A DOÇARIA portuguesa

Os doces são um capítulo à parte na cozinha lusitana. Ouso afirmar que eles não são feitos por mãos humanas e sim por deuses no próprio Olimpo. A doçaria portuguesa é extraordinária. Em tempo: não sou aficionada por açúcar, raramente consumo doces no Brasil, mas o que se faz em Portugal nesse quesito é fabuloso.

Não à toa, a origem de muitos desses doces está nos conventos e foram criados por freiras que ali viviam, séculos atrás. Nessa época, muitas mulheres entravam nos conventos por imposição social e não pela fé ou vocação.

Sendo assim, para matar o tempo, começaram a dedicar-se ao aprimoramento dos doces que já eram feitos, lá pelo século XV, principalmente depois da produção em larga escala do açúcar, em particular vindo dos engenhos de cana de açúcar do Brasil.

Até então as claras eram usadas na fabricação do vinho branco e para engomar roupas das pessoas ricas. Com a expansão do açúcar, as gemas que antes eram descartadas, começaram a ser usadas na doçaria e o resultado não poderia ser mais sublime.

Para completar o cenário, durante os séculos XVIII e XIX Portugal era o maior produtor de ovos da Europa, ou seja, ovos e açúcar, o casamento perfeito.

Um café e um doce, várias vezes durante o dia, virou atração turística em nossas andanças pelo país. Aqui devo dizer que o café que eles tiram em Portugal costuma ser muito bom, sendo que os melhores que eu tomei foram no Porto.

Confesso que fiquei muito intrigada como o povo português consegue se manter magro e em forma, com estas tentações em cada esquina. Sempre que os questionava sobre isso, eles riam gostosamente, mas não me contaram o segredo.

A seguir, alguns exemplares dessa obra divina chamada doces portugueses.

Doces portugueses

O pastel de nata em muitos momentos

Doces portugueses

Pastel de Belém

Doces portugueses

Torta de Guimarães

Doces portugueses

Travesseiro

Pastel de Nata, o clássico dos clássicos; quentinho e com canela faz jus à sua fama. Confesso não ter percebido diferença alguma entre ele e o famosíssimo Pastel de Belém, feito apenas na Pastelaria de Belém, com receita secretíssima. Achei todos eles divinos!

Torta de Guimarães: não sei explicar o que é o gosto dessa iguaria, típica da cidade de Guimarães como o nome mesmo indica! Uma mistura perfeita de sabor, textura e cor! Feito com gila (um tipo de abóbora), ovos e nozes tostadas.

Travesseiro: é de chorar por mais, como dizem os portugueses. Quentinho, acompanhando de um chá, é para esquecer-se da vida, dos problemas, do tempo.

Doces portugueses

Bolo de coco

Doces portugueses

Queijada de requeijão

Doces portugueses

Doce de ovos moles

Queijada de requeijão: um absurdo de sabor! Não! Não tenho adjetivos suficientes em meu parco vocabulário para definir, explicar ou mesmo entender esse doce.

Doces de ovos moles e bolo de coco: como eu, uma pobre mortal, que nada tenho de divino, posso descrever ou interpretar esses gostos esplendorosos? Não possuo essa capacidade!

Doces portugueses

D. Amélia

Doces portugueses

Éclair

Doces portugueses

Encharcada

Amélia: torta de milho, melaço de cana e canela, parece simples né? Três ingredientes básicos e o que sentimos nada têm de ordinário. Aliás, esse é um doce real.

Éclair ou como é mais conhecida aqui no Brasil: bomba de chocolate, sendo que em Portugal encontrei variações como, por exemplo, de doce de leite e frutas, e sempre com chantilly. Um doce macio e suave.

Por fim, o mais doce de todos os doces que experimentei no país: encharcada (ovo, canela e açúcar). Tem cara de cocada e sabor de pastel de nata.

 

Doces portugueses

Pijaminha

Doces portugueses

Café à esquerda e limonada à direita

Existe uma prática em alguns estabelecimentos menores, de família, que se chama pijaminha: um mix de todas as sobremesas disponíveis naquele dia, juntas, no mesmo prato. Asseguro que esse é um costume que merece ser mantido ao longo dos próximos mil séculos, pelo menos.

Em Lisboa, muitos lugares vendem limonada. Eu a achei muito gostosa, refrescante, agradável.

A ginja é um licor obtido a partir da maceração da fruta da ginja, similar à cereja. É forte, muito gostoso e acompanha claro, muito bem um doce, qualquer doce.

Essa é uma pequena amostra do que a confeitaria portuguesa tem a nos oferecer. Ela é muito mais vasta que isso. As padarias, pastelarias e docerias costumam ter vitrines repletas de doces de muitos tipos. É duro escolher apenas um ou dois, e Léo e eu demorávamos muito tempo nessa árdua tarefa.

Então, caro viajante, se jogue nessa doce aventura sem culpa, sem dó. Com vontade!

By |2018-03-07T00:57:05+00:0023/12/2016|Categories: Europa, Portugal, Preliminares Portuguesas|Tags: |3 Comentários

3 Comments

  1. Aurelio Simoes 30/07/2017 em 18:12 - Responder

    Falta o pudim Abade de Priscos, uma explosão de sabor na boca, nao passa de gemas, açúcar e mais uns ingredientes que vão deixar surpreendidos.
    P.S. preciso do seu email, se quiser, claro, às vezes é mais fácil.

  2. […] + Doces portugueses […]

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