A INTENSA e forte energia do PERU: uma história em NASCA

Chegamos em Nasca. Era já nosso sétimo dia no Peru. Chiclayo, Lambayeque, Túcume, Ferreñafe. Trujillo e Madalena de Cao. Lima. Estas foram as cidades que nós havíamos passado antes de desembarcarmos naquela noite em Nasca. Eu estava completamente tomada pela intensa e vívida energia do Peru.

Desde que chegamos em Lima, no início da semana anterior, que eu fui arrebatada pela força e pelo vigor do país. Rapidamente eu me inseri naqueles cenários caóticos e diversos. Eu era parte daquilo. Foi fácil e confortável, forte e maravilhoso estar em cada uma das cidades visitadas.

Chegamos em Nasca: energia do Peru que muda

Entretanto, quando saltamos em Nasca, tudo mudou. Ainda no terminal de ônibus eu pude sentir a energia acachapante do lugar. Não foi violenta, foi, ao contrário sutil. Senti leve dor de cabeça e um incômodo não físico quase imperceptível. A noite já tinha mergulhado a cidade na escuridão total.

Na parte da manhã do dia seguinte fizemos o voo para ver as famosas e mui misteriosas linhas de Nasca. Almoçamos e pensamos o que fazer no período da tarde. A sensação esmagadora que me empurrava em direção à terra continuava ali.

A intensa e forte energia do Peru

Preparados para voar sobre as Linhas de Nasca

Cotamos no centrinho de Nasca passeios e fechamos com uma agência que nos ofereceu o que queríamos com o melhor preço. A dona, simpática, chamou um guia para nos acompanhar. Eu não conseguia sorrir para ela, não conseguia conversar com ela. Desconfio até que tenha sido antipática. Alguma coisa ali me inquietava.

O guia nos pegou na agência, em seu carro e a sensação ruim ficou ainda pior. Enquanto rodávamos por quilômetros no deserto peruano, marrom, poeirento, apaixonante, interessante, fotogênico, eu me agarrava ao pressentimento de que aquela não havia sido uma boa ideia.

Fui ficando cada vez mais incomodada. Leo, no banco da frente, foi conversando com o guia, que respondia a tudo de maneira seca. Ele desistiu e cochilou: havíamos viajado algumas horas de busão entre Lima e Nasca.

A intensa e forte energia do Peru

O fascinante deserto peruano

Cahuachi, o centro cerimonial Nasca

Nossa primeira parada foi no centro cerimonial dos Nasca: Cahuachi. O guia, de maneira inadequadamente acelerada, começou a nos explicar do que se tratava o lugar. O sentimento incômodo, desconfortável e impreciso se intensificou a ponto de eu quase pedir para voltar.

Me contive.

Em determinado momento o guia contou que, assim como muitas outras civilizações antigas do Peru, os Nasca também adoravam os elementos da natureza: sol, lua, estrelas, montanhas. Por isso, seus templos eram a céu aberto, para receber a energia de tudo que os cercava.

Eles se entendiam parte da natureza.

Acrescentou que os espanhóis quando chegaram cerraram a crença, os cerimoniais religiosos dentro de igrejas com tetos, isolados das forças naturais. Estávamos ali, naquela paisagem sensacional, diante de um cenário maravilhoso, nos impregnando de novos e interessantes conhecimentos.

Por que então a energia do deserto peruano continuava me empurrando para o chão? Leo fez perguntas. Eu seguia muda. Demorei até começar a perguntar, minha curiosidade enfim sendo despertada.

A atitude do guia então mudou. Ele ficou mais tranquilo, mais simpático, mais lento. Entrou em nosso ritmo de conhecer os lugares. Sem pressa. Calmamente. Nos permitiu sentir Cahuachi. Ainda assim, tudo me parecia errado. Fisicamente eu estava muito bem, sem nenhum desconforto, apesar do calor sufocante.

A intensa e forte energia do peru

Cahuachi, o centro cerimonial Nasca

O cemitério Nasca de Chauchilla

Seguimos em frente: mais quilômetros em meio à poeira, fascinantes e lindas paisagens.

Parada seguinte: o cemitério Nasca de Chauchilla, com suas múmias milenares e as tumbas restantes, sobreviventes de inúmeros saques e descaso do governo peruano. Ali, aos pés daquelas extraordinárias e multicoloridas montanhas eu respirei. Alguma coisa se desanuviou, se abriu. Eu descolei do chão e as montanhas se agigantaram diante de mim. Uma gratidão avassaladora tomou conta de toda minha alma.

Uma energia vibrou impetuosa, tocou da ponta dos meus pés ao topo de minha cabeça. As montanhas me atraíram, chamaram e me deixaram hipnotizada. Eu queria ficar, admirar. Eu era parte daquilo. Não preciso nem fechar os olhos para ver seus contornos, nítidos diante de mim, me puxando.

