A Costureira de DACHAU de Mary Chamberlain

A Costureira de Dachau veio parar em minha estante de livros através de minha irmã. Ela leu e me deu de presente. O título logo me chamou a atenção, uma vez que eu visitei o Campo de Concentração de Dachau, na Alemanha. Uma visita, como não podia deixar de ser, verdadeiramente sofrida.

Fiquei a imaginar o que uma costureira poderia estar fazendo naquele cenário triste e cruel.

A Costureira de Dachau de Mary Chamberlain é uma história que fala de guerra e da sobrevivência de uma menina-mulher inglesa chamada Ada. A guerra travada fora das trincheiras e dos campos de concentração. Uma outra maneira de causar dor, padecimento e tortura num universo tão vasto criado pelos nazistas.

Londres, janeiro de 1939

Londres, janeiro de 1939. Aqui começa a história de A Costureira de Dachau, que gira em torno de Ada Vaughan, menina inglesa de apenas 18 anos, simples, de origem pobre, mas que carrega dentro de si grandes sonhos e muito talento. Ela vê o mundo através de bainhas, tecidos, vieses, costuras e muito romantismo.

Essa combinação foi sua salvação e sua derrocada.

“…o tecido vivia e respirava, como tinha personalidade e humores. A seda era (…) teimosa; o algodão taciturno, A lã era robusta; a flanela, preguiçosa”.

Seu mais doce sonho é conquistar Paris e tornar-se uma modista, uma couturière, de grande sucesso e reconhecimento, criando peças de arte em forma de roupas para mulheres da alta sociedade. Justiça se faça, Ada trabalha duro para conquistar os seus objetivos.

Um dia ela conhece Stanislaus von Lieben, nascido na Hungria, quando ainda existia o Império Austro-Húngaro. Rapidamente Ada se encanta por aquele homem distinto, educado e tão atencioso com ela. Ela começava a conhecer um novo mundo e a vida parecia perfeita!

Começa a Segunda Guerra Mundial

Sem que seus pais saibam, Ada e Stanislaus viajam para Paris. A menina, fascinada com a capital francesa, vive sua fantasia intensamente, desfrutando de todo romantismo parisiense. “Paris – disse a ele enquanto os dois passeavam de braços dados pelo Jardim de Luxemburgo – foi feita para mim“.

Tudo muda quando Hitler invade a Polônia: a guerra havia começado!

Sem poder voltar para casa, Paris completamente tumultuada, muitos tentando fugir, Ada e Stanislaus ficaram. Ela conseguiu um emprego – entre dobras e cortes – e a vida, apesar da atmosfera de medo e expectativa, seguia um tempo de (aparente) normalidade.

Na primavera de 1940: Hitler finalmente chegava à França. O casal então foge para Bélgica. Uma noite, o mundo de Ada desaba completamente: Stanislaus havia desaparecido. Ela sai desesperada em busca dele, mas tudo o que encontra é caos e bombas que caíam do céu.

Uma aeronave sobrevoando emitiu um zumbido rítmico, como uma vespa gigante. E voou baixo o suficiente para Ada distinguir uma suástica na causa, a cruz na lateral e a forma fantasmagórica do piloto na cabine. Momentos depois houve uma explosão(…) Ouviu um ruído. Acima dela um prédio estava desabando, um gigante com joelhos estilhaçados, caindo em uma névoa densa de escombros

A Costureira de Dachau de Mary Chamberlain é uma história de guerra e de sobrevivência de uma menina-mulher inglesa chamada Ada. A guerra travada fora das trincheiras e dos campos de concentração. Mais um dos muitos aspectos de dor e sofrimento causados pela Segunda Guerra Mundial. #literatura #leialivros #BernhardSchlink #omundonoslivros #espiandopelomundo #livros

O destino de Ada durante a guerra

Sozinha, ela consegue abrigo num convento belga, mas logo Ada é levada para Dachau, cidade alemã que abrigou o primeiro campo de concentração da Alemanha nazi para trabalhar como costureira da mulher de um importante oficial nazista. Lavar, passar, costurar, repetir tudo de novo exaustivamente num interminável e humilhante trabalho escravo.

Quer quebrar a alma de uma pessoa?! Quebre seu corpo! Tire seu alimento, sua dignidade física! Ada foi humilhada, passou fome, frio, foi privada do sono, apanhou inúmeras vezes, foi tratada feito lixo. Sua mente embotou, sua alma envergou, seu espírito se partiu. A menina já não distinguia direito pesadelo e realidade.

Talvez por não haver nenhuma diferença.

Este quiça seja o maior mérito do livro A Costureira de Dachau: mostrar que as atrocidades cometidas pelos Nacional-socialistas não tinham limites e extrapolavam as fronteiras dos campos de batalha e de morte. Junto com Ada, vivenciei outras formas de terror nazista, de martírio, de esmagamento do ser humano durante a terrível Segunda Guerra Mundial.

Ada trava uma guerra pessoal de sobrevivência. Ela consegue! Não simplesmente, não impunemente, não sem concessões (ou seria falta de alternativas?!). As escolhas feitas durante uma guerra só podem ser entendidas por quem vive uma guerra de dentro.

A volta para casa

Ada, como não poderia deixar de ser volta para casa, depois de ser resgatada, como outra Ada. Ainda carrega traços da menina que deixou Londres cheia de ilusões e ambições. Estes dois traços de sua personalidade se mantém no pós guerra, mas com outros ajustes, outros limites éticos, mais elásticos, mais maleáveis. Talvez, porque a guerra a tenha ensinado que a única coisa que importa é sobreviver.

O que encontra em Londres não lembra em absolutamente nada sua velha vida, mas ela tem que continuar a viver. Novamente está sozinha, por sua própria conta. Ada faz novas escolhas e elas têm consequências.

O desfecho

É duro perceber que somente quem viveu uma história é capaz de entendê-la profundamente. Quem olha de fora, nem sempre é capaz de compreender, de alcançar os sentimentos, podendo distorcer os fatos de acordo com as  suas intenções, vivências e interpretações de vida. A guerra acaba, mas não para Ada que agora tem que viver sua guerra pessoal, onde seus sentimentos e paúras vividos em Dachau não tem a menor importância, diante de sua ação movida pelo rancor.

Pobre Ada!

Vaughan é um personagem controverso que me causou um misto de muitos sentimentos. Em vários momentos, quis gritar com ela por sua tolice, para depois abraça-la por seu calvário. Fiquei consternada com o rumo que sua vida tomou, mesmo sabendo que ela podia ter feito outras opções em sua trajetória! Entretanto, quem sou eu para julgar a menina, forte sobrevivente?!

As cenas finais são tão duras e difíceis de acompanhar quanto o tempo em que ela foi escravizada pelos alemães em Dachau, durante a Segunda Guerra Mundial.

Na Dachau dos dias atuais

A Costureira de Dachau de Mary Chamberlain é uma história de guerra e de sobrevivência de uma menina-mulher inglesa chamada Ava. A guerra travada fora das trincheiras e dos campos de concentração. Mais um dos muitos aspectos de dor e sofrimento causados pela Segunda Guerra Mundial. #literatura #leialivros #BernhardSchlink #omundonoslivros #espiandopelomundo #livros

Eu passei rapidamente pela cidade de Dachau, visitando apenas o Campo de Concentração. Vi muito pouco da cidade alemã e mesmo assim, apenas de dentro do ônibus no trajeto entre a estação de trem e o campo. Confesso que não me recordo quase nada. Estava apreensiva com a visita e depois triste pelo que vi.

Depois de conhecer Ada, contudo, fiquei pensando novamente em Dachau, tentando imaginar quantas vidas viveram em sofrimento, escravizadas e esquecidas, com suas agruras sendo diminuídas e menosprezadas. Sempre penso na população que conviveu com aquilo por ignorância, medo, aquiescência ou qualquer outra razão.

O livro Um do Outro de Philip Kerr começa na cidade de Dachau e mostra outros aspectos do pós guerra.

O Leitor de Bernhard Schlink exibe, assim como A Costureira de Dachau, personagens comuns, pessoas como nós, catapultadas para a guerra e suas decisões tomadas para sobreviver. Escolhas cruéis que sempre me assustam e me levam a reflexões. E se fosse eu numa situação como esta?! Em que grau de humanidade, coragem, egoísmo, medo e arrogância eu estou?!

A Costureira de Dachau

Autor: Mary Chamberlain (Inglaterra)

Editora: HarperCollins Brasil

Números de Páginas: 285

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A Costureira de Dachau de Mary Chamberlain

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By |2018-12-26T17:25:14+00:0025/12/2018|Categories: O Mundo nos Livros|Tags: , , |0 Comentários

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