratona do Porto nos levou ao Portugal. Léo como maratonista apaixonado acumula quilômetros mundo afora com seus tênis de corrida. Assim, constantemente combinamos viagens e maratonas.

A Maratona do Porto largou e chegou na simpática cidade de Matosinhos, muito próxima do Porto, onde fiquei passeando enquanto Léo suava a camisa. Entretanto, boa parte do percurso da corrida aconteceu dentro da bela cidade do Porto, passando por alguns de seus maravilhosos cartões-postais.

A seguir, a Maratona do Porto, por Léo.

Saiba como chegar do Porto até Matosinhos:

A largada

A Maratona do Porto

Área de concentração para a largada da Maratona do Porto

O dia da largada amanheceu frio com sol; ou seja, condições ideais para uma corrida de rua.

O local onde foi feita a concentração inicial dos corredores era bem amplo e de fácil circulação. Guarda-volumes tranquilo, vários banheiros químicos à disposição. Restava aguardar a largada.

A maratona largou da orla da cidade de Matosinhos, passou por uma rotatória e virou à direita, correndo ao lado do Parque da Cidade, que foi nosso companheiro por algumas curvas e pouco mais de 5K.

Por um erro de cálculo, eu quase perco a largada e tive que dar uma carreirinha antes de cruzar a linha, mas deu tudo certo.

O primeiro quarto da prova – Matosinhos

A Maratona do Porto

No primeiro quarto da prova

Pelo menos até os 8K a prova foi por ruas não tão largas e cheias de curvas de Matosinhos. Para quem queria imprimir ritmo, poderia atrapalhar.

Entre o quarto e o quinto quilômetro, houve determinado trecho de “mão e contramão”, ou seja, maratonistas indo e vindo pela mesma rua. Esta situação se repetiu entre os quilômetros 6 e 11.

A prova seguiu por ruas internas de Matosinhos até o quilômetro 12, quando voltou à orla do Oceano Atlântico e começaram as largas avenidas. Pode-se dizer também que se iniciou uma grande “reta” até o quilômetro 20, o que pode ser monótono, às vezes. Quando cheguei ali, procurei manter o foco e me distrair com o visual.

Assim fomos até o quilômetro 15, área da Foz do Rio Douro, onde começamos a margear o tal Rio. Do outro lado da Foz, era possível ver Vila Nova de Gaia, por onde também correríamos.

Conheça um bocadinho de Matosinhos:

O pelotão de elite da Maratona do Porto

A Maratona do Porto

Os profissionais da maratona não conseguem apreciar o visual

Algum tempo depois vieram a imponente Ponte da Arrábida sobre o Rio Douro, sob a qual passamos, e, no sentido contrário, os primeiros colocados da Maratona. Tenho “pena” deles… tão concentrados, não conseguem apreciar o visual e curtir o trajeto…

Começamos a nos aproximar da área altamente turística do Porto e de ruas estreitas. Mas, depois dos 18K, já não há grupos de corredores juntos ou pelotões, tornando fácil a passagem.

A Ponte de Dom Luís I – cartão postal do Porto

A Maratona do Porto

A Ponte de Dom Luís I

Passamos então pelo Largo do Terreiro e logo estávamos no Cais da Ribeira, cuja via principal foi isolada e reservada para nós, maratonistas. Estávamos no quilômetro 20.

Um dos motivos que me faz correr é poder passar a pé por locais normalmente restritos ao tráfego veicular. Mas passar por vias interditadas e liberadas apenas aos maratonistas também me mantém nas pistas.

Eis que vejo, à direita, a Ponte D. Luís, talvez o maior símbolo do Porto. Depois de um suave aclive, viramos à direita e entramos nela.

Na ponte, ultrapassei uma senhora de cabelos brancos, que corria firmemente, quando um locutor gritou: “minha gente, a maratona não tem idade”! Outro maratonista percebeu a referência e riu comigo, mas juro que minha vontade foi de voltar até o gajo e manda-lo correr ao invés de fazer comentários do tipo.

Conheça detalhes da famosa Ponte de D. Luís I:

Vila Nova de Gaia

Terminada a ponte D. Luís, chegamos à cidade de Vila Nova de Gaia, do outro lado do Rio Douro, e viramos à direita.Era o Cais de Gaia, onde ficam as famosas caves do vinho do Porto. Novamente, trecho de “mão e contramão”.

