A ILUMINADA noite de KYOTO

Deixamos o Castelo Nijo-jo quando já havia escurecido. Eram apenas 17 horas. Pegamos novamente o ônibus 12, usando ainda no nosso bus day ticket e descemos na Rua Karasuma. A noite de Kyoto estava iluminada e muito movimentada. Ali, eu me senti mais no Japão, do que durante o dia, em visita aos palácios.

Veja como funciona o Bus Day Ticket:

+ Bus Day Ticket de Kyoto

Mergulhamos na noite de Kyoto

Noite de Kyoto

Frenética e iluminada

Mergulhamos na noite de Kyoto, nos misturamos àquela dança japonesa regida pelo colorido vindo de todos os lados e pelos passos das inúmeras pessoas que tomavam conta das ruas. Começamos a perambular.  Muito do que fizemos em Quioto foi tropeço e nessa noite não foi diferente. Não havia um rumo, pois muito pouco tinha algum significado cristalino. Nada era óbvio naquele mundo para mim.

Eu não sabia para onde olhar tamanha quantidade de informações novas vindas de todas as direções. Era uma babilônia, uma luxúria de cores e movimento!

Apesar do ritmo pulsante, contudo, não era um ritmo frenético, acelerado. Havia calma no movimento, densidade e me arriscaria até a dizer: tranquilidade.

As ruas estavam lotadas, era sábado à noite, mas ninguém triscava em ninguém. Pareciam até ensaiados e eu tive que redobrar minha atenção para não cometer a gafe de esbarrar em alguém.

Olhares curiosos

As pessoas me olhavam. Isso aconteceu constantemente em meus dias no país. Eram olhares curiosos, insistentes e despudorados. Eu atribuí esse olhar aos meus cabelos e olhos claros, mas não tenho certeza. Incomodou-me. Gosto de passar despercebida, ser mais uma na multidão. No Japão eu não era.

Em outros momentos, pensei que eu chamava a atenção das japonesas por conta da roupa que vestia: mais andrógina, masculina, enquanto elas são absolutamente femininas e delicadas com suas sedas, seus babados, meias e acessórios, unhas enfeitadas.

A moda japonesa

Noite em Kyoto

Movimento e luzes

Noite de Kyoto

Lojas: descobrindo a moda japonesa

Shopping em Kyoto

Foi nessa noite em Kyoto que descobri a moda japonesa. Entramos e olhamos inúmeras lojas. Embora eu seja básica na maneira como me visto, nada consumista e deteste fazer compras, eu adoro moda, pois considero obra de arte e forma de expressão. Vestir-se é composição, escolha e diz muito sobre cada ser humano.

Assim que, nesta noite na antiga capital imperial, descobri a delicada moda japonesa, meio infantilizada às vezes, sofisticada sempre, e bonita, muito bonita. Aqui, pela primeira vez me vi de nariz colado em vitrines de grandes artistas da alta costura mundial.

Entramos na Bathing Ape, marca japonesa muito bacana que produz streetwear. Apesar da proposta e do criador, o Nigo,  afirmar que suas influências primárias foram Elvis, Beatles e Beastie Boys, percebemos a pegada japonesa, no estilo dos padrões e design.

O jantar

Noite em Kyoto

Jantar no First Kitchen

Fizemos uma pausa para jantar. Escolhemos o First Kitchen, um fast food japonês. Escolhi um macarrão com camarão e brócolis. Estava bom. Bom é um adjetivo de muito peso diante da estranha culinária japonesa, assim, comparativamente com outras refeições que fiz por lá, afirmo que foi um jantar esplêndido.

O atendente foi simpático e solícito e dentro das possibilidades da impossibilidade de uma comunicação fluente, nos ajudou.

Saímos para a noite uma vez mais, que seguia movimentada e fomos até um dos locais emblemáticos da cidade: o Ponto-chō.

Ponto-chō

Noite de Kyoto

Ponto-chō

Noite de Kyoto

Ponto-chō e suas características tipicamente japonesas

Ponto-chō é um beco com mais ou menos 500 metros que corre paralelo ao rio Kamogawa, nas proximidades da Avenida Shijo-dori, uma das principais de Kyoto.

A sensação primária que eu tive foi de estar entrando no submundo. A minha percepção inicial era a de estar em uma zona proibida, de prazeres ocultos. Um sentimento de ilicitude, como se eu fosse uma intrusa desavisada.

Não durou muito, contudo. Logo a curiosidade tomou conta, invadiu meu ser e com olhos curiosos e irrequietos comecei a observar: pequenos restaurantes com balcões repletos de pessoas, cardápios do lado de fora com todas as informações em japonês, incluindo os preços.

As típicas lâmpadas japonesas iluminando Ponto-chō, as casas típicas, muitos letreiros, máquinas vendendo os mais variados produtos: muita informação em uma viela. Li em algum lugar que em Ponto-chō há também casas de chá e que gueixas animam festas caras.

Ponto-chō nem parece de verdade! Lembra um lugar de brinquedo, fabricado para crianças, apesar de sua atmosfera mafiosa.