Leo achou curioso que esta mudança de vibração tenha acontecido num cemitério, mas foram as montanhas, a energia delas que me ajudou a voltar a respirar, que me libertaram daquela força que me impelia para baixo, me pesando. Um alívio dilatado me preencheu!

A intensa e forte energia do Peru

As montanhas de Chauchilla e as tumbas Nasca à frente

Nos aquedutos de Cantalloc

Mais curioso ainda foi que no caminho entre Chauchilla e os aquedutos de Cantalloc, nosso destino em seguida, o guia me perguntou, assim sem mais nem menos, se eu havia logrado ver alguém (algum espírito Nasca) caminhando pelo cemitério. Ele não me fez esta pergunta em nenhum dos dois outros lugares, apenas neste. Inclusive não fez semelhante pergunta a Leo, que seguia indiferente a qualquer tipo de energia.

Não, infelizmente não, eu disse. Ao que ele afirmou: você não se concentrou. Se tivesse observado melhor, teria visto. Fiquei intrigada. Será?! No aqueduto, aquela estranha energia voltou a se instalar, mas de maneira mais suave, menos incômoda. Sendo novamente empurrada em direção ao solo, eu conseguia ao menos manter a respiração mais leve, natural e sem peso. A energia das montanhas de Chauchilla me sustentavam.

Logo que saltamos do carro, um passarinho todo vermelho, lindo, apareceu, sobrevoou um pouco perto de nós, piou e se foi cheio de graça e volteios. Sumiu na paisagem árida.

Caminhamos pelo aqueduto, ouvimos suas histórias tão antigas e voltamos.

A intensa e forte energia do Peru

Num dos aquedutos Nasca

Quando nos aproximamos do carro o passarinho voltou, cantou um pouco e se foi uma vez mais. O guia então me disse: ele veio por você. Te deu as boas-vindas e se despediu. Acrescentou: você sabe que pode ter sido uma Nasca né?! Virou-se para Leo e afirmou: ela tem uma energia muito forte, muito evidente, manifesta.

Leo riu e disse que bem sabia disso!

Voltei o resto do caminho em silêncio, me despedindo de Nasca. Viver o Peru nestes dez dias foi uma experiência muito intensa, mas Nasca foi mesmo um capítulo muito particular desta viagem.

De volta à cidade de Nasca

De volta à cidade, fomos dar um feedback à dona da agência sobre o passeio. Neste momento a energia já estava completamente diferente, bem mais leve. Eu estava mais leve, menos acachapada. Eu finalmente havia me entendido com Nasca. Os deuses enfim abriram seus caminhos para mim.

Conversamos um tempo enorme com ela, entre risos e gentilezas: totalmente diferente do início da tarde. Já não éramos os mesmos uns com os outros.

Ela então, comentou que ficou feliz em saber que tudo tinha caminhado bem em nosso recorrido pelo passado antiquíssimo do Peru. Que o nosso guia, apesar de ser ótimo, de ter muito conhecimento sobre os Nasca, não era agradável a todos. Por acreditar em energia, múltiplas vidas e assuntos desta natureza, ela não o indicava a todos.

Há turistas mais pragmáticos, objetivos, que só querem saber dos dados históricos. Foi então uma feliz coincidência, o acaso ou Universo agindo de maneira que ele era o único guia disponível naquela tarde de Agosto em Nasca. A tal da sincronicidade, creio.

A energia do Peru, que senti em Nasca pertenceu apenas a Nasca. Aquela que senti no resto do país foi completamente diferente desta, embora igualmente potente!

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O Peru é um país de forte e muito intensa energia. Ele mexe com a gente de muitas maneiras. Cada cidade é única e carrega os traços das antigas civilizações que viveram por ali séculos, milênios atrás. Eu vivi uma situação curiosa em Nasca, uma das cidades peruanas que visitamos. #historia #nasca #nazca #peru #energia #viagem #cidade #espiandopelomundo #viajantesempressa               O Peru é um país de forte e muito intensa energia. Ele mexe com a gente de muitas maneiras. Cada cidade é única e carrega os traços das antigas civilizações que viveram por ali séculos, milênios atrás. Eu vivi uma situação curiosa em Nasca, uma das cidades peruanas que visitamos. #historia #nasca #nazca #peru #energia #viagem #cidade #espiandopelomundo #viajantesempressa

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A intensa e forte energia do Peru

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By |2018-09-05T11:59:56+00:0003/09/2018|Categories: A Arte de Viajar|Tags: |14 Comentários

14 Comments

  1. Michela Borges Nunes 04/09/2018 em 20:38 - Responder

    Li com angústia, hehehe, queria chegar no momento em que tu ias dizer que estava melhor, se sentindo mais leve e quando cheguei, fiquei também aliviada. Mas fico feliz que tenha sido uma experiência rica para ti e para vocês. Beijos.