A Maratona do Porto

Os Rabelos de Vila Nova de Gaia: antigo transporte de vinho do Porto

Essa área também é altamente turística, mas estava parcialmente isolada para nós maratonistas. O piso era um tanto irregular, mas consegui passar incólume. A barreira da meia maratona foi quebrada na ida.

Seguimos pela margem do Douro até o que parecia ser uma marina e voltamos. A sombra da Ponte da Arrábida também nos fez companhia na ida e na volta.

“17 marathons and counting” e Rocky Balboa para animar a festa

Lá pelo quilômetro 28, avistei um maratonista com uma camiseta na qual estava escrito “17 marathons and counting”. Desejei-lhe sorte e ultrapassei o maratonista das 17 maratonas. E desejei que a conta dele aumentasse ainda mais.

Passamos novamente pelo Cais de Gaia e cruzamos novamente a Ponde D. Luís, desta vez virando à direita.

Passamos sob as Pontes do Infante, Maria Pia e São João, numa área sem espectadores. No quilômetro 31, fizemos a volta para a reta final.

Essa parte da Maratona é mais mental do que física. É aqui que um maratonista começa a se desprender da matéria e precisa buscar outras dimensões para continuar correndo. Aqui, qualquer coisa conta para se manter em marcha.

Talvez pensando nisso, a organização fez algo espetacular: ao entrarmos em determinado túnel, vimos telões passando trechos do filme Rocky nos quais aparece Stallone treinando corrida com “Gonna Fly Now” de trilha sonora! Impossível não se revigorar e continuar correndo.

De volta às margens do magnífico Rio Douro

A Maratona do Porto

O Porto e o belo Rio Douro

A prova avança e volta para a margem do Douro. Inicia-se um trecho aparentemente solitário.

Mas é o momento de se lembrar do que te trouxe até aqui. Dos treinos. Das pessoas que torcem por você. Das pessoas que começaram a correr por sua causa. Dos amigos que correm e fazem questão de te dizer quanto evoluíram. Daqueles que correm contigo mentalmente. Você não pode parar. Você não está sozinho. Você já não corre só por você.

Também me lembrei de Portugal de 1988, quando estive no país pela primeira vez. Lembrei-me do que significou aquela viagem, 28 anos antes. Do que fiz desde então; onde pisei desde então. Da alegria de pisar novamente naquele solo. Eu “tinha” Portugal na memória desde 1988, mas o teria de uma forma ainda mais especial se terminasse aquela maratona…

De volta à Matosinhos

E lá pelo quilômetro 37, uma pessoa portava um cartaz significativo: “SÓ FALTA UM TREINO”. Lógico! Qual o maratonista que se assusta com 5K? Isso a gente corre qualquer dia!

A Maratona do Porto

Depois do quilômetro 37

Mas é importante manter a concentração e seguir em frente; ainda não dava para relaxar. Prova disso é que, logo após, uma maratonista, no chão, urrava de dores, provavelmente por câimbras. Você passa, respira e continua correndo.

Terminamos a margem do Douro e voltamos para a orla do Atlântico. Faltava pouco. Tanto é que outro maratonista, caminhando já com a medalha no sentido contrário, gritou em inglês: “AGORA É A PARTE FÁCIL”! Não me contive e gritei em inglês: “O QUE VOCÊ BEBEU”? Outro maratonista que passava do meu lado completou: “O QUE FUMOU”?

A parte fácil da maratona está depois da linha de chegada. Faltava pouco, mas faltava.

Pense nos treinos e siga em frente

A Maratona do Porto

Agora falta pouco

E no quilômetro 41, enquanto eu passava, um maratonista chamado Manoel parou de correr e começou a andar. Um locutor, que animava os maratonistas, enlouqueceu e gritou:

“MAS MANOEL! POR QUE PAROU? VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI! PENSE NA SUA FAMÍLIA! PENSE NOS TREINOS! PENSE NOS AMIGOS! MANOEL, VOCÊ CORREU 41K! MANOEL, SUA CONTA AGORA É EM METROS”!

Metros.

Uma maratona tem 42.195 metros. 1.000 metros = 1K. Quem correu 41K, tem só 1.195 metros pela frente. É pouco? É muito? Não interessa; são metros; é outra conta. Por que a conta pessoal, da família, dos amigos, da vida e dos treinos já está fechada e é superavitária.