Xilogravuras

Noite de Kyoto

Ponto-chō

Noite de Kyoto

Um dos canais que cortam o Rio Kamo, em Ponto-chō

Ali, entrando e saindo daquelas ruas, estreitas, eu comecei a me lembrar das xilogravuras, daquelas que vi algumas vezes ao longo da vida em exposições aqui e acolá. Talvez pela quantidade de elementos estéticos e típicos encontrados em Ponto-chō.

A xilogravura japonesa, conhecida como ukiyo-e, era a arte popular do século XVII, durante o período Edo (ou Tokugawa) sendo seus tempos de glória entre os séculos XVIII e XIX. Cenas cotidianas e até o sobrenatural foram retratados pelos artistas.

Apenas de 100 a 200 cópias de cada edição eram impressas. Muitas pessoas participavam do processo de criação de uma xilogravura: o publicador, que financiava e distribuía, o artista que criava os desenhos, o entalhador, que transferia os desenhos para a madeira e criava o recorte, muitas vezes eliminando partes do desenho original e por fim o impressor que fazia a impressão no papel.

Mercado Nishiki

Noite de Kyoto

Mercado Nishiki – restaurante

Noite de Kyoto

Mercado Nishiki

Noite de Kyoto

Mercado Nishiki

Passamos ainda no Mercado Nishiki. Se não um mercado, que outro lugar melhor nos permite ver um rasgo dos hábitos de uma cidade?!  O Nishiki é uma rua coberta, com cara de galeria, com mil e uma opções de lojas e restaurantes, voltadas para o público local.

As pinceladas da vida japonesa que eu recebi naquele dia foram tão largas que eu não consegui acompanhar a quantidade de informações que chegavam numa velocidade atroz, não me permitindo apreendê-las. Elas se mostravam e fugiam rapidamente para dar lugar às novas que chegavam.

Por isso, a minha passagem por Nishiki foi fugaz! Eu só olhava, já não via. Tenho apenas vagas lembranças do colorido e de sua estrutura. Eu estava em duas dimensões naquele momento. Lembro-me de ter entrado em lojas, fuçado objetos que me pareceram estranhos, mas não lembro nitidamente deles, apenas sob névoas. Não me recordo para onde aquelas imagens me levaram.

Processo de mudança

Aqui, no mercado Nishiki, eu iniciei o meu processo de mudança como viajante. Comecei a aprender a relaxar e apenas viver aquilo que me estava sendo ofertado.

Leia mais sobre esta deliciosa arte de viajar, segundo meu olhar

+ A Arte de Viajar

Às 20 horas o movimento, começou a diminuir, as lojas começaram a fechar e as pessoas começaram a sumir das ruas. Nós também tomamos o rumo da roça e fomos nos recolher. Nosso primeiro dia no Japão havia sido intenso!

Veja como começou nosso primeiro dia no Japão:

+ Primeiros contatos com Kyoto

Mapa do que fizemos nesta noite:

Noite de Kyoto

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Mergulhamos na movimentada noite de Kyoto. Visitamos Ponto-chō, o Mercado Nishiki e ainda jantamos pela região.

By | 2017-07-17T16:00:05+00:00 17/07/2017|Categories: Quioto|Tags: |8 Comments

8 Comments

  1. Mapa na Mão 17/07/2017 at 21:48 - Reply

    Acho que eu adoraria o Mercado Nishiki, achei tão bonito. Achei muito legal também o teu passeio pelas lojas e vitrines e a apreciação da moda japonesa. Estou doida para ir para o Japão e gosto demais dos teus posts sobre lá. Beijos Ana!

    • Analuiza Carvalho 18/07/2017 at 15:41 - Reply

      O Japão foi um desafio para mim e talvez por isso eu tenha gostado tanto de estar naquele país, descobrir aquela cultura tão diferente e interessante! 🙂 Fico feliz em saber que você gosta de ler os posts, Michela. bjs

  2. rui batista 18/07/2017 at 13:29 - Reply

    Tenho demasiadas saudades de Kyoto, sem dúvida o que mais gostei no Japão. Muito bom rever… recordar…

    • Analuiza Carvalho 18/07/2017 at 15:35 - Reply

      oi Rui… Kyoto de fato é uma cidade muito interessante… novo, velho… 🙂 bj

  3. Ana Carolina Miranda 18/07/2017 at 19:06 - Reply

    Muito bom seu post com bastante informações, quero muito conhecer o Japão.

    • Analuiza Carvalho 18/07/2017 at 19:08 - Reply

      oi Ana… que bom que você gostou do post! O Japão é um destino incrível!!!! 🙂 bjs

  4. Karine 19/07/2017 at 18:12 - Reply

    O Japão é um verdadeiro sonho de consumo!!! Quanta coisa/lugar incrível nesse país. Kyoto certamente entrará no meu roteiro numa futura visita ao Japão!!

    • Analuiza Carvalho 19/07/2017 at 18:17 - Reply

      oi Karine… de fato o Japão é tudo isso! Faz bem em colocar a antiga capital imperial no roteiro: uma das mais interessantes cidades japonesas que visitei. 🙂

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