    • Analuiza Carvalho 07/09/2018 em 18:11 - Responder

      oi Michela… te carreguei comigo pela energia acachapante de Nasca foi?! rsrsrs Tudo bem, foi mesmo uma experiência muito rica! Um aprendizado intenso em muitos sentidos! rsrs bjs

  2. Gisele Prosdocimi 05/09/2018 em 03:27 - Responder

    Que destino incrível, o Peru parece mesmo inebriante com seu povo, suas cores, sua história e cultura. É muita informação e mistério e já está na minha lista de países que desejo muito conhecer, exatamente por estas características tão especiais.Parabéns pela escolha do destino.
    Pin devidamente salvo!

    • Analuiza Carvalho 08/09/2018 em 18:03 - Responder

      oi Gisele… assim que puder vá! Eu não esperava que o Peru fosse tão espetacular, mas é! A energia daquele país é qualquer coisa de inexplicável!!!!! 🙂 bj

  3. Cristina 05/09/2018 em 17:10 - Responder

    Fascinante! Morro de vontade de conhecer as linhas de Nasca. Deve ser uma energia realmente de outro planeta. Obrigada por compartilhar a sua experiência. É sempre bom conhecer bem antes de ir. Valeu

    • Analuiza Carvalho 06/09/2018 em 20:00 - Responder

      oi Cristina… a energia no Peru é um negócio muito forte. É um país intenso, potente. A de Nasca eu só senti em Nasca que acarretou todos estes sentimentos diversos e distintos descritos no texto. Inexplicáveis, até. Se tem vontade, desejo que um dia você consiga ir para ver de perto este grande mistério da humanidade. bj

  4. Itamar 06/09/2018 em 01:03 - Responder

    Que show! Em Nazca só passei de ônibus. Embora tenha morrido de vontade de parar, não foi possível! Quero voltar pra explorar melhor estes lados. 🙂

    • Analuiza Carvalho 06/09/2018 em 19:55 - Responder

      oi Itamar… acredita que só quem desceu em Nasca fomos nós?! O resto do povo seguiu tudinho para Machu Picchu. Volte sim, que vale a pena explorar o sul. Com certeza eu voltarei ao Peru para ver o tanto de coisa que não consegui ver desta vez! Nem imaginava que este país era tão múltiplo!!!! 🙂

  5. Edson Amorina Jr 07/09/2018 em 09:15 - Responder

    Eu não fui para Nasca em minha viagem para o Peru, acabamos escolhendo ver os condores em Arequipa e ficar mais tempo no lago titicaca. Muito legal seu post.

    • Analuiza Carvalho 07/09/2018 em 11:52 - Responder

      oi Edson, eu voltarei um dia para ver os condores de Arequipa, o Lago Titicaca e os Incas. O Peru é muito múltiplo! Contudo, estou absurdamente feliz em ter começado esta viagem por aí, pelas antigas civilizações lambayeque, nasca, michú, paracas… rsrs bj

  6. Gabriela Torrezani 09/09/2018 em 07:57 - Responder

    Que legal ler o seu relato, Analuiza! Quando eu fui pra Nazca fiquei com um sono mortal o dia todo, a energia também me puxava pra baixo. Mas como passamos super mal no sobrevoo de manhã, também estragou um pouco o resto do dia. Queria ter explorado mais como vocês, os aquedutos, as montanhas… 🙂

    • Analuiza Carvalho 09/09/2018 em 17:26 - Responder

      Uma energia estranha tem Nasca! Que pena que passaram mal! Para nós o voo foi muito sossegado. Ninguém passou mal, foi super tranquilo! O fizemos pela manhã também. Só sinto não termos tido tempo de visitar o mirante porque nosso voo atrasou pelas condições climáticas, maaaas… fazer o que né?! rsrs bjinhos

  7. Juliana Moreti 10/09/2018 em 11:22 - Responder

    Aninha…. o Peru é perfeito para vc… Eu me encantei com tudo, mas a ùnica coisa que me emociona é a beleza do lugar. Nao sinto vibraçoes e energias… Se para ti nao aparecem duendes, aparecem passarinhos
    😉
    Nasca ficou una estrada…. cogitei o sobrevoo, mas meu medo de avião me convenceu a passar reto pela cidade. Nao me arrependo, mas deveria ter parado sim em Nasca!
    😉

    • Analuiza Carvalho 10/09/2018 em 15:05 - Responder

      oi Ju… acho que tudo neste mundo é energia! rsrs No Peru todo eu a senti muito forte, assim como Nasca, mas aqui ela foi bem estranha.

      Para mim o voo foi muito sossegado, sem sobressaltos ou solavancos, mas mesmo para quem tem medo de voar, considero Nasca um excelente destino, porque além do mirante onde é possível ver as misteriosas linhas (infelizmente não consegui ir) tem o aqueduto, o cemitério e o templo nasca que são espetaculares! beijocas

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