E Manoel voltou a correr. E eu continuei correndo. Minha conta também era de metros.

A Maratona do Porto –  Linha de Chegada

A Maratona do Porto

Já de olho na linha de chegada

Maratona do Porto

A medalha da Maratona do Porto

Então viramos à direita, passamos por um funil com torcida dos 2 lados da via gritando e cruzamos mais uma linha de chegada.

Porto foi minha nona maratona e meu melhor tempo até então: 4h07m. Que ótimo voltar ao Porto!

Pela segunda vez na vida, eu colocava meus pés no Porto de forma especial e marcante. Pela primeira vez, eu “conquistava” o Porto com suor e lágrimas. Como li num cartaz dias depois: “Bibó Porto, carago”!

Veja como foi a Feira da Maratona:

Em tempo

A intervenção do locutor incentivando Manoel emocionou a todos os que estavam assistindo a maratona, como eu, que espiava aqueles bravos chegando, suados e sofridos, depois de quilômetros e quilômetros, vencendo a si mesmos. Eu chorei!

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A Maratona do Porto tem belo percurso

By |2018-03-07T01:06:40+00:0008/07/2017|Categories: Quer Correr Comigo?|Tags: , |6 Comentários

6 Comments

  1. Carolina Belo 08/07/2017 em 19:36 - Responder

    Oi Analuiza!!! O que dizer desse relato??? Primeiro, parabéns para o Léo pela conquista. Afinal, são 42 km e, durante esse tempo todo, são diversos sentimentos que vão aparecendo! A gente chora, ri, se compadece dos outros, sente dor, pensa o que está fazendo ali… É uma loucura, ha ha ha. Alguns amigos estão indo para fazer essa mesma prova. Vou mandar para eles!!!! E vou guardar a frase “SÓ FALTA UM TREINO” para a vida!!!!! Parabéns pelo texto também. Abraços!! Carolina.

    • Analuiza Carvalho 09/07/2017 em 17:38 - Responder

      oi Carol… o Léo agradece! 🙂

      Eu não corro maratonas (não sou tão forte assim!) mas assistindo, e adoro assistir, vejo justamente tudo isso que vocês, guerreiros maratonistas, narram! Vejo dor, superação e alegria. Vejo solidariedade, brodagem. Isso tudo é que faz com que as corridas de rua, especialmente as de longa distância sejam tão emocionantes! beijos e sorte para seus amigos na Maratona do Porto. Estarei acompanhando suas corridas por aí. E que este mantra do Só falta um treino te ajude nas próximas! beijocas

  2. É uma bela maneira de viajar e cohecer várias cidades. Eu não sou fã de correr, prefiro andar 😉 E parabéns pelos 42 km!!!!

    • Analuiza Carvalho 10/07/2017 em 10:00 - Responder

      oi Catarina… eu gosto de correr, mas não 42 quilômetros! Essa proeza deixo para o Léo e outros tantos corajosos espalhados pelo mundo. Mas, quando se vir em uma cidade onde estiver acontecendo uma corrida de rua, pare e observe. Torça. Garanto que você irá descobrir lindas e maravilhosas emoções! beijocas

  3. Klécia Cassemiro 10/07/2017 em 20:51 - Responder

    Ana, que grata surpresa encontrar a voz do Leo por aqui! Abri o post esperando encontrar seu passeio pela cidade enquanto ele corria. E me deparei com a cidade pelos olhos do maratonista 🙂 Eu entendo muito alguns sentimentos que ele compartilhou – embora reduzidos proporcionalmente ao percurso das minhas meia-maratonas. Quem sabe um dia não compro uma passagem pra me arriscar nos 42km? Quem sabe? 🙂 Vocês me inspiram!

    • Analuiza Carvalho 11/07/2017 em 20:46 - Responder

      Oi Klécia… pois então… quem sabe um dia eu compre esse mesmo bilhete?! Não sei!

      Entendo o que você diz sobre entender em parte os sentimentos que ele narra como maratonista: sentimos parecido em nossas meias! Corridas de longa distância tem um componente forte de emoção né?! Vocês tb me inspiram e isso não é recíproca. É fato! Ler sobre Roma, ver a cidade sob seu olhar e seus sentimentos tiveram muito impacto para mim!

      O Léo sempre aparecerá por aqui, contando de suas maratonas! beijocas